1.9.14

Os Mercenários 3

("The Expendables 3", 2014, Dir.: Patrick Hughes)




Todo ano par é ano de Mercenários no cinema. Mais que uma franquia, uma tradição. Só que agora não dá mais. Nós ficamos emocionados no primeiro, demos gostosas risadas no segundo, mas o terceiro não vai além de um Mel Gibson lutando na poça d'água como nos tempos de "Máquina Mortífera" e de um Harrison Ford pilotando um helicóptero como se fosse a Millenium Falcon.

28.8.14

Top Homens Difíceis

Uma singela homenagem ao livro "Homens Difíceis" e também aos personagens, atores e showrunners mais complicados das nossas séries preferidas.

27.8.14

House of Cards - Primeira Temporada

(2013, de Beau Willimon)




"House of Cards" entrou para a história por ser a primeira produção da Netflix com reconhecimento de série da HBO. Com a TV por streaming criando conteúdo desse nível e disponibilizando-o de maneira tão fácil, a TV por assinatura e a TV a cabo com seus preços exorbitantes e programação de horário fixo já começam a procurar seus lugares ao lado do VHS na prateleira das mídias arcaicas. Ou seja, trata-se de uma série mais famosa por seu timing do que por suas qualidades temáticas, estéticas ou narrativas, ainda que elas existam.

16.8.14

Hemlock Grove - Primeira Temporada

(2013, de Brian McGreevy & Lee Shipman)




Logo no piloto de "Hemlock Grove" algum personagem ironiza "Crepúsculo", avacalhando essas sagas de terror romântico teen água com açúcar e tentando estabelecer uma distância, como se a série dissesse "nem vem que eu não faço parte dessa turma". De fato, não me lembro de ter visto nenhum vampiro crepuscular praticando sexo oral em uma moça menstruada no banheiro da escola. Porém, não se enquadrar naquele tipo de porcaria não faz com que "Hemlock Grove" deixe de ser uma porcaria, do seu jeitinho todo peculiar.

12.8.14

Boardwalk Empire - Quarta Temporada

(2013, de Terence Winter)




Leia sobre a terceira temporada aqui.

No último episódio do quarto ano de "Boardwalk Empire", Nucky (Steve Buscemi) e Eli (Shea Whigham) estão discutindo pela centésima vez sobre quem é o verdadeiro responsável por Willie (Ben Rosenfield), o filho de Eli que apronta na escola, pede ajuda ao tio mafioso e dá início a grande parte dos conflitos da temporada. O eterno coadjuvante Eli, desesperado e impotente, quer ser protagonista ao menos dentro da sua própria casa. Mas diante de um problema envolvendo um crime, a justiça e o tradicional jogo de influências políticas, é Nucky quem explica: "esse tipo de problema só eu consigo resolver".

8.8.14

The Stone Roses: Made of Stone

(2013, Dir.: Shane Meadows)




Depois de 20 anos separados, em 2012 o Stone Roses se reuniu para 3 grandiosos shows no Heaton Park, em sua cidade natal, Manchester. A banda aproveitou a oportunidade para realizar uma mini-turnê de aquecimento e chamou o cineasta Shane Meadows ("This is England") para filmar os bastidores. Grande fã, Meadows acaba participando do documentário como testemunha dos eventos. O plano inicial com depoimento de Hitchcock é primoroso e depois só melhora. Além dos ensaios e da empolgação sincera dos músicos com o retorno, o doc dá espaço para fãs serem fãs e declararem a importância da banda em suas vidas – inclusive Liam Gallagher aparece humildão dizendo que o Roses é a melhor banda de Manchester. Também é curioso ver de onde o Oasis aprendeu a ser marrento: as entrevistas de Ian Brown e seus amigos no auge da fama são incríveis. Meadows só dá uma pipocada quando as cenas lamentáveis começam a reaparecer nos bastidores e ele, respeitoso, resolve não mostrar. Tudo bem. As cenas do Stone Roses em ação superam qualquer treta.

Azul é a Cor Mais Quente

("La vie d'Adèle", 2013, Dir.: Abdellatif Kechiche)




Um filme francês de 3h vencedor da Palma de Ouro em Cannes de 2013 sobre descoberta da sexualidade e relacionamentos não ser chato é uma proeza incrível. Baseado na HQ de Julie Maroh, ele acompanha o crescimento de Adèle (Adèle Exarchopoulos) da escola ao primeiro emprego, do namoradinho que não deu certo à paixão arrebatadora pela menina descolada de cabelo azul (Léa Seydoux) e além. Sim, trata-se de um romance homossexual e temos cenas de sexo explícito, o que pode chocar a família brasileira que viu no máximo um selinho gay na novela. O que impressiona mesmo é o amor da câmera por sua protagonista, que passa boa parte das 3h em primeiro plano arrumando o cabelo e se revelando pouco a pouco, enquanto tenta se adaptar a ambientes cada vez mais hostis: o círculo de amigas recalcadas da escola, o bar das lésbicas, o meio artístico intelectual hipster. Essa forma quase obsessiva de mostrar uma menina crescendo é a verdadeira pornografia aqui.

Planeta dos Macacos: O Confronto

("Dawn of the Planet of the Apes", 2014, Dir.: Matt Reeves)




A sequência do lindo reboot da série é menos grandiosa em termos de mitologia, mas vai fundo na questão de intolerância entre os povos, como um episódio intermediário que pretende provar um ponto específico do conflito. Além de transformar São Francisco na Faixa de Gaza disputada entre humanos (Jason Clarke, Gary Oldman) e macacos (Andy Serkis impressionante como sempre), o filme é atual demais por também traçar paralelos com a epidemia de ebola – a humanidade decadente depois da gripe símia varrer o mundo. Pessimista, frio, escuro e chuvoso, o filme mostra que a paz é impossível enquanto houver um indivíduo cheio de ódio pra espalhar a brasa no momento errado, seja de que lado for.

Maracanã

("Maracaná", 2014, Dir.: Sebastián Bednarik e Andrés Varela)




Hoje faz 1 mês que o Brasil tomou 7 a 1 da Alemanha e deu adeus à Copa das Copas. O vexame já foi dissecado de todas as maneiras possíveis e todos concordam em um ponto: a tragédia serviu para enfim libertar as almas torturadas da seleção de 50, a geração do Maracanazo que perdeu a final da Copa de virada para o Uruguai em um Maracanã lotado naquele que é considerado o jogo mais épico da história. Os fatos recentes tornam ainda mais grandioso o documentário uruguaio "Maracanã", disponível na Netflix, que mostra um lado pouco visto por aqui. Nós brasileiros passamos décadas chorando aquela derrota, mas em cima de nosso pedestal pentacampeão poucas vezes olhamos para o lado do adversário. Lá estava uma seleção de underdogs liderada pelo mitológico Obdulio Varela, uma mistura de capitão, guerreiro, líder sindical, símbolo máximo da raça uruguaia e dono das melhores histórias do filme. Um time tão azarão que nem tinha dinheiro pra festa do título. Enquanto isso, do lado de cá, você nota que não aprendemos nada: festa antecipada, um oba-oba insuportável, políticos escrotos se aproveitando da situação e o pobre Barbosa levando a culpa. Assista e confira por que, seja lá em 1950 no Rio ou há um mês em BH, nós sempre merecemos perder.

Jogos Vorazes: Em Chamas

("The Hunger Games: Catching Fire", 2013, Dir.: Francis Lawrence)




Na sequência da saga teen menos imbecil do momento, o dono da Rede Globo (Donald Sutherland) e o Boninho (finado Philip Seymour Hoffman) fazem o que os criadores de reality shows costumam fazer bem: apelam. Para tentar manchar a imagem beatificada da nossa heroína Katniss (Jennifer Lawrence), eles criam uma edição especial greatest hits dos Jogos Vorazes, onde todos os vencedores das edições anteriores vão se enfrentar. Em outras palavras, uma desculpa para repetir o primeiro filme com desafios maiores. No mata-mata dessa verdadeira supercopa dos campeões dos hunger games, os integrantes morrem menos pelas mãos de seus oponentes e mais pela ação impiedosa da organização do evento, o que diminui o sangue em cena e não choca o olhar sensível do público. Ainda assim a saga continua divertida, principalmente quando o namoradinho oficial da moça, interpretado por um ator medíocre com jeitão de Colírio Capricho (Liam Hemsworth) está bem longe e nosso amigo apaixonado Peeta Mellark (Josh Hutcherson) aparece para salvar o dia.