20.2.07

Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América
("Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan", 2006, Dir.: Larry Charles)



Brasileiro ficou magoadinho com o tosco "Turistas", aquele filme de terror classe Z onde turistas americanos comem o pão que o diabo amassou aqui no glorioso país Brasil. Se "Turistas" causou polêmica mesmo tendo sido ignorado pelo público, imagine então como se sentiu o povo do Cazaquistão ao ver seu país ganhar o mundo como o bizarro lar de Borat, que a essa altura do campeonato já se tornou celebridade internacional com a bilheteria espantosa e toda a repercussão de seu filme.

Não sei como é o humor do povo do Cazaquistão e qual sua capacidade de rir de si mesmo mas, de qualquer forma, não há motivos para eles se preocuparem. Particularmente, até me simpatizei bastante com o Cazaquistão. Quem deveria se preocupar mesmo são os Estados Unidos. Porque "Borat" mostra, mais uma vez, como o povo americano em sua imensa maioria é ignorante, idiota, preconceituoso e facilmente manipulado.

Isso porque Sacha Baron Cohen, o Borat, é o Michael Moore do humor. Toda a fama de seu personagem é justificada e Cohen pode ser considerado gênio porque, ao interpretar um ignorante na América, conseguiu simplesmente mostrar que ignorante mesmo é o americano. Porque ele, Borat, é um personagem de ficção. Mas as pessoas que aparecem fazendo e falando barbaridades em seu filme, não. Acreditando que o documentário era apenas uma matéria jornalística do Cazaquistão, os americanos entrevistados por Borat soltam o verbo e jogam todos os seus pensamentos vazios no ventilador. Agora os palhacinhos estão todos processando Cohen.

Além de todos os feitos do personagem - uma mistura de Seinfeld com Kramer, de Grouxo Marx com algum personagem do Monty Python -, Cohen conseguiu dar um passo além nas piadas politicamente incorretas que os irmãos Farrelly sempre tentam inserir em seus filmes. Aqui, judeus, negros e homossexuais são alvos, mas a graça maior não é nas tiradas preconceituosas, e sim conferir os americanos levando aquilo a sério, instigados pelo personagem repórter que sempre dá mais corda pra eles se enforcarem.

"Borat" também é a Bruxa de Blair do humor, por se tratar de um documentário simulado que às vezes te deixa na dúvida sobre o que é real e o que é armado. E é uma das coisas mais engraçadas que eu já vi. Em um ranking assim bem Cazaquistão das melhores comédias de todos os tempos, ao lado de alguns Monty Pythons e de poucos representantes recentes (talvez "Team America"), "Borat" tem espaço garantido.

13 comentário(s):

Marlos disse...

A briga de Borat com seu agente me fez engasgar de tanto rir...

Lucas disse...

Nossa, aquela briga é sem noção. E o pior foi assistir o filme com vários estudantes de cinema e, num debate que rolou depois, perceber que 90% do pessoal ali não entendeu absolutamente nada. Tinha fulano indignado com as piadas, outros reclamando da temática ("ele só está aumentando o preconceito!" - como assim, caceta?) e vários preocupados com a censura(!). Afinal, devemos lutar para que nossos filhos não vejam essas barbaridades.

Algo assim.

Marlos disse...

Cara, estudante de cinema nao é necessariamente especialista em "mensagem a ser passada pelo filme".

Os caras podem manjar de técnicas de filmagem, edicao, direcao, como roteirizar etc.

Mas a sensibilidade ainda vem do coracao, e pra esse a melhor escola ainda é a vida vivida nas ruas. Sem zoeira.

Lucas disse...

Ah, mas eu não liguei o fato de ser estudante de cinema à falta de compreensão do tema. Se ficou parecendo isso, não foi intencional. O lance é que assistir qualquer coisa com os estudantes de cinema lá é uma merda, mas tinha gente de toda a faculdade na sala.

André disse...

piadas que zoem etinias, credos e times de futebol (sejam negros, brancos, japoneses, judeus, católicos, evangélicos, mulçumanos, corinthianos, etc) são SEMPRE engraçadas. Foda-se o politicamente correto. São e pronto, quem não assume é hipócrita.

e o personagem do monty python é o john cleese de repórter!

Carolina disse...

Pelo tanto que ouvi antes do filme, achei decepcionante. Ok, zoa os americanos na casa deles. Mas não é tão engraçado assim... Talvez para o gosto "apurado" e "intelectual" alheio sirva.

Se é pra ser azedo, ainda prefiro os ingleses.

Beijos!

Marlos disse...

Concordo com você, Lucas.

Nao ficou parecendo aquilo nao, eu apenas aproveitei o gancho pra divagar...

Borat apresenta um humor masculino, escatológico. E nao pelo fato de zoar os americanos, mas sim pelos detalhes em geral. Zoar os americanos foi apenas um leitmotiv travestido. O filme seria engracado da mesma forma zoando os ingleses, por exemplo.

É uma crítica à cultura ocidental em geral. Só que ao passo em que os europeus a questionam, os americanos ainda a veneram. Ou seja, Borat apenas sobe até o topo da colina pra gritar em nossos ouvidos e alcancar o maior público possível.

Monty Python é um humor sutil, inteligente, e ao mesmo tempo caótico e nonsense, e dessa forma consegue agradar tanta gente. É como uma pintura abstrata de seios.

Borat é uma espécie de mínimo denominador comum do humor. Quem nao consegue rir com o filme, que reclame com seu superego.

Daniela disse...

Acho que "zoar os ingleses" não seria tão universal quanto ironizar os americanos e, por isso, Borat perderia boa parte da abrangência.

Alguém por aí viu Turistas?

Daniela disse...

Desculpe, agora percebi que entendi mal o comentário da Carolina.

Anônimo disse...

Putz...Carolina minha filha, Sacha Baron Cohen É inglês.

Rogerio disse...

Eu assisti Turistas. Achei o filme mais engraçado do que aterrorizante. Isso porque ele é eivado de preconceitos dos gringos para com os seus anfitriões, isto é, nós! Não é politicamente correto, o que já é bom, pois não é hipócrita!

Quanto aos idiotas que se ofenderam com o filme, eles que vão assistir Teletubies cantando o atirei o pau no gato politicamente correto. hahahahah

Bjs.

Vozes na mente do Társis Salvatore o obrigaram e ele disse...

Achei curioso a polêmica em torno do personagem. Curioso e bom, já que o humor politicamente correto é a regra geral da chatisse atual.

O mundo de hoje precisa de um Borat, mais do que nunca.

Agora, no quisito "não entender nada" a coisa mais engraçada que vi, foi um Blog chamado "politicamente incorreto" metendo o pau no filme.

Divirtam-se:
http://politicamenteincorreto.wordpress.com/2007/03/05/borat-um-sinal-do-apocalipse/

Tem gente que acha que ser "politicamente incorreto" é andar sem calcinha... ai ai

Belo Blog, parabéns!

Abraço

Thalita disse...

Olá, Renato,

Encontrei seu blog por acaso, procurando algumas informações a respeito de Taken.

Me apaixonei pelo seu modo de escrever. Passei a manhã toda lendo seus posts (quando deveria estar trabalhando...) e não consigo mais parar.

Parabéns!

Qto a Borat, achei ótimo também, apesar de não ter achado tão engraçado (no sentido de me acabar de rir mesmo).

E concordo em parte com a Carolina, pois apesar de o Sacha ser inglês, eu ainda prefiro o humor inglês ao estilo Monty Python.