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31 filmes > a teoria pedestáltica > pipoca moderna
29.8.08
28.8.08
This is real life
Se todo mundo que me disse "vamos marcar alguma coisa" nos últimos meses tivesse realmente me ligado pra marcar alguma coisa, eu teria uma agenda de programas mais bombante do que a Paris Hilton.
Se todo mundo que me deu conselhos sentimentais nos últimos meses tivesse simplesmente me apresentado uma amiga disponível, eu estaria fazendo mais sexo do que o Michael Douglas.
Se todo mundo que entra nesse blog todo dia me pagasse R$ 10 de mensalidade, eu não precisaria trabalhar.
Se todo mundo que passa o dia tentando decifrar os significados ocultos dos meus nicks do MSN me transferisse o equivalente ao tempo gasto em salário, eu também não precisaria trabalhar.
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27.8.08
Let's put a smile on that face
As novas máquinas fotográficas digitais vêm com a função Smile Shutter. Quando o botão está acionado, a máquina só tira foto se a pessoa fotografada estiver sorrindo. Sem sorriso, sem foto. Quando você abre o sorrisão, ela dispara automaticamente.
Smile like you mean it
É a vitória da falsidade, do sorriso forçado, na necessidade desse povo bonito, alegre e batalhador de andar pra lá e pra cá com um sorriso estampado na face, como se tudo estivesse sempre bem, como se nada mais importasse, como se fôssemos todos brahmeiros. Que beleza.
It's my party, I'll cry if I want to
Pensando na evidente queda de vendas que isso deve gerar, em breve será lançada a versão Emo Shutter, pra fotografar só expressões tristes, cabisbaixas e chorosas. Rá!
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Dália Negra
(James Ellroy)
Quando "Twin Peaks" era febre na TV mundial no começo dos anos 90, lançaram em vídeo o episódio piloto com uns 15 minutos adicionais e um final improvisado que, nas coxas, entregava a identidade do assassino e concluía bem picaretamente toda a complexidade da série. Após ler "Dália Negra" de James Ellroy, a sensação que tive é que Brian DePalma fez a mesma coisa com sua adaptação cinematográfica.
Eu não deveria usar um espaço dedicado ao livro para esculhambar o filme, mas é inevitável. Foi o filme que me levou até o livro, porque apesar da grande decepção que é, a obra de DePalma deixa bem claro que o material original é impecável. É como se o filme pedisse desculpas por ser incompetente e desse a dica: "leia o livro, garanto que ele é uma obra-prima". Ou a explicação mais razoável é que não dá pra não ficar obcecado pela Dália Negra, como bem sabem os policiais Lee Blanchard (o Sr. Fogo) e Bucky Bleichert (o Sr. Gelo).
James Ellroy escreveu "Dália Negra" para exorcizar seus fantasmas pessoais. Sua mãe foi assassinada de modo semelhante a Elizabeth Short, a promíscua e sonhadora aspirante a atriz que foi brutalmente morta em Los Angeles, em 1947. Ele mesmo se tornou obcecado por solucionar o caso da mãe, escrevendo outro livro a respeito: "Meus Lugares Escuros".
O caso da Dália permanece sem solução até hoje. Em seu romance, Ellroy mistura ficção com realidade para narrar não o assassinato, mas sim como o fato altera a vida de todos os envolvidos na investigação, descortinando o lado podre de todos eles (assim como "Twin Peaks"). O livro é narrado em primeira pessoa por Bucky Bleichert, o policial boxeador de origem humilde e queimado entre os colegas, mas com um faro bom pra detetive. A ambientação na Los Angeles suja dos anos 40 é especialidade de Ellroy (vide "Los Angeles - Cidade Proibida", outro que virou filme) e o clima noir transborda das páginas. Ellroy narra com detalhes o funcionamento da polícia da época, da burocracia às politicagens, passando por mulheres fatais, bandidos sórdidos, muita gente louca, assassinos bizarros e sexo, muito sexo.
Caindo sem querer no meio do caso da Dália, Bucky a princípio sente repulsa pelo grande circo armado ao redor do assassinato. Para ele, aquela putinha ordinária não valia tudo isso. Com o desenrolar da investigação, Bucky vê seu mundo ruir e o caso se torna uma questão pessoal. Lá pelo final do livro, em um simples e comovente parágrafo, ele se declara a Elizabeth em pensamento, se reconhece nela como o perdedor que é, e diz que eles fariam um bom par, caso tivessem se encontrado em vida. É de matar.
Bucky é um personagem tão bom que, acredite, vai ser difícil encarar o canastrão Josh Hartnett novamente sem conter a raiva. Por outro lado, a complexidade de seu melhor amigo e parceiro Lee é comparável ao Harvey Dent de "O Cavaleiro das Trevas", e se o ator foi o mesmo (o ótimo Aaron Eckhart), a diferença é que Chris Nolan é capaz de desenvolver seu personagem muito melhor do que DePalma, dedicando a ele o mesmo tempo em cena. Mas nada supera o maior erro de casting da história. Ainda mais do que no filme, fica claro que a semelhança entre Madeleine e Elizabeth é o grande estopim que leva ao crime e à resolução dele, e isso deveria ser tratado com mais respeito. Eu insisto: Hilary Swank nem de longe se parece com Mia Kirshner.
Além do casting, o filme fez questão de jogar no lixo umas 200 páginas do livro, exatamente o período entre o desaparecimento de Lee e a descoberta do assassino, que é quando Bucky mergulha fundo na podridão da investigação, da vida do amigo, da família Sprague (no filme, o sobrenome é Linscott) e desvenda toda a rede de intrigas com reviravoltas significativas a cada capítulo. Se no filme de DePalma o roteiro estabanado encerra o caso com o discurso de uma mulher louca, Ellroy analisa todas as motivações envolvidas, entrega o assassino e ainda explica porque a história acabou abafada e sem sua conclusão tornada pública. Para ficar em exemplos recentes, "O Cavaleiro das Trevas" e "Zodíaco" (filme de tema muito semelhante, mas infinitamente superior) já mostraram que é possível ser complexo, envolvente e fodão em duas horas e meia de película.
PS: O livro é de 1987, o filme é de 2006. Este post está muito fora de época.
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Tag: livros
26.8.08
Tryin' to throw my arms around the world
Tenho um pôster do meu quarto, bem em frente à cama, com todas as capas do U2. Ao seu lado tenho um "Indiana Jones e a Última Cruzada" que veio na extinta Video News e dois Batmen grudados na porta: "Ano Um", do quadrinho, e "Batman Returns", do filme - em inglês mesmo porque é original gringo, não é que eu seja metido. Perceba que o plural de Batman é Batmen. Ninguém nunca pensou nisso antes.
E o plural de pôster é pôsteres. Os pôsteres da minha casa têm história. O "Alta Fidelidade" da sala acompanha o crescimento de meu acervo de CDs, DVDs, livros e bonequinhos inúteis desde o início da década, formando um pequeno santuário. O "Johnny & June" em cima da TV é mais sentimental, mas não menos religioso. O Johnny e a June falam comigo, me apóiam, me fazem companhia, me dão exemplos de suas vidas e conselhos, igual o Tony Hawk pro moleque do "Slam". Sempre ouço o que eles têm a dizer. Eles nunca erram.
Um pôster às vezes vira paisagem, nem noto sua presença. Mas de alguma forma todos eles continuam marcando presença no subconsciente. O que nos leva de volta ao U2 do quarto.
Olho pra ele todo dia antes de dormir, mesmo que não queira. Antes de apagar a luz vejo toda a carreira da banda, do "Boy" ao "All that you can't leave behind" (o pôster já tem alguns anos, não dá pra atualizar). E isso está subliminarmente afetando meu cérebro. Decifrei esse código, descobri que aquelas imagens interferem nos meus sonhos, nos meus planos, nos meus desejos e consequentemente em tudo mais.
Estão escondidos nas capas do U2 pelo menos três lugares que eu tenho muita vontade de conhecer, e conheceria hoje mesmo se fatores como férias, dinheiro, visto pros EUA, cotação do Euro, coragem e outras prioridades não fossem problema.
A capa do "Joshua Tree" tem o deserto americano, cenário de tantos westerns, rota de motoqueiros, desajustados, beatniks, peregrinos sem destino, Jack Kerouacs, Bob Dylans, Paris, Texas, Grand Canyon, Las Vegas.
A capa do "Achtung Baby" tem Berlim após a queda do muro, trabants, cenários da II Guerra e todos aqueles lugares abençoados por Wim Wenders que aparecem no clipe de "Stay".
A capa do "October" tem Dublin, outra cidade de atrações históricas, construções medievais, vikings, Slane Castle, a fábrica da Guinness e, bem, o lar do próprio U2.
A capa do "All that you can't leave behind" é do aeroporto Charles De Gaulle em Paris, e embora Paris não esteja entre minhas prioridades porque os franceses são muito chatos, a simples presença em um aeroporto já dá uma vontade danada de viajar.
Dentro da minha própria casa, todos esses signos me mandam viajar. Acho que os pôsteres, junto com os bonequinhos inúteis que ganham vida quando eu não estou lá estão querendo férias de mim. Só falta o Johnny e a June darem o ok final e mexerem os pauzinhos lá em cima, pra viabilizar o processo.
Atendendo a pedidos:
Rob,
June e Johnny,
e os rapazes.
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25.8.08
Livro do Ano
É mais um daqueles sites de "face in hole", onde você encaixa o rosto em fundos predefinidos, mata umas 78 horas de trabalho e cria avatares para toda uma semana de diversão no MSN. É idiota, mas eu gosto. Clique aqui e coloque sua cara no álbum de fotos dos formandos de vários anos, desde a década de 50.
Este sou eu em 1978, quando jogava de centroavante do Olaria:
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Pequim 2008
Melhores Momentos
a) A abertura de 4 longas horas que emocionou a todos. Até o pessoal descobrir as falcatruas dos bastidores, como a menina bonitinha que fez playback numa música, enquanto a gordinha feia cantava escondida.
b) João Derly é desclassificado por um português que queria se vingar de um chifre. O portuga confessa ser corno em rede mundial de televisão.
c) Fabiana Murer perde a vara e não consegue saltar direito, rendendo a maior quantidade de piadas infames desta Olimpíada. Todas foram catalogadas pelo Kibeloco.
d) Diego Hypolito pipoca, Daiane pipoca, Jade chora e a ginástica olímpica brasileira continua a mesma.
e) Ronaldinho Gaúcho atende o celular na entrega das medalhas, demonstrando seu enorme respeito às Olimpíadas, à seleção brasileira, ao Brasil e a você aí, palhaço, que acordou cedo pra ver esse cara se arrastando em campo.
f) O São Paulo Futebol Clube é prejudicado com a ausência de Hernanes e Alex Silva. Com eles em campo, calculo que estaríamos no G4 hoje.
g) A seleção feminina de vôlei, sem Cuba pela frente, ganha o Ouro. Os meninos do vôlei decepcionam nas quadras e nas praias. Galvão Bueno não se conforma com os brasileiros que jogam pela Georgia: "Todos são brasileiros, mas vamos torcer pelos de amarelo". Pra mim, é a frase das Olimpíadas.
h) Cesar Cielo é zebra em ano de Michael "Tevez" Phelps e vira celebridade. O repórter da Globo pergunta: "Que tipo de mulher você prefere?". Ele responde: "As bonitas". Cara legal.
i) Maurren Maggi é são-paulina e fã de Bon Jovi e ganha o ouro por um centímetro. Sua filha reclama no telefone, porque queria prata.
j) O judoca cubano dá um buddypoke pouco amigável no juizão vendido e é banido do esporte. ERRATA: Não é judô, é taekwondo.
k) Os Estados Unidos criam contagem paralela de medalhas, valorizando mais o total do que o número de ouros. Tenho certeza de que, se o Brasil tivesse algum critério vitorioso, o Galvão Bueno também usaria.
l) A seleção masculina norte-americana dá um passeio no basquete e Kobe Bryant, melhor jogador do mundo, deveria dar palestras sobre motivação, hombridade, profissionalismo e caráter (vergonha na cara) aos nossos jogadores de futebol.
m) Ficamos na frente da Argentina no quadro de medalhas. Mas quem se importa? Perdemos deles no único esporte que interessa.
n) O blog Bronze Brasil.
o) David Beckham representando Londres no encerramento. Como sempre, é o futebol que manda.
Epílogo: em algum lugar no meio da Cidade Perdida, nosso Rei Pelé passeia com meia dúzia de criancinhas chinesas, promovendo a candidatura brasileira a sede das Olimpíadas de 2016. Que vergonha.
À esquerda, um representante tricolor portando a bandeira do São Paulo Futebol Clube na cerimônia de encerramento dos Jogos Olimpícos. Porque o tricolor quando vai pro exterior não passa vergonha. Foto: Reuters.
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22.8.08
O segredo do sucesso
Maurren Maggi é são-paulina e fã de Bon Jovi. Por isso ela é pé quente. Por isso ela vale ouro.
Registrado por Renato Thibes às 4:44 PM 2 comentário(s) Link
Roy Orbison singin' for the lonely
Não sei por que demorei tanto tempo pra baixar "Mystery Girl", o último disco gravado pelo Roy Orbison antes de esticar as canelas. Acho que lá no fundo eu ainda tinha esperanças de comprar o CD, encontrável nas FNACs da vida. Às vezes ainda acontece isso comigo.
Fato é que "Mystery Girl" já é um dos meus discos preferidos para momentos de fossa. A melhor seleção de baladas de partir o coração, daquelas que só o velho Roy poderia entregar.
Mas ele começa feliz com "You Got It", uma música que me traz boas lembranças. Ela fez muito sucesso na época (final dos anos 80) e tocava sem parar nas rádios de Leme. Lembro até de uma coreografia esdrúxula que nós fizemos na escola. Devia ser a quinta série. A gente dançava "You Got It" todo dia, imitando aqueles grupos vocais de soul. O que me lembra que eu sempre, a vida toda, estive cercado de retardados capazes de se divertir com as mesmas besteiras que eu. Graças a Deus.
"Mystery Girl" tem uma seleção boa de produtores: Jeff Lynne (parceiro de Roy nos Traveling Wilburys), T. Bone Burnett e até o Bono, que protagonizou uma das minhas histórias de músicas favoritas na criação da maravilhosa "She's a Mystery To Me". É mais ou menos assim:
Bono foi dormir depois de assistir a "Veludo Azul" (que tem participação marcante de "In Dreams", de Roy) e acordou com uma música na cabeça. Bono achava que aquela era uma música do Roy, mas ele tocou a danada pro pessoal do U2 e eles disseram que nunca tinham ouvido aquilo antes. Naquela noite, após um show do U2 (acho que era da turnê do "Joshua Tree"), Roy Orbison apareceu de surpresa no camarim da banda. Elogiou o show e pediu pro Bono escrever uma música pra ele. A música já havia sido escrita, in dreams.
Na gravação de "She's a Mystery To Me", Bono viu Roy entrando no estúdio e, lá de fora, só viu o homem sentado na frente do microfone mexendo os lábios devagar. Achou que Roy estava só aquecendo. Mas quando foi ouvir a gravação, estava lá aquele vozeirão impecável e a música já estava pronta.
"Mystery Girl" tem algumas baladas tocantes como "In The Real World" e "The Comedians", mas "A Love So Beautiful" é uma daquelas canções que fazem você querer estar apaixonado, só pra valorizar ainda mais o momento. Periga você se apaixonar pela primeira que passar na frente, mesmo que por apenas 3 minutos e 34 segundos. Ajuda a música ter melodia inspirada num antigo clássico de ópera, cujo nome eu não sei, mas que já virou "Eu nunca mais vou te esquecer" do Moacyr Franco. Sabe qual é? Comenta aí.
Baixei outros discos do Roy além desse. Consegui uma versão de "Unchained Melody" com ele. Agora já tenho a original com os Righteous Brothers e versões de Elvis Presley, Willie Nelson, U2 e Roy Orbison. Já dá pra fazer um top 5. Mas quem ousa ranquear essa turma?
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21.8.08
Fronteiras culturais
Às vezes me criticam por não ouvir muito artista nacional ou por não assistir a tantos filmes nacionais. Eu não costumo escolher o que ouvir e assistir com base na nacionalidade. Eu consumo o que passa ao meu redor e me causa algum interesse. Se a maioria dos escolhidos é americana ou inglesa, parabenize-os pela abrangência da linguagem, da comunicação eficiente, da distribuição profissional. Patriotismo só serve em Copa do Mundo e Olimpíada - quando chega a eleição, todo mundo já esqueceu dele. Na hora de entrar no meu cérebro, o Bruce Springsteen fala mais a minha língua do que o Caetano Veloso. O idioma é só uma questão geográfica. Outro dia fui ver o filme do Zé do Caixão não porque é nacional, mas porque é do Zé do Caixão. Pessoas e talentos são mais importantes do que um país. O Michael Phelps tem mais medalhas do que o Brasil, um clichê pra comprovar a tese. Brasileiro é fraco de cinema, mas é bom de novela. Novela é o maior exemplo de cultura popular no Brasil. Já vi muita novela na vida, porque elas são bem distribuídas - horário nobre, TV aberta. Mas os entusiastas do cinema nacional chato e da música popular brasileira chata não assistem às novelas. Claro que não. Nem a filmes do Zé do Caixão. Não costumo me defender quando ouço essas críticas, porque acho que não devo satisfação pra ninguém. Deixo que pensem que sou um paga-pau de gringo, com o subconsciente colonizado. Já pago imposto demais por ter nascido no Brasil pra ter que passar a vida me justificando.
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20.8.08
Star Wars - The Clone Wars
(2008, Dir.: Dave Filoni)
Você sabe que há algo de errado na galáxia quando, na bilheteria do cinema, a mocinha te avisa: "olha, é um desenho, e é dublado, tá?". Estão subestimando o poder da força. Como se os fãs de "Star Wars" fossem espectadores desavisados que entram em qualquer sessão sem saber do que se trata.
Depois do Episódio III, George Lucas disse que nunca mais veríamos sua saga no cinema, mas pra variar ele mudou de idéia. Este "The Clone Wars" é um longa animado computadorizado que parte do mesmo princípio da sensacional série animada do Cartoon Network para se aprofundar nas tais Guerras Clônicas, um evento mais comentado do que mostrado nos filmes. Dada a importância das Guerras (é quando Anakin Skywalker se torna mestre jedi e confirma o status de maioral da turma), é de se perguntar se Lucas não deveria ter dedicado um filme inteiro só pra ela, reduzindo a politicagem chata dos dois primeiros episódios em um só.
Como tem se tornado comum na saga intergaláctica, situar a ação cronologicamente é a parte mais difícil. Exige algum conhecimento prévio de filmes (duas trilogias), HQs, games e da própria série animada do CN. Além disso, "The Clone Wars" dará início a uma nova série de TV animada e em breve teremos uma outra live action, em outra linha cronológica. É muita confusão na galáxia. Mas pra você se divertir sem precisar fazer um intensivão com seu afilhado nerd, basta saber que a história se passa entre os Episódios II e III.
Quando o filme começa, Anakin Skywalker e Obi-Wan Kenobi estão envolvidos até o pescoço nas Guerras Clônicas. Um fato isolado é o estopim para as tramóias, intrigas e reviravoltas do roteiro: o filho de Jabba the Hut, uma pequena bola de sebo chamada de "Fofuxo" e apelidada de "Fedorentinho", é sequestrado. O gângster Jabba controla rotas importantes da galáxia e ter o seu apoio é fundamental para o sucesso estratégico das tropas, por isso a República destaca seus melhores cavaleiros jedi para irem atrás do bicho. Obi-Wan torna-se coadjuvante quando aparece a jovem Ahsoka Tano, destacada como padawan de Anakin. Ahsoka tem mais carisma do que todos os personagens secundários dos Episódios I e II juntos, e sua dinâmica com Anakin leva o filme nas costas. Neste sentido, a ausência do canastra Hayden Christensen no papel de Anakin também ajuda. Outros personagens novos também ganham destaque, como o trooper Capitão Rex (um Capitão Nascimento do espaço) e a vilã Asajj Ventress, padawan de Dookan que já teve boas participações na série animada do CN e em HQs.
"The Clone Wars" começa confuso, com toda aquela trama política e estratégias militares que assustam a criançada, mas surpreende bastante depois que a ação engrena, Anakin e Ahsoka estabelecem o tom da parceria e Padmé Amidala aparece para salvar o dia na base dos contatos políticos. E ao contrário das participações de Jar Jar Binks no Episódio I, os momentos cômicos não são desagradáveis. Isso porque George Lucas finalmente deixou outros brincarem com seu brinquedo preferido, fazendo apenas o que faz de melhor: a produção executiva.
Como a maioria das batalhas envolve apenas droids e clone troopers, o elenco de verdade nem faz tanta falta. O que faz uma falta danada é a trilha original de John Williams e ícones eternos como o logo da 20th Century Fox (dessa vez é da Warner) e o clássico letreiro inicial. Do elenco original, temos apenas as vozes de Samuel L. Jackson (Mace Windu), Anthony Daniels (C3PO) e Christopher Lee (Conde Dookan). Como nossas cópias são quase todas dubladas, nem faz diferença.
Com uma animação digital nota 9 (10, só a Pixar) e um visual de cair o queixo, "The Clone Wars" diverte bastante e abre as portas para uma infinidade de pequenas histórias do universo Star Wars que deverão manter os sabres de luz acesos durante um bom tempo.
Trailer:
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Tag: filmes
19.8.08
Bandas na rede
Tirando o Ludov, que é miguxo, tem 5 artistas no mundo que me fazem perder algum tempo navegando em seus sites, de tempos em tempos, por algum motivo específico (aquela conferida na agenda de shows) ou só pra passar o tempo e ver o que eles andam aprontando. Eis as últimas novidades dos 5:
O Radiohead, pra variar, ainda não colocou o Brasil em sua agenda. Porém fiquei surpreso ao notar que o site deles está com cara de site normal, com informações na home, algo parecido com um blog e o melhor texto de "welcome" da história: you have located your browser at the official Radiohead site. O destaque é o inovador clipe de "House of Cards", todo interativo e em 3D com tecnologias que até agora eu não compreendi direito.
O U2 ainda está com o layout antigo, embora o disco novo esteja no forno. Como a banda não passa seis meses sem lançar alguma coisa que gere lucros, a novidade fica por conta do breve lançamento de "Under a Blood Red Sky" em DVD. É o único show que faltava do seu extinto catálogo VHS em DVD, e deve ser o registro mais clássico da banda ao vivo, incluindo "Sunday Bloody Sunday" com bandeira branca. Isso deve atrasar ainda mais o disco novo. Irish bastards.
O site do Bob Dylan sempre ameaça ser legal, mas falha em algum momento. Por exemplo, o tal do Dylan Geo, uma das novidades da nova versão, é uma ferramenta bacana que mostra o globo terrestre com marcações de todos os lugares por onde Dylan já passou. Só que São Paulo não aparece e algum engraçadinho cadastrou Belo Horizonte lá no Nordeste, realizando um antigo sonho dos mineiros: ter praia. Mas tudo bem. Bob Dylan é Deus e enfia Belo Horizonte onde quiser.
Bruce Springsteen tem um site simples mas funcional. Tem tudo fácil ali: letras, agenda de shows, notícias, discografia. Na home tem uma porção de depoimentos de fãs e um apelo bacana para que as pessoas que levam cartazes nos shows tenham bom senso na hora de erguê-los, para não atrapalhar quem está atrás. É o Chefe preocupado com a turma do fundão e com os nanicos em show de rock.
O site do Bon Jovi melhorou bastante de uns tempos pra cá. Modernizou-se, tem até aqueles ícones de web 2.0 no rodapé. Entro sempre pra acompanhar a agenda de shows, mas a página está vazia porque a turnê já acabou. Assim, só me resta checar os inúmeros itens à venda na lojinha. Todos muito legais, especialmente os que ostentam a tatuagem do coração com a adaga. Fica a certeza de que, se um dia uma nobre moçoila aparecer na minha frente vestindo a camiseta acima, é pra pedir em casamento na hora.
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Pipoca na panela
Seleção brasileira masculina em Olimpíada é como o Corinthians na Libertadores. Um não nasceu pro outro. Não adianta insistir.
Apesar de ainda ter um bronze na disputa futebolística, pra mim as Olimpíadas já acabaram. Devolvam o Pirulito e o Hernanes, por favor. Eles têm mais o que fazer por aqui.
A propósito, o papelão da moça que teve a vara roubada corresponde ao lance do padre irlandês de quatro anos atrás. Então acho que já cumprimos nosso papelzinho em Pequim, podemos mesmo encerrar o expediente.
Frase olímpica do dia: "O salto com vara é a única modalidade em que o Brasil não levou vara."
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18.8.08
The show must go to hell
Estou bem feliz com o calendário de shows do segundo semestre, que vai me fazer economizar uma grana. Como estou me lixando pra Madonna (R$ 250 só no Bob Dylan, 12h de fila muvuquenta só no U2) e a escalação do Tim Festival é a prova definitiva de que meus indie days are gone, vou apenas aguardar a confirmação do único boato do Lúcio Ribeiro que realmente importa: Bon Jovi vem ou não?
Para economizar ainda mais, eis que agora fico sabendo da ilustre vinda de dois amigos do Jack Johnson: Dave Matthews e Ben Harper. A presença da dupla já seria digna de nota por sí só, mas a notícia é muito mais engraçada: eles farão parte do festival natureba "About Us - Entretenimento a favor da sustentabilidade", dias 27 e 28/09, na Chácara do Jockey em São Paulo.
Até aí beleza. Sou fã de U2, não posso criticar o engajamento ecológico da turma. Mas a palavra "entretenimento" na descrição do evento já demonstra que a coisa vai passar longe de ser um show de rock. Nem vou comentar a palavra "sustentabilidade" que vem na sequência. Jorge Ben Jor, Palavra Cantada (quem?), Seu Jorge, Vanessa da Mata, O Rappa (claro!) e NXZero completam o casting.
E o melhor: quem for de bicicleta ganha estacionamento e camiseta de graça. Imagine em uma cidade como São Paulo você se deslocando de sua casa até a Chácara do Jockey de bicicleta para voltar de madrugada. Caso você não esteja ligando o nome à pessoa, a Chácara do Jockey é onde foi realizado o Claro q é Rock: lá na casa do chapéu. O Apontador me informa que são 16,2Km da minha casa até o local. Ou seja, a ação ecológica tem tudo para ser um sucesso entre os moradores ciclistas da Vila Sônia.
Pelo menos a lei seca não vai atrapalhar. Se é que esse povo bebe alguma coisa.
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Happy hours, lonely years
Sábado completamos 31 anos sem Elvis Presley. Você prestou sua homenagem?
Summer kisses, winter tears
Like the stars they fade away
Leaving me to spend my lonely nights
With dreams of yesterday
Esta é mais uma segunda sem filmes, sem livros, sem discos, sem shows e sem exemplares de vida lazarenta além da minha própria. Assim sendo, e como não estou seguindo a novela das 8 (dizem que está boa), trataremos dos principais assuntos do momento: a lei seca e as Olimpíadas.
Além das vidas salvas e dos postes que não passam mais medo de madrugada, a lei seca está começando a gerar bons frutos no meu bolso. Graças a ela, gastei pouco mais de vinte mangos na minha última ida à "balada". Economizando, você pode comprar La Trappe pra tomar em casa. Não é a mesma coisa sem aquela taça específica, mas toda economia vale a pena. E eu gosto da minha casa, sabe? Tem gente que não gosta de sua própria casa. Tem gente que não gosta da minha casa. Mas eu gosto. Sempre gostei. Este sou eu, já conformado com a lei seca e me sentindo bem em casa.
Breves e raros momentos em que você agradece por estar solteiro e morar sozinho: você pode se dar ao luxo de passar na 2001 em plena sexta à noite, comprar um monte de filmes do Zé do Caixão por 12,90 cada e ficar vendo até de madrugada sem ninguém encher o saco. A 2001 Vídeo de Moema e a Livraria Cultura do Conjunto Nacional são os dois melhores lugares de São Paulo pra se gastar dinheiro. Dependendo da sua condição financeira, a Fast Shop entra na lista.
Lá de Pequim, o fim de semana nos trouxe mais bronzes, um ouro inesperado e muitas pipocadas já esperadas. Terapia e vergonha na cara, é disso que o Brasil precisa. Projeto Londres 2012: se eu começar a treinar peteca agora, será que consigo uma vaguinha na delegação brasileira de badmington pra dar um rolê na Inglaterra daqui a 4 anos? Chegando lá, é tomar uma petecada na cara, sair chorando da quadra (tem quadra isso?) e dar entrevista reclamando da falta de estrutura e de incentivo ao esporte no Brasil, prometendo uma dedicação maior nos próximos Jogos. E afogar as mágoas num pub, que é o que interessa.
Mais uma vez o Campeonato Brasileiro foi decidido por um erro de arbitragem, mas eu não vou chorar, porque choradeira é coisa de atleta brasileiro em Pequim. Quanto tempo até o Grêmio se revelar um novo cavalo paraguaio? Um time que tem Marcel (refugo) como centroavante titular e Celso Roth no banco não pode ter sorte o tempo todo. A maior sorte deles é que a concorrência está fraca. Incluindo o meu São Paulo, que tem 67 zagueiros à disposição do professor e nenhum lateral esquerdo em campo, 89 laterais direitos no banco e nenhum em campo. Finalmente estamos em crise. Esse ano nós vamos apenas lutar por uma vaga na Libertadores. Entendam nossa dor. Isso equivale a um rebaixamento pra gente.
[Este post descompromissado e prolixo é dedicado ao Marlos, o saudoso Cowboy da Madrugada.]
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15.8.08
Registro Olímpico
Terminamos a semana com os 4 bronzes, em 43º lugar, atrás de Armênia, Vietnã, Uzbequistão, Quirguistão, Argélia, Bielorrússia, Zimbábue, Cazaquistão, Tailândia, Etiópia, Mongólia, Azerbaijão e Geórgia, mas ainda na frente da Argentina.
Cazaquistão é nóis. Chupa, Brasil.
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Elvinho e banda Remember The King
(CB Bar, 14/08/08, São Paulo)
O DVD "Elvis É Assim" foi reencenado ontem no CB Bar. Com a vantagem de ter amigos por perto, um fool's gold loaf na barriga e muitas cervejas boas à disposição - embora essa oportunidade não tenha sido aproveitada em toda sua plenitude devido à maldição da lei seca.
Desde que instauramos a confecção do sanduba que matou o Rei como um evento de homenagem póstuma, o fool's gold loaf, agora parte do cardápio do CB Bar, foi aperfeiçoado. O dono do CB, que também é chef, agora prepara até o pão. Assim, o lanche de bacon, geléia e pasta de amendoim está ainda mais delicioso. Se você não abrir o pão pra ver sua consistência de cachorro atropelado, e se você acompanhar tudo com uma providencial coca-cola pra limpar o caminho, ouso dizer que o fool's gold loaf desce redondo.
João Gordo (parente distante do Elvis Gordo?) foi o DJ da noite, chegou por volta das 12h30 e preparou o terreno para a chegada do Rei até a 1h30, quando Ele finalmente adentrou o recinto, passando por entre o público depois de uma introdução grandiosa da banda com "Assim Falava Zaratustra". Antes disso, o Rei foi muito solícito com fãs na chegada ao local, tirando fotos com todo mundo na calçada e mostrando que ainda é aquele garoto humilde de Memphis, Tennessee.
Sua banda lotou o palco do CB com nada menos do que uma dúzia de integrantes, entre backing vocals e metais e um cara que fica ali só pra trocar as echarpes que o Rei distribui às fãs. A fase Las Vegas dá o tom do show, que abre com "See See Rider" e "Burning Love" e emenda hits eternos como "Blue Suede Shoes", "Hound Dog", "Tutti Frutti" e "Heartbreak Hotel".
Em "Love Me Tender", as garotas presentes vão ao delírio, gritando alucinadamente enquanto recebem beijos cheios de ternura do Rei. Em "Mystery Train", ele mostra porque é o Rei em uma performance inesquecível. Atende a pedidos e é ovacionado em "Sweet Caroline". E faz o público todo cantar junto uma versão estendida de "You've Lost That Lovin' Feeling", a melhor música de todos os tempos.
Como de costume, o show termina com uma energética versão de "Suspicious Minds" e a apoteótica "Can't Help Falling In Love", quando Elvis se despede e dá a deixa para um de seus backing vocals anunciar: "ladies and gentlemen, Elvis has left the building". Apenas mais uma apresentação memorável do Rei, dando uma carinha de Las Vegas pra nossa gloriosa Barra Funda.
Elvinho e sua banda Remember The King são sensacionais. O Rei é a gentileza em pessoa, agradece a todos pela presença e deixa bem claro que é um prazer estar ali, realizando um sonho pessoal. Acredito que, por obrigação moral e cívica, respeito e devoção, toda pessoa de boa índole deve, pelo menos uma vez na vida, ver um show de um Elvis Cover. E se possível, tirar uma foto com ele. Eu já fiz a minha parte:
Fotos: Luiz Miranda
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Tag: shows
14.8.08
É hoje! II Fool's Gold Loaf
Clique para ampliar.
Update 1: Elvinho mandando ver a melhor música de todos os tempos:
Update 2: O Michael Phelps come que nem louco pra completar 12 mil calorias. Só um fool's gold loaf já resolvia.
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Espírito Olímpico
Mais um bronze e agora estamos em 39º, atrás do Quirguistão, mas ainda na frente da Argentina.
O que é mais desprestigiado?
a) O Brasil nas Olimpíadas
b) A Copa Sulamericana
c) O cinema de terror no Brasil
Update: o blog do ano!
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13.8.08
Índice Olímpico
Ganhamos mais um bronze e galgamos o ranking dos países da 30ª pra 38ª posição. Continuamos atrás do Vietnã e na frente da Argentina. Vai, Brasil!!!
Frase olímpica do dia:
"Brasil nas Olimpíadas é como ir à praia no outono: pega um bronze de leve, e olhe lá." (Vlad Rocha)
PS: Nossa performance é um fiasco, mas pelo menos botamos chifre na cabeça de um português. Boa, João Derly! Antes perdedor olímpico do que corno. Olimpíadas, depois de um mês, todo mundo esquece.
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11.8.08
Status Olímpico
Frase olímpica do dia: "O Brasil é o Corinthians das Olimpíadas!"
Terminamos o dia em 30º lugar, com duas medalhas de bronze. Estamos atrás de potências do esporte como Zimbábue, Vietnã, Tailândia e Azerbaijão. Mas o Galvão Bueno disse que o Ronaldinho Gaúcho voltou à velha forma, e todos os demais apresentadores estão empolgadíssimos com nossas performances nas quadras, nos campos, nas piscinas, nos tatames! Força, Brasil!
PS: Pelo menos estamos na frente da Argentina!
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Encarnação do Demônio
(2008, Dir.: José Mojica Marins)
Eis a diferença entre o cinema americano e o brasileiro. Se você é cult nos EUA, ganha um empurrãozinho do Tarantino, um contrato com os Weinstein, uma vaga na panelinha dos Coen, algo assim. Se você é cult no Brasil, você não ganha porcaria nenhuma e leva 40 anos pra fazer um filme. José Mojica Marins (o nosso Zé do Caixão), o maior ícone do cinema nacional ao lado de Renato Aragão (o nosso Didi), levou esse tempo pra concluir sua trilogia iniciada em 1964 com "À Meia-Noite Levarei Sua Alma" e continuada em 1967 com "Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver". Dois clássicos absolutos e uns daqueles raros exemplares de "cinema de gênero" em um país que só sabe fazer drama e comédia, quando muito.
De lá pra cá, Mojica tornou-se um herói underground, fez filmes de todo tipo (até de sacanagem), programas de TV, ganhou biografia, foi idolatrado no exterior e redescoberto no Brasil. Mas nada disso garantiu sua sobrevivência no nosso cinema. No mínimo, garantiu uma equipe de jovens talentos completamente apaixonada pelo ídolo e disposta a fazer de "Encarnação do Demônio" o filme que ele merece. Com a orientação do mestre, eles conseguiram.
Em uma combinação nada sutil da ficção de Zé do Caixão com a realidade de Mojica, o filme começa mostrando que o personagem passou 40 anos preso por seus crimes hediondos cometidos nos anos 60. Como a lei brasileira é uma merda, alguém resolve soltar o psicopata satânico, agora um senhor de idade. Mas Zé do Caixão é persistente e, assim que sente o doce ar da liberdade, já retoma sua antiga missão: encontrar a mulher que irá gerar seu filho perfeito, e trucidar todo o resto de gente que passar pelo caminho. A polícia sanguinária e os fantasmas do passado não vão deixar essa missão se tornar tão fácil assim.
Os flashbacks dos filmes anteriores deixam claro que o agente funerário Josefel Zanatas dos anos 60, em preto-e-branco, bota muito mais medo do que nosso velhinho dos dias de hoje. Nas últimas décadas Zé do Caixão tornou-se uma figura folclórica, caricata. Suas unhas gigantescas são ícones da cultura nacional como a buzina do Chacrinha. Mojica deve saber disso, porque tratou de mostrar um personagem assustado, assombrado, atormentado, que se choca com garotos fumando crack na rua e volta toda a sua amargura contra instituições como a polícia e a igreja. O medo que o velho Zé do Caixão transmite foi, de certa forma, atualizado.
Não que isso faça alguma diferença quando começa a carnificina propriamente dita, e as vísceras e a carne e o banho de sangue tomam conta da tela. Rob Zombie, Eli Roth e aqueles caras que fazem "Jogos Mortais" devem se sentir cineastas Disney quando Mojica desce o cacete na mulherada (em todos os sentidos possíveis), usa um rato de maneira sexualmente pouco ortodoxa, amarra uma vítima dentro de um porco (cena já antológica) e dá novo sentido à expressão "comer uma bunda". Tudo, lembre-se, em nome do amor e da perpetuação da espécie. Afinal, Zé só quer copular.
Ao seu lado em cena, Mojica conta com figuras simbólicas como o eterno Jece Valadão (em seu último papel), José Celso Martinez Corrêa e o sensacional Milhem Cortaz (de "Tropa de Elite"), numa versão mais louca e perturbada do monge albino de "O Código Da Vinci", além de uma seleção de mocinhas desinibidas que topam qualquer parada (Jackass de cu é rola). Do lado de trás da câmera, fotografia e edição de primeira, direção de arte e maquiagem caprichadas e efeitos impressionantes, principalmente quando os fantasmas do passado aparecem em p&b.
"Encarnação do Demônio" é motivo de orgulho para todos os envolvidos e também para quem assiste. Eu não sei quanto a você, mas eu me sinto orgulhoso só de ver um filme de terror passado em São Paulo. Precisava mesmo o demônio mostrar pra gente que ainda há esperança e gente bacana no cinema nacional. Mojica disse que seu filme é um exemplo pra todos os jovens cineastas da América Latina que gostariam de fazer filme de terror por aqui. É uma pena que não saia um desses a cada seis meses.
Trailer:
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Tag: filmes
8.8.08
Top 5 Pais do Cinema
5.
Dustin Hoffman, em "Kramer Vs. Kramer".
4.
Arnold Schwarzenegger, em "Comando Para Matar".
3.
Darth Vader, em "O Retorno de Jedi".
2.
Jon Voight, em "O Campeão".
1.




Viggo Mortensen, em "A Estrada". Coming soon.
Feliz Dia dos Pais!
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7.8.08
Lynch Brazilian Tour '08
Enquanto eu escrevo texto pra e-mail de dia dos pais baseando-me obviamente na letra de "Pai" do Fábio Jr. e vejo a chuva caindo lá fora, David Lynch, o homem e o mito, está na cidade, autografando seu livro zen. O que me consola é que ele está autografando SÓ o livro, e não ia adiantar nada eu pegar fila com meu LP do Twin Peaks. Ele deve estar adorando essa escuridão sobre a cidade às 4h30 da tarde. Se alguma coisa muito esquisita acontecer aqui hoje, a culpa é dele.
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6.8.08
Olimpíadas, quem se importa?
"Se houvesse Segunda Divisão nas Olimpíadas, o Brasil tava lá."
(eu mesmo, há exatos quatro anos)
Há quatro anos, começavam as Olimpíadas de Atenas e eu não dava a menor pelota. Reclamei aqui neste blog que o futebol feminino começou antes da abertura oficial. Reclamei da ausência da bocha como esporte olímpico. Reclamei que o Brasil envia 300 Rubinhos Barrichelos pra competir. Reclamei das nossas ginastas que dão uma sambadinha marota nas performances, mas sempre perdem pras romenas. Assim como as batalhadoras meninas do vôlei, que sempre perdem pras cubanas catimbeiras.
Quatro anos se passaram e muita coisa mudou nesse mundo pós-Dercy. Menos a minha opinião. Olimpíadas são chatas. Esportes olímpicos são chatos. O Álvaro José é chato. O quadro de medalhas é chato. Os "enviados especiais a Pequim" são chatos. A festa de abertura é chata. O Criança Esperança é chato (só pra constar). A China é chata, poluída, bota a criançada pra trabalhar e come besouro.
O lugar do Brasil é o Panamericano, e olhe lá. Amanhã às 6 da madrugada tem seleção brasileira de futebol masculino, mas quem se importa, quando temos São Paulo e Fluminense, o jogo da revanche, hoje à noite na TV? Quero mais é que o Brasil seja eliminado logo, pro Hernanes e o Pirulito voltarem logo. Olimpíada é um negócio tão besta que é o único argumento em que a seleção argentina ganha da gente.
Retomando a retrospectiva de 2004, eu também reclamei que estávamos atrás de Zimbabue, Tailândia e Sérvia & Montenegro na classificação geral. Reclamei da ausência do futebol masculino, da pipocada da Daiane dos Santos e da clássica intervenção do padre irlandês sobre nosso maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima. Na ocasião, comparei o padre louco ao Coringa, e o Vanderlei ao Charlie Brown perdendo a corrida na última volta. Pobre Minduim. Se fosse um esporte sério como o futebol, a torcida arrebentava o bandido ali mesmo.
Pra não ser acusado de ranzinza, encerro dizendo que pelo menos uma coisa legal as Olimpíadas já nos proporcionaram:
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Lições da vida
joana diz:
agora que eu me apeguei ao buddypoke, tá dando pau :S
Renato Thibes diz:
:-(
Renato Thibes diz:
é sempre assim na vida
Renato Thibes diz:
vai se acostumando
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5.8.08
Top Top
Saiu o novo ranking da Federação Internacional de História e Estatísticas de Futebol. O São Paulo ocupa a 11ª posição, na frente de todos os outros clubes brasileiros, inclusive o seu (seja ele qual for, então chupa), do Milan e do Real Madrid. Eu não sei qual o critério de pontuação, mas acho uma tremenda injustiça o Trimundial ficar atrás de um time sem tradição nenhuma como o Glasgow Rangers. E como não existe série B nesse ranking, o Corinthians aparece na lista misturado com os times da elite, na honrosa 274ª posição, empatado com o Náutico. O pessoal do Náutico deve estar bem bravo com isso, afinal o Náutico pelo menos está na série A. Saudades do Corinthians, viu? Ver seu nome compartilhando uma tabela conosco, apesar da enorme distância, me deixou nostálgico. Volta logo, timão.
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A vida dos outros
Na falta de tempo para filmes, livros, discos, peças de teatro, exposições de arte, stand-up comedy, espetáculos multimídia alternativos, intervenções artísticas, balés, degustações gastronômicas e demais itens passíveis de resenha, inicio aqui uma nova seção neste blog, a qual chamarei de:
VIDA LAZARENTA
===============
Capítulo 1.
Quem: casal de meia idade com dois filhos pequenos.
Quando: ontem.
Onde: Pão de Açúcar, lugar de gente feliz (sic).
Dois moleques alucinados tocam o terror no supermercado, correndo pra lá e pra cá desgovernadamente. Na fila do caixa à minha frente, um casal que não se fala. Ele é um sujeito gordinho de uns 40 anos. Se fosse adaptar pro cinema, eu chamaria aquele ator com cara de bobo que foi o filho do Tony Ramos em "Belíssima", não lembro o nome dele. Ela, uma sujeita gordinha de pouco menos de 40 anos e cabelo vermelho, pintado há algum tempo, com muitas falhas escuras já tomando conta. Eles não se falam, nem cruzam olhares. Ele está de fone no ouvido, concentrado em seu próprio mundinho. Ela aguarda sua vez na fila, e é essa sua participação na história toda.
Quando começo a querer xingar os responsáveis por aqueles dois moleques chatos, eles chegam trombando no casal a minha frente e concluo que os responsáveis são eles. Sabe aquele tipo de criança hiperativa que não consegue frear sem trombar em um objeto parado para atingir a velocidade zero? As crianças tentam chamar a atenção dos pais, em vão. Pegam revistas na prateleira e mostram pra mãe, que não reaje ao estímulo. Eles apontam pra capa da revista, gesticulam, emitem sons indecifráveis. Sabe aquele tipo de criança que tem 10 anos mas aje como se tivesse 4 pra chamar a atenção ou por pura imaturidade, como a Mallu Magalhães? Sem nenhum feedback paterno, eles voltam a correr alucinadamente pelo supermercado.
O pai continua entretido com seu fone preto de mp3 player genérico chinês e eu me pergunto o que ele está ouvindo de tão importante pra ignorar a família e o mundo ao redor. Não é futebol. Nem o Corinthians joga de segunda (só NA segunda, ha ha). Pode ser algum programa de rádio sobre futebol, mas ele não ri. Que tipo de gente ouve programa sobre futebol sem dar risada? Deve ser música então. Alguma música que faça sua existência sem graça fazer algum sentido. Se morasse em New Jersey, o sujeito seria um daqueles personagens de música do Bruce Springsteen ou do Bon Jovi que tinha um futuro promissor como jogador de futebol americano, mas teve uma lesão séria no joelho e tornou-se estivador, sendo obrigado a se casar com a mocinha que engravidou, mesmo sem gostar nada dela. Agora ele se encontra na fila de um supermercado ouvindo música pra não ter que ouvir a voz da mulher, ou dos filhos insuportáveis, comprando um pão integral Wickbold que ele deve odiar. Concluo que a mãe pintou o cabelo há alguns meses em uma última tentativa de agradar o marido, ficar mais bonita, mais atraente, diferente. Não deve ter surtido efeito, pra ser trocada por um fone de ouvido assim.
A fila anda, finalmente chega a vez da família. O pai tira o fone do ouvido pela primeira vez na noite, só pra responder a forma de pagamento para a moça do caixa. A compra pequena deu 13 reais. Eles pagam 10 em dinheiro e passam os outros 3 no cartão, não sem antes iniciarem uma pequena discussão sobre esse complexo cálculo matemático. O pai volta o fone no ouvido e eles vão embora, com os moleques orbitando-os em suas caminhadas silenciosas.
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4.8.08
No one's gonna take me alive
O efeito que o show do Muse causou no meu espírito é inversamente proporcional ao efeito que ele causou na minha saúde.
Lembre-se: sair de um lugar fechado onde todos estão suando em bicas direto pro inverno gelado da Marginal Pinheiros não é legal. Em Glastonbury esse choque térmico jamais aconteceria. Dormir pouco na sequência e passar o fim de semana trabalhando também não ajudam.
Vejamos o lado positivo: o show valeu por umas três semanas de exercícios aeróbicos na academia e a umas cinco sessões de terapia. Que se foda a gripe.
Status: ainda me recuperando.
Do show, da gripe e do fim de semana perdido.
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2.8.08
Wise men say
Os verdadeiros fãs de Elvis não comemoram só datas redondas. No aniversário de 31 anos de sua morte, você terá novamente a oportunidade de degustar o consagrado Fool's Gold Loaf. Se você perdeu no ano passado, ou se você gostou tanto que quer repetir a dose, entre na comunidade e fique por dentro do maior evento musical-gastronômico do ano.
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1.8.08
Muse
(HSBC Brasil, 31/07/08, São Paulo)
Logo que anunciaram a turnê do Muse pelo Brasil, imaginei que a Pitty fosse dar um jeito de ser escalada pra abrir todas as apresentações, já que ela é a maior fã da banda inglesa. Antes fosse a Pitty. Alguém teve a brilhante idéia de escalar Jay Vaquer, nossa mistura de Trent Reznor (ele acha) com Maurício Manieri (eu concluí), mais famoso por ter inventado o drible do vaquer no Rockgol do que por qualquer hit radiofônico. Com letras péssimas ("ela partiu pra bem longe, ela partiu ao meio") e cinco sujeitos na banda (o que pega mal especialmente se logo depois você for superado por apenas três músicos), Vaquer "entreteu" o eclético público do HSBC Brasil das 21h às 21h45.
Para definir o ambiente, um breve senso demográfico: no meu raio de ação, tinha metaleiro com camisa do Dream Theater; um cover de Axl Rose; tiazinhas roqueiras de cabelo roxo; indies, of course; menininhas de Shopping Center; nerds do depto de TI de alguma multinacional; e até dois emos. Não foi nem de longe aquele desfile de figuras freak que saem dos porões das profundezas do underground paulistano, como no show do Placebo. Eu até fiquei feliz por achar que os emos iriam chorar comigo em "Invincible", mas eles estavam mais preocupados em fotografar, filmar, flickar, youtubar e twittar o show, e eu acabei chorando sozinho. Que vergonha.
O Muse subiu ao palco com um atraso de uns 20 minutos. Palco bastante simples perto da suntuosidade do show de Wembley registrado no DVD "H.A.A.R.P.", que é a razão de ser da turnê (à venda por R$ 70 na barraquinha oficial). Apesar da decoração franciscana, alguns efeitos estavam reservados para mais tarde, como estouros de fumaça, bexigas gigantes e algumas estripulias visuais no telão.
A banda começou o show com o épico morriconeano "Knights of Cydonia", e os "ôôôôs" de um público enlouquecido não deixaram dúvidas: estávamos diante de um show de heavy metal. Tenho certeza de que o grito "olê, olê, olê, olê, Musê, Musê" deve ter sido criado por algum espirituoso fã de Iron Maiden. Trata-se de um show de muito soquinho no ar e o inevitável air guitar - os solos e os riffs têm tanta força que às vezes o air guitar não é suficiente e a melodia é entoada em coro pela platéia.
Desde o primeiro grito de guitarra distorcida, quem manda no show é o vocalista afetado, o guitarrista virtuoso, o pianista sofrido e showman carismático Matthew Bellamy. Matt é um deus dourado e o maior guitar hero da década ao lado do Jack White. Os papéis de coadjuvante de respeito cabem ao baixista Chris Wolstenholme e ao baterista Dominic Howard, que emocionou-se com nossa tradicional receptividade, disse que nós somos a melhor platéia do mundo e emendou um "you rock, São Paulo", numa das únicas interações da banda com o público além de alguns "obrigados". Ao lado da bateria, o tecladista convidado Morgan Nicholls, responsável pelos efeitos que Bellamy não consegue reproduzir na guitarra - porque apesar de multitarefa ele só tem dois braços, afinal de contas.
O Muse apresentou um repertório quase perfeito baseado no último disco, "Black Holes and Revelations". Além de "Invincible" (ninguém levantou camiseta do São Paulo, um absurdo), tivemos "Starlight" (com a melhor sessão-palminhas de todos os tempos), "Supermassive Black Hole", "Map of the Problematique" e "Take a Bow", que fechou o bis. De "Absolution", vieram "Hysteria" (título muito apropriado), "Butterflies and Hurricanes (com direito o solo de piano e efeitos especiais), "Stockholm Syndrome" (já no bis) e o hit "Time is Running Out", um dos muitos momentos de alucinação coletiva de uma apresentação impecável, que justifica todos os prêmios de melhor show da Europa que o Muse costuma receber. De "Origin of Symmetry", vieram as pauladas de "New Born" e "Plug In Baby", numa sequência particularmente emocionante, e as surpresas de "Feeling Good", famosa na voz de Nina Simone, "Bliss" e "Citizen Erased". A se lamentar apenas a ausência do álbum "Showbiz" na lista, mas não se pode querer tudo nessa vida.
Em um nível mais pessoal, o show de ontem realizou alguns sonhos. Sempre imaginei que "New Born" e "Plug In Baby" deveriam ser um negócio transcedental ao vivo, e são mesmo. E também exorcizou alguns demônios, porque além de tudo as letras e os riffs de Bellamy falam bem a minha língua desde que lá na virada da década alguém me mandou ouvir Muse, já que eu gostava tanto de Radiohead. 99% dos fãs de Muse começaram assim, não é?
Em um nível mais globalizado, de todas as bandas que estouraram nessa década e que tive a oportunidade de conferir ao vivo (Coldplay, Strokes, Killers, Franz Ferdinand), nenhuma é capaz de chegar perto do Muse em cima do palco. Ainda há quem limite o som da banda a uma mera cópia de Radiohead, mas isso é preguiça e má vontade desse povo, porque embora as vozes sejam MUITO parecidas, o Muse passou da fase "The Bends" há algum tempo e já ganhou vida própria, como comprova o tamanho da banda em território europeu. Eu tenho alguns conceitos bem definidos na minha mente com relação a tamanho de bandas, e levantar Wembley é um dos quesitos que diferenciam um Queen de um Arctic Monkeys. A reação daquela platéia tão diversificada ontem, do começo ao final do show sem parar, comprova minha tese.
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Tag: shows
