31.3.09

Se a Alemanha tivesse vencido a guerra

Finalmente começou a era da segmentação online politicamente incorreta. Veja, não é segregação, é segmentação. Deixe a hipocrisia de lado. Você não navega todo dia em todas aquelas redes sociais pra conhecer gente bacana, jóia, supimpa e feia. Aquele gordinho com 2.300 followers pode ser um sucesso no Twitter, mas na dura realidade do mundo offline ele continuará sendo apenas um perdedor.

Demorou pra criarem um ambiente online só para os vencedores. Porque eles também estão na internet. Não são só os nerds que navegam por aqui. A líder de torcida e o capitão do time de futebol também querem seu espaço virtual. E não vão querer trombar com uma aberração pelo caminho.

Assim, o site de relacionamentos Beautiful People só admite gente bonita. Quando você se cadastra, sua foto é enviada para julgamento daqueles que já estão lá, os bonitões e as bonitonas veteranos. Se você passar no teste, entra. Se não passar, vai procurar sua turma, seu feio. Seu escroto. Volta pro mar, monstro. Vai caçar baranga do seu nível no Orkut, lazarento.

Veja: a auto-estima tem que estar em dia pra tentar a sorte. Eu mesmo, que sou lindo, ainda não tive coragem de tentar. Não sei se vou suportar a rejeição. Também não sei como eles avaliam a photoshopada nas fotos. Deve ter algum especialista em tratamento de imagens que pré-seleciona os candidatos.

E como não estou lá, não sei quais são os critérios. Os gostos variam. A conta bancária influencia? Jogadores de futebol milionários são aceitos? Tem algum feio cadastrado por acidente? O único feio cadastrado deve ser o criador do site, o beta-tester. Difícil imaginar que ele seja bonitão, mas ele está lá. Rodeado de beldades virtuais, o Hugh Hefner online.

O Beautiful People é um selo de qualidade para a posteridade. Mamães decadentes daqui a 30 anos poderão dizer que, na juventude, foram aceitas pelo site. Antes de marcar aquele encontro ao vivo com aquela mocinha que conheceu na net, você pode checar se ela foi aceita no site. Todos os processos seletivos dos concursos de beleza já têm um primeiro filtro. Enfim, é genial.

Porém, estou ciente dos problemas psicológicos que isso pode causar. Caso você queira arriscar e seja refugado, deixo aqui minha ajuda:

Psicólogos Online
Terapia Online
Como Ser Bonito
Cirurgia Plástica
Vigilantes do Peso
Academia de Ginástica
Ugly People

Boa sorte!

No Sufoco

("Choke", 2008, Dir.: Clark Gregg)



Primeira regra da adaptação cinematográfica: para transportar Chuck Palahniuk para o cinema, você deve ser tão louco quanto ele. Antes de virar água com açúcar, o David Fincher era louco o suficiente para fazer de um livro de Palahniuk um clássico moderno do cinema, "Clube da Luta". Clark Gregg, mais conhecido como o ex da sitcom "The new adventures of old Christine" ou como o agente Coulson de "Homem de Ferro", definitivamente não é louco o suficiente.

Os personagens de Palahniuk sempre têm alguma disfunção psicológica, empregos bizarros e uma visão de mundo diferente do normal. Se você não abraça essa loucura, não adianta querer participar da brincadeira. Se você trata uma história dele de forma careta, quadrada, você está limitando o espaço de atuação do louco, você está confinando o lunático em um quarto com paredes acolchoadas.

A adaptação de "No Sufoco" é tão quadradinha que usa artifícios como um flash branco (quando entra uma cena de flashback) ou uma trilha sonora constante que parece imposição do estúdio para fazer o filme soar como uma comédia. Não é. É engraçado, é divertido, mas é como "Na Mira do Chefe" (pra citar um exemplo recente): não dá pra classificar seu gênero tão fácil assim.

Victor Mancini (Sam Rockwell) é o perturbado da vez. Como o Edward Norton em "Clube da Luta", ele frequenta reuniões de auto-ajuda. Dessa vez, são os viciados em sexo. Mas Victor tem outras anomalias. Sua mãe (Anjelica Huston) hoje vive em um asilo lutando contra um estágio avançado de Alzheimer, mas o criou em meio a pequenos delitos e lições imorais. Incapaz de amar, para conseguir algum afeto (e quem sabe alguma grana), Victor engasga de propósito em restaurantes, na certeza de que a pessoa que vai lhe ajudar se sentirá responsável por ele - ainda que por alguns breves segundos.

Como todo personagem principal de Palahniuk, Victor é bastante complexo. Mas, apesar do esforço do sempre bom Sam Rockwell, o roteiro e a direção do novato Gregg (também atuando como o chefe de Victor) apenas passam na superfície. Sua amizade com um punheteiro que parece saído de algum filme do Judd Apatow não diz a que veio, seu affair com a enfermeira Paige (minha querida Kelly MacDonald) não tem química, os flashbacks são mal resolvidos e as cenas de sufocação, que deveriam pontuar o filme e dar um grande background psicológico à trama (afinal, é o personagem gritando por ajuda), são mais engraçadinhas do que profundas.

De adequadas mesmo, apenas a escalação do elenco e uma música do Radiohead ("Reckoner") jogada no final do filme para tentar salvar um clímax picareta. A intenção até que foi boa, mas o Palahniuk exige mais ousadia.

Trailer:

29.3.09

Na Mira do Chefe

("In Bruges", 2008, Dir.: Martin McDonagh)



Uma das maiores surpresas do ano passado, indicado ao Oscar de roteiro original, "Na Mira do Chefe" é uma pequena pérola desconhecida do grande público, como Bruges. Bruges é uma cidadezinha medieval da Bélgica que tem ares de conto de fadas, com aquele irresistível charme do inverno europeu. Um lugar encantador, a menos que você seja um assassino com crise de consciência. Ray (Colin Farrell) foi enviado por seu chefe Harry (Ralph Fiennes) para lá, junto com seu parceiro gay Ken (Brendan Gleeson), após um trabalho difícil. O irlandês Ray odeia o lugar, mas a pacata Bruges tem muito a oferecer. Inclusive uma nova chance para sua vida miserável que está por um fio - além de seu chefe querer a sua cabeça, ele próprio parece disposto a acabar com ela. O diretor e roteirista revelação McDonagh conta essa boa história usando Bruges como personagem e, embora seja vendido como comédia, seu filme traz aquele tipo de humor agridoce, puxando para a melancolia de seus personagens. Mais de acordo com o cenário frio de construções antigas e a trilha sonora sensível ao piano. Farrell, Gleeson e Fiennes (com mais sangue no olho do que Voldemort) dão shows particulares, recitando os melhores diálogos do ano passado com sotaque britânico forçado, sarcasmo e acidez. No mínimo, "Na Mira do Chefe" desperta a curiosidade pelos próximos trabalhos do cineasta. E dá uma vontade louca de colocar Bruges no roteiro daquela tão sonhada viagem pela Europa.

Trailer:

28.3.09

Diário dos Mortos

("Diary of the Dead", 2007, Dir.: George A. Romero)



Que vergonha pro Romerão, o homem que inventou um gênero, se submeter a essa fórmula desgastada de horror "pseudo-caseiro". Nesse quesito, conseguiu perder até para o J.J. Abrams e seu "Cloverfield" ou, falando em zumbis, para o espanhol REC, que em tese é um discípulo seu. Ao invés de "Bruxa de Blair", seu documentário fake ficou mais para aquela equivocada sequência de "Halloween" que se passava no meio de um reality show. Triste. "Diário dos Mortos" acompanha uma equipe de jovens cineastas amadores gravando o caos enquanto o planeta é tomado por hordas de zumbis. Até parece legal falando, mas não é. A única boa cena é a do prólogo, que mostra o começo da epidemia. O resto é uma série de situações batidas vividas por personagens chatos e sem personalidade, interpretados por péssimos atores e com os piores diálogos dos últimos tempos. A desculpa pra baixa qualidade vem do próprio roteiro: o filme foi gravado e editado pelos próprios personagens idiotas, o que teoricamente isenta Romero de qualquer culpa, se você parar pra pensar. O gênio só está sendo coerente e mostrando o ponto de vista de uma geração imbecil. Vamos pensar assim. No mais, uma piada sobre mortos que andam depressa ataca os zumbis de Danny Boyle, sem ferir muito. E existe uma aura de TCC de faculdade de comunicação sobre as novas tendências da mídia globalizada via web 2.0 que não decola por um simples motivo: QUEM SE IMPORTA COM ISSO QUANDO O MUNDO ESTÁ SENDO DEVASTADO POR UMA PORRA DE UMA EPIDEMIA DE ZUMBIS?

Trailer:

Rede de Mentiras

("Body of Lies", 2008, Dir.: Ridley Scott)



Roger Ferris (Leonardo DiCaprio) é o agente da CIA que trabalha no campo, resolvendo pepinos no Oriente Médio, especialmente Iraque e Jordânia. Ed Hoffman (Russell Crowe) é o seu superior, o agente de escritório, burocrata que acompanha tudo de longe, via celular, resolvendo o destino do mundo enquanto leva o filho pra escola. Se focasse na relação entre mentor e discípulo, este "Rede de Mentiras" de Ridley Scott se tornaria "Jogo de Espiões", bom filme dirigido por seu irmão, o Tony. Mas "Rede" é mais pretensioso, pretende discutir a intervenção norte-americana e o funcionamento das células terroristas que pipocam do outro lado do mundo, enquanto na América os executivos engravatados quebram a cabeça pra descobrir o que fazer. Ridley Scott já mexeu nesse vespeiro antes, e focando em um só acontecimento fez o pequeno clássico "Falcão Negro em Perigo". Por tentar dar um passo maior que a perna, "Rede de Mentiras" acaba sendo, sim, bastante mentiroso. Acompanhe. Os dois personagens principais fingem que são inteligentes até ter a brilhante ideia de inventar uma nova facção terrorista para atrair a atenção de um líder fugitivo, para logo depois vir a crise de consciência quando um homem inocente é acusado de chefiar a tal célula fictícia. Da mesma forma, o roteiro de William Monahan ("Os Infiltrados") adaptado do livro de David Ignatius finge ser inteligente até incluir na trama um interesse romântico para Ferris, uma moça que obviamente só está ali para ser sequestrada logo mais. E assim vai, até uma pequena reviravolta dar a involuntária lição de moral que é: se até os órgãos de inteligência da Jordânia conseguem passar a perna no Tio Sam, é sinal de que está na hora de levantar o acampamento e voltar pra casa. Trazendo toda aquela traquitana tecnológica que, no final das contas, não serve pra nada.

Trailer:

27.3.09

Hora do Casseta

Todo mundo está falando, eu também vou falar: participe da Hora do Planeta. O Registro Dissonante está fazendo a sua parte. Faça você também a sua. Amanhã, sábado, não acesse este blog entre 20h30 e 21h30. Nem este blog, nem nada da internet. Deixe seu twitter mudo. Desligue o computador. Desligue a TV. Apague a luz. Não entre em pânico! Na falta do que fazer, vá ouvir um bom disco, tomar um bom vinho, fazer um bom sexo. Baby boom. Daqui a 9 meses, vai nascer uma infinidade de criancinhas abençoadas pelo ato ecológico. E todas elas vão consumir oxigênio, desperdiçar água, produzir lixo e ajudar o mundo a ir mais cedo pro ralo.

26.3.09

Singers and songwriters


"Beware" (Bonnie 'Prince' Billy)

2009 está bom demais. Em três meses, já saíram mais discos bons do que em 2008 inteiro. Depois de lançar o melhor disco do ano passado (sim, eu já mudei de ideia com relação ao meu ranking de fim de ano), Bonnie 'Prince' Billy já está de volta. "Beware" dá sequência ao clima campestre bucólico e feliz do sublime "Lie down in the light". A melancolia dos tempos de "I see a darkness" ainda aparece aqui e ali, mas tudo é bem disfarçado pelos grandiosos arranjos a la Seeger Sessions do Boss. Ou seja, música norte-americana de raiz de verdade. Minha preferida até o momento é "I don't belong to anyone". Porque é bem fácil se divertir quando você não pertence a ninguém.


"Mr. Lucky" (Chris Isaak)

Mais um bom lançamento do ano. O legítimo herdeiro de Elvis e Roy Orbison em mais uma boa coleção de canções, uma mistura de country com baladas e até duetos de American Idol com Trisha Yearwood ("Breaking Apart") e Michelle Branch ("I Lose My Heart"). Infelizmente é tudo bacana mas não tem nenhuma "Wicked Game" ali. A impressão que dá é que Chris Isaak é eternamente subaproveitado. O homem é um dos melhores intérpretes em atividade. Com um bom produtor ou um bom empresário ele chutaria mais traseiros que a queridona Amy Winehouse. A prova da minha tese é que nem um bom site oficial ele tem. Pobre Chris.

25.3.09

As tuas glórias vêm do passado

Alguns times com complexo de inferioridade estão querendo ganhar, no tapetão, o direito de estampar mais estrelas no peito.

Se a CBF acatar a decisão, posso afirmar que a minha vida não vai mudar em nada. No máximo, essa palhaçada toda só vai prejudicar a venda de camisetas do "Hexa Único" do São Paulo. Todas as outras, incluindo a "6-3-3", continuarão vendendo como água.

Particularmente, eu comemorei todos os títulos do meu time que eu vi. Desde que nasci, em 1977, o São Paulo ganhou 6 Brasileiros, 10 Paulistas, 3 Libertadores e 3 Mundiais, entre outros títulos que são o que são e eu espero que não mudem de nome nunca (Por exemplo: a Supercopa e a Conmebol não são a Sulamericana!).

Meu pai me conta dos títulos do passado, de todas aquelas glórias e de campeonatos com outros nomes, e eu sinto um orgulho danado de todos eles. Mas não vou sair soltando rojão na Paulista por causa deles, porque graças a Deus (e ao meu pai) eu tenho um presente e um futuro promissor para comemorar.

No final das contas, vai ser até bom. Se o Santos e o Palmeiras forem octacampeões brasileiros, o São Paulo vai ter alguma motivação pra ganhar os três próximos Brasileirões de novo. Só pra lançar a camiseta "Nonacampeão Único".

Minha sugestão pra CBF: aproveitem a reunião pra oficializar o penta do Flamengo, faz uns 20 anos que eles estão chorando, dêem a taça de bolinhas logo pra eles. E no final chamem a FIFA pra passar a mão na cabeça do Corinthians e dizer que, sim, o torneio de verão de 2000 valeu como Mundial, apesar de todos os outros torcedores do mundo acharem que empatar com o Vasco no Rio de Janeiro não é lá um mérito digno de um campeão mundial. Vamos deixar todos os coitadinhos felizes, minha gente.

24.3.09

Currículo

Ok, agora me empolguei. Abaixo estão listados, em ordem cronológica, quase todos os shows que vi na vida. Ou, mais especificamente, todos os ingressos que tenho guardados em casa. Faltam muitos shows menores, principalmente de bandas nacionais. No caso de festivais, vou citar apenas os artistas que eu vi de fato. Comentem se vocês também estavam lá.

1995
These Days Tour na pista de atletismo do Ibirapuera, onde tudo começou.
28/10: Bon Jovi (São Paulo)

1996
Naquela época, o Purple só não tinha o guitarrista original. E a Alanis estava no auge.
18/03: Deep Purple (São Paulo)
27/11: Alanis Morissette (São Paulo)

1998
Primeiro megashow, histórico U2 no Morumbi. Oasis naquela porcaria de sambódromo. E eu perdi os Rolling Stones.
31/01: U2 PopMart (São Paulo)
21/03: Oasis (São Paulo)

1999
O ano em que morei em Campinas.
17/09: Sempre Livre Mix - Titãs & Paralamas do Sucesso (Campinas)

2001
O ano que começou com garrafadas do Carlinhos Brown acabou muito indie. Mas os festivais Upload eram bem legais. A volta do Guns foi mais um fiasco. Foda mesmo foi o R.E.M.
13/01: Rock in Rio 3 - Cassia Eller, Fernanda Abreu, Barão Vermelho, Beck, Foo Fighters, R.E.M. (Rio de Janeiro)
14/01: Rock in Rio 3 - Pato Fu, Carlinhos Brown, Ira! e Ultraje a Rigor, Papa Roach, Oasis, Guns N'Roses (Rio de Janeiro)
19/09: Luna (São Paulo)
26/10: Free Jazz - Sigur Rós, Belle & Sebastian (São Paulo)
10/11: Festival Upload - Blemish, Pelvs, Grenade, Wonkavision, Video Hits, Graforréia Xilarmônica (São Paulo)
11/11: Festival Upload - Bidê ou Balde, Maybees, Hang the Superstars, Noos, Faichecleres, Astromato (São Paulo)

2002
Um ano fraquinho. Foi nesse Upload, eu acho, que o vocalista do Cachorro Grande saiu sangrando em bicas.
27/05: Echo and the Bunnymen (São Paulo)
06/12: Festival Upload - Los Hermanos, Pipodelica, Leela (São Paulo)

2003
O Coldplay foi sensacional, marcou uma época boa. E o que eu tava fazendo no Silverchair, meu Deus?
15/05: Silverchair (São Paulo)
03/09: Coldplay (São Paulo)
18/11: Echo and the Bunnymen (São Paulo)

2004
De graça, até injeção na testa e "Born to be wild" ao vivo. Pagando, vale até molhar a mão do segurança pra ver o Beach Boy.
13/02: Steppenwolf (São Paulo)
04/05: Teenage Fanclub (São Paulo)
14/10: Dynamite Festival - Ludov, Gram, Leela (São Paulo)
07/11: Tim Festival - Brian Wilson, Grenade, The Libertines (São Paulo)

2005
O ano começou péssimo mas terminou perfeito. A vida compensa. Passei mal de verdade no Weezer, não aproveitei. A Arena Skol estragou o Tim Festival. E o Claro q é Rock foi o melhor festival de todos os tempos.
27/04: Placebo
24/09: Curitiba Rock Festival - Mercury Rev, Raveonettes (Curitiba)
25/09: Curitiba Rock Festival - Weezer (Curitiba)
23/10: Tim Festival - Mundo Livre S/A, MIA, Arcade Fire, Kings of Leon, The Strokes (São Paulo)
26/11: Claro q é Rock - Flaming Lips, Iggy and the Stooges, Nine Inch Nails, Fantomas, Sonic Youth (São Paulo)
02 e 03/12: Pearl Jam (São Paulo)

2006
U2 com 12 horas na fila pra comprar ingresso. Oasis com chuva torrencial. Um ano que prometia muito mas não cumpriu. E eu perdi os Rolling Stones de novo.
20/02: U2 Vertigo (São Paulo)
15/03: Oasis (São Paulo)
08/04: Campari Rock - Mission of Burma, Nação Zumbi, Ira!, Supergrass (Atibaia)
14/11: New Order (São Paulo)

2007
O ano da ponte aérea. Tim Festival na Marina da Glória é a salvação. Ennio Morricone é Deus.
17/03: Pet Shop Boys (São Paulo)
12/04: Aerosmith, Velvet Revolver (São Paulo)
05/05: Ennio Morricone (Rio de Janeiro)
13/06: Ludov (São Paulo)
27/10: Tim Festival - Juliette and the Licks, The Killers (Rio de Janeiro)

2008
Dylan e Lewis, duas lendas vivas. Mas foi no Renato Teixeira que eu mais me emocionei.
05 e 06/03: Bob Dylan (São Paulo)
13/04: Renato Teixeira (São Paulo)
31/07: Muse (São Paulo)
11/10: Karnak (São Paulo)
04/11: Jerry Lee Lewis (Berlim)
08/11: Planeta Terra - The Jesus and Mary Chain, The Offspring, The Breeders, Bloc Party (São Paulo)
21/11: Duran Duran (São Paulo)

2009
Chega de falar disso, né?
22/03: Just a Fest - Radiohead, Kraftwerk, Los Hermanos (São Paulo)

Ao Vivo Greatest Hits



Passadas 24 horas do show do Radiohead, agora posso afirmar com mais clareza, lucidez e equilíbrio emocional: sim, definitivamente, Radiohead e Pearl Jam fizeram os melhores shows da minha vida. Não me peça pra escolher um, eu não conseguiria.

Não é só a banda e o público e o repertório e local e o clima que fazem um show perfeito. Tem a ver com a conjunção dos planetas, com seu estado de espírito, com os amigos ao redor, com o que aquelas músicas representam, com a forma como tudo isso se junta e entra na sua cabeça naquele momento. No caso do Radiohead, também tem a ver com a coroação de um fim de semana quase perfeito. Quase, porque o São Paulo não ganhou do Paulista de Jundiaí.

A frustração da minha vida de frequentador de show é não ter o U2 ali no topo do ranking. Ainda. Por algum motivo, eu não consigo me divertir o suficiente em um show do U2, não consigo assimilar tudo o que ele representa. É algo além da minha capacidade. É muita gente, muita festa, muita fila, muito cansaço, muito suor, tudo muito grande. Mas eu ainda não desisti, confio que um dia eles chegam lá. No exterior, quem sabe? Longe da turminha do oba-oba que vai lá pra cantar "Beautiful Day" e "Vertigo". Pra eu pagar de indie-com-passaporte que diz "ai, lá em Budapeste foi bem melhor", quando eles vieram pra cá.

Por outro lado o show do Bon Jovi em 95 sempre terá um lugar especial na minha memória, por ter sido o primeiro internacional que vi. Aquela sensação idiota de que "puxa, então eles são de verdade mesmo". Aquele fôlego que saiu não sei de onde quando tocaram "Born to be my baby" já no finalzinho... E pensar que quase 14 anos se passaram e eles ainda não voltaram. Bastardos.

Aí vem os divertidos shows da turma menor da segunda divisão, Killers, Strokes, Muse, Weezer. E as lendas vivas que a gente vai ver só pra dizer que viu, Bob Dylan, Brian Wilson, Jerry Lee Lewis. R.E.M. no Rock in Rio, memorável. Tantos outros que ainda quero ver, Bruce Springsteen, David Bowie, Wilco. Outros tantos que eu esqueci de citar. E finalmente aqueles que eu já cansei de ver, como o Oasis. Aproveitem lá por mim, dessa vez eu tô fora.

Um Top 5 pra finalizar:
1. Radiohead (2009) e Pearl Jam (2005) empatados
3. U2 (PopMart, 1998)
4. Bon Jovi (1995)
5. REM (Rock in Rio, 2001)

Eu te amei, oh, Carla!



Por que a Espectral I é muito melhor que a Espectral II? Resposta lá no Quem Mexeu na Minha Farofa.

23.3.09

Radiohead

(Chácara do Jockey, São Paulo, 22/03/09)

Eu vi minha vida passar diante de meus olhos ontem no show do Radiohead. Toda a minha vida desde que saí da casa dos meus pais, quando saí do interior e vim pra São Paulo. Estava tudo lá. As crises existenciais, o estresse da vida na cidade grande, as desilusões amorosas, as decepções, o caos, a paranóia, o desespero e também as alegrias, as melhores amizades, as teorias filosóficas com cerveja, as grandes esperanças, os momentos em que um ombro amigo salva a sua vida. Tudo isso em quase 2h30 de um show impecável, o mais aguardado e, não por acaso, o melhor show da minha vida junto com o Pearl Jam de 2005.

Toda a ansiedade, que não foi pouca, ganhou um ingrediente extra quando começaram a pipocar os setlists das últimas apresentações. Analisei-os friamente, detectei alguns padrões, e como o Rio de Janeiro teve "Creep" eu achei que São Paulo não teria. Já estava conformado com isso. Assisti a um vídeo amador no YouTube, gravado no Rio, involuntariamente engraçado. O cinegafista gritava "CARALHO" do primeiro acorde de "Creep" até o primeiro verso, "When you were here before..." Contei pro pessoal ao meu redor que achou divertido e "CARALHO" virou a palavra da noite, substituído por um eventual "PUTA QUE PARIU", porque às vezes só "CARALHO" não é suficiente. E eu fiquei com inveja dos cariocas, já achando que não ouviria minha querida "Creep" por aqui.

Ah sim, o "Just a Fest" teve outras atrações, mas não serei hipócrita: dei pouca atenção a elas. O Los Hermanos me pareceu meio enferrujado em seu retorno, mais engessado, sem muitas estripulias no palco, uma banda mais tímida. Ainda assim, músicas como "Sentimental" e "Cara Estranho" continuam boas. Em determinado momento o Amarante disse que, por ser um show especial, eles tocariam algumas músicas mais velhas que não tocavam há tempos. Mas não, não houve "Anna Júlia". Não dá pra não pegar bode, ainda mais com uma banda do tamanho do Radiohead tocando seu primeiro grande hit sem pudor na turnê da América Latina. Os Hermanos poderiam seguir o exemplo. Bom, eu pedi "toca Anna Júlia", e gritei "toca Mallu" também. Não fui atendido, óbvio.

O Kraftwerk, que eu descobri ser a banda mais injustiçada de todos os tempos, fez seu show eletrônico-retrô-visual e pouca gente aderiu. Contradição, mais tarde todo mundo dançaria "Idioteque" como se o Radiohead tivesse inventado a roda. Apesar de não ter paciência pra música eletrônica e pro Kraftwerk, tomei as dores dos quatro alemães. Paciência.

Radiohead entrou no palco pontualmente às 22h, com "15 Step", abrindo um repertório que incluiu simplesmente todas as músicas do último disco, o cada vez melhor "In Rainbows", espalhadas em diferentes momentos do show.

No palco, câmeras estrategicamente localizadas captam ângulos inusitados da banda, formando pequenos videoclipes nos telões. O artifício transmite uma energia absurda da banda, que não pára um segundo em um ritmo frenético. E não é só Thom Yorke e seu jeitão epilético de dançar. Jonny Greenwood, o maior responsável pelo Radiohead ser o que é, vai pra lá e pra cá entre sua guitarra, seu teclado e todos aqueles brinquedinhos alternativos que formam o complexo som da banda. Seu irmão Colin, o baixista, fica o tempo todo colado no baterista Phil Selway, e pelas câmeras você vê como ele sente cada acorde na alma. Ed O'Brien, o outro guitarrista, é o mais contido, na escola Adam Clayton do "cool com mínimo esforço".

O som estava ótimo. Não tão bom quanto o imbatível Nine Inch Nails do Claro q é Rock que aconteceu no mesmo local, mas ótimo. A se lamentar a desorganização na saída. Apenas uma estradinha para 30 mil pessoas descerem amontoadas. Milagre que não aconteceu nenhuma tragédia ali. Eu ia reclamar das interferências de uma rádio FM, mas descobri que isso aí é mais uma das brincadeirinhas do Jonny Greenwood, que capta sinais de rádio ao redor e joga no meio do show. O que ontem pareceu defeito agora eu acho que é coisa de gênio.

O repertório passeou por toda a carreira da banda a partir de "Ok Computer". O clássico divisor de águas de 1997 teve alguns dos melhores momentos do show: em "Karma Police", as primeiras lágrimas escorreram. Depois elas voltariam na obsessiva "Climbing up the walls", na gloriosa "Lucky" (e realmente foi um dia glorioso), na devoção quase religiosa de "Exit Music" (30 mil pessoas em silêncio, dava pra ouvir os soluços ao redor) e naquela coisa inexplicável que é "Paranoid Android", com direito ao público convidando Thom Yorke a continuar o mantra "rain down on me" ao final da canção - momento mais emocionante da noite?

Do outro divisor de águas, o "Kid A", vieram "The Nation Anthem", "Optimistic", "Idioteque" e "Everything In Its Right Place", que encerrou o segundo e penúltimo (!) bis com direito a uma introdução com "True Love Waits", uma faixa nunca lançada (só ao vivo no "I Might Be Wrong") que quase me matou do coração. Outro lado-B, "Talk Show Host", foi uma grata surpresa.

Do "Amnesiac", "Pyramid Song" e "You and Whose Army?", com Thom Yorke fazendo um sensacional videoclipe ao vivo com sua webcam. De "Hail to the Thief", a fantástica "There There" e "The Gloaming". Todas executadas com aquela perfeição habitual do Radiohead, como se estivessem em estúdio gravando o disco naquele momento. Caralho. Puta que pariu.

E como nós somos sulamericanos e esperamos muito tempo por isso, ganhamos presentinhos de Thom Yorke. A comoção geral com "Fake Plastic Trees" foi simplesmente uma das coisas mais lindas que eu já vi na vida. Ao final do segundo bis, eu já estava me virando pra ir embora, conformado com a ausência de "Creep" e mesmo assim satisfeito, enquanto os amigos diziam "não pode acabar assim!". Então eis que o Radiohead volta mais uma vez ao palco só pra gente não ficar com nenhuma pontinha de insatisfação. Aceitei como um presente pra mim, pros meus amigos que cantaram "Creep" abraçados comigo, pra todos que estavam lá mas eu não consegui encontrar (cada torpedo enviado valeu a pena), em nome de todos os Creep's Days que já tivemos nos últimos 10 anos. Momento mágico da minha existência, posso afirmar.

Discurso clichê de fã: valeu a pena esperar. Discurso clichê de fã 2: agora posso morrer em paz. Ou, como aprendemos neste final de semana so fucking special, "a vida compensa".

Repertório completo:

"15 step"
"There there"
"The national anthem"
"All I need"
"Pyramid song"
"Karma police"
"Nude"
"Weird fishes/ Arpeggi"
"The gloaming"
"Talk show host"
"Optimistic"
"Faust arp"
"Jigsaw falling into place"
"Idioteque"
"Climbing up the walls"
"Exit music (for a film)"
"Bodysnatchers"

Bis
"Videotape"
"Paranoid android"
"Fake plastic trees"
"Lucky"
"Reckoner"

Bis 2
"House of cards"
"You and whose army"
"Everything in its right place"

Bis 3
"Creep"

20.3.09

It's gonna be a glorious day



Como eu acabei de falar pra um amigo meu, só vai cair a ficha quando eu ver a carinha feia do Thom Yorke na minha frente.

19.3.09

Misunderstood

A internet taí aproximando cada vez mais as pessoas (sic), existem trilhões de meios de você se comunicar, a cada dia surge um novo instant messenger, um novo site de relacionamento, uma nova porcaria para você conversar com alguém.

Mas o fato é que, mesmo com o melhor computador e a melhor conexão, ninguém sabe o básico: se expressar. Uns 2% dos usuários sabem conversar pela internet, no sentido de entender e ser entendido. Todo o resto segue tropeçando, perdendo tempo e sobrevivendo em meio a mal-entendidos.

Não é questão de escrever no dialeto miguxez, ou de não ter um vasto vocabulário, ou de ter fumado um Marlborão nas aulas de português do primário: o buraco é mais embaixo. As pessoas simplesmente não sabem transmitir uma mensagem.

E quanto mais avança a tecnologia e mais e mais as pessoas usam a internet para falar sobre qualquer assunto, mais a vaca vai pro brejo. No dia em que líderes mundiais estiverem usando o MSN pra decidir o futuro da humanidade, um emoticon errado pode acabar com tudo. Pense nisso.

18.3.09

Kraftwerk



Vou chocar e decepcionar vocês se disser que não tenho sequer um mp3 do Kraftwerk no meu computador, e que não pretendo mudar isso até domingo?

Nunca tive paciência para música eletrônica, mas respeito o Kraftwerk. Já ouvi algumas coisas, sim senhor, e reconheço sua importância para toda a música que veio depois, incluindo o Radiohead.

"Autobahn", "Neon Lights", "Tour de France", tudo muito bonito. Mas eu não tenho vontade nenhuma de ouvir, sinto muito. Depois de umas três músicas na sequência, tudo fica parecendo um grande exame de ressonância magnética no crânio. Been there, done that.

Assim como no Los Hermanos, vou tentar manter o equilíbrio e não achar o show completo muito chato. Vou encarar como uma experiência sensorial, ok? Mas não me obriguem a sair cantarolando isso. Se é que é possível cantarolar isso. Obrigado.

PS: A todos que vão lá só pra ver o Kraftwerk, minhas cordiais saudações. Fineza se retirar imediatamente da pista após o término do show, liberando espaço para mim. Mais uma vez, agradecido.

Los Hermanos



Pra não dizerem que eu só falei de Radiohead essa semana, vamos às outras atrações da próxima noite de domingo. Começando pelos Los Hermanos, um caso peculiar de amor & ódio no coração do Brasil.

Em uma década, o Los Hermanos passou de "nova sensação indie" a "hit bombástico" (com direito a versões carnavalescas e cover de George Harrison) a "banda cultuada" a "maior banda do Brasil" a "nova Legião Urbana" a "nova MPB" a "chatos pra cacete" a "puta que pariu ainda bem que eles resolveram acabar". Um salto muito grande, convenhamos, com 4 discos bem diferentes unindo as pontas.

Agora tá meio na moda falar mal, mas eu já gostei muito de Los Hermanos. Bastante mesmo. Já vi vários shows deles, inclusive um antológico em Leme, no quintal da chácara do meu pai (também conhecido como a AABB de Leme) e com o Ludov abrindo. Já tirei foto com o Camelo, já peguei autógrafos no meu "Bloco do Eu Sozinho". Sim, eu tenho todos os CDs dos Los Hermanos.

Mas, fazendo um paralelo com o glorioso Coldplay, é fácil pegar bode dos Los Hermanos. Pra começar, a adoração religiosa dos fãs com cara de estudantes da USP é bodeante. O fato de eles renegarem "Anna Júlia" também. O fato de eles abraçarem a MPB também. O fato de eles darem um tempo e de um deles pegar a Mallu Magalhães também. E a lista vai embora.

Mas deixemos o bode de lado por um momento. "Anna Júlia", a "garotinha ruiva" do Brasil, continua sendo um belo exemplar de pop perfeito. O "Bloco do Eu Sozinho" continua sendo a melhor coisa que surgiu no rock nacional nos últimos tempos. Músicas como "O Vencedor" e "De Onde Vem a Calma" continuam muito boas. E mesmo que a carreira solo do Camelo seja chata, pelo menos ele é fã de Bon Jovi. E taí o Amarante com seu simpático Little Joy pra elevar a moral da tropa.

Assim, vou tentar me equilibrar para aproveitar o show de domingo, sem deixar de rir bastante caso a Mallu suba no palco para um dueto de "Janta". Como show de abertura, tá bom demais. Não consigo pensar em nenhuma outra banda brasileira com moral suficiente pra abrir pro Radiohead.

Milésimo gol

Com a execução de "Creep" há alguns minutos, o Radiohead acaba de atingir a marca dos 1.000 plays no meu last.fm. A banda chega com méritos ao panteão dos deuses imortais da música na minha vida, sentando-se ao lado de Bruce Springsteen, U2 e Bob Dylan. Não precisa nem comentar, eu sei que meu top 4 é o melhor do last.fm. Não é pra qualquer um, não.


(clique para ampliar)

17.3.09

Charlinho é guerreiro



Aquecimento pro Radiohead.

O futebol paulista além de Ronaldo

PALMEIRAS X SÃO PAULO
Ademir da Guia, ídolo palmeirense, realizou seu maior sonho e vestiu o manto sagrado tricolor. Ele também disse que usar a camisa do Hernanes é a maior alegria que ele já teve na vida. Isso tudo não foi citado na matéria, mas é quase certeza de que ele falou. Se não falou, pensou.

CORINTHIANS* X SANTOS
O Corinthians* ainda não superou o pé na bunda dado pelo São Paulo naquele episódio dos 10% do Morumbi. Continua chorando, magoado, traído, humilhado e resolveu se vingar contra o Santos, que é peixe mas não tinha nada a ver com o peixe. Santistas só terão 5% dos ingressos no próximo clássico. O argumento do cartola corintiano é um daqueles momentos antológicos que nos fazem admirar ainda mais o time sem cor: "Por que só o Corinthians* tem de fazer o certo?". A pergunta correta seria: "Por que só o Corinthians* não tem estádio?".

(*) Aquele time onde o Ronaldo joga de vez em quando.

Everything in its right place

Setlist do Radiohead no México ontem. Se o nosso for parecido com isso, talvez eu não sobreviva pra contar a história.

01. 15 Step
02. There There
03. The National Anthem
04. All I Need
05. Kid A
06. Karma Police
07. Nude
08. Weird Fishes/Arpeggi
09. The Gloaming
10. Talk Show Host
11. Videotape
12. You and Whose Army?
13. Jigsaw Falling Into Place
14. Idioteque
15. Climbing Up The Walls
16. Exit Music (For a Film)
17. Bodysnatchers

Primeiro bis:
18. How to Disappear Completely
19. Paranoid Android
20. Dollars and Cents
21. The Bends
22. Everything In Its Right Place

Segundo bis:
23. Like Spinning Plates
24. Reckoner
25. Creep

Fonte: aqui.

Leia mais: Radiohead & Eu.

16.3.09

Inclusão digital

Sua pesquisa - "O estoicismo é abduzível" - não encontrou nenhum documento correspondente.

Sugestões:
Certifique-se de que todas as palavras estejam escritas corretamente.
Tente palavras-chave diferentes.
Tente palavras-chave mais genéricas.
Tente usar menos palavras-chave.


É isso aí. Descobri a última frase disponível na internet. Zero resultados no Google. Postei aqui só pra reparar essa injustiça. Este post não faz sentido a menos que você tenha estudado na ESPM na segunda metade dos anos 90. Se você caiu aqui procurando isso, seja bem-vindo. Se você está lendo isso sem entender nada, perdão pela piada interna.

Sexy boots

Depois de receber um monte de ameaças de uma tal de APCM (Anti-Pirataria Cinema e Música), fecharam a comunidade "Discografias" do Orkut, com quase 1 milhão de usuários, que nada mais era do que um imenso índice de links para download de mp3. Agora sim. Agora a indústria fonográfica dormirá em paz.

Paralelamente, no resto do mundo, estão querendo transformar o download de mp3 um crime. Simples assim. Baixou música, vai em cana, seu safado. Bandas como o Radiohead (daqui a 1 semana, Brasil!) já se posicionaram contra a medida.

Atitudes desesperadas de um moribundo. Quem nunca teve um amigo que puxava o fio da tomada quando tava tomando um vareio no Street Fighter, só pra não perder de perfect? É o último espasmo antes de seguir em direção à luz. Mas ainda não é o fim. Saberemos que o fim chegou quando algum bispo excomungar todo mundo que já baixou mp3 na vida. Aí sim.

E outra: o Orkut não é referência. Segundo o Orkut, eu sou 90% confiável, 80% legal e 100% sexy. Eu sempre achei que eu fosse muito mais confiável e legal do que sexy. Vou rever minha auto-imagem daqui pra frente. E montar uma banda chamada Cansei de Ser Legal.

13.3.09

Yes, he can

O Lula já está lá em Washington, pra encontrar o Obama amanhã. Dizem que ele levou um presente surpresa pro negão.

Deus, por favor, que não seja uma camisa 9 do Corinthians. Por favor, eu não suportaria essa vergonha.

Já basta ele ir até lá pra ensinar o Obama a lidar com crédito e combustível. Já basta ele ir até lá pra pedir pro Obama aliviar o bloqueio a Cuba e se reaproximar da Venezuela.

Pede a Scarlett Johansson também, Lula. Vai que cola.

A escalada do Fenômeno

Viralzinho divertido do Gordo. Já fiz o meu, tão óbvio, mas ficou bonito:

Stand up, this is comedy

Quando você mora em São Paulo, você tem que conhecer atalhos para voltar pra casa. Quando os atalhos não adiantam, você tem que ter refúgios. A FNAC Pinheiros sempre foi um dos meus preferidos, mas é evidente a decadência da megastore. Eu mesmo tenho preferido outros refúgios como o Shopping Villa-Lobos, que tem Cinemark (com promoção do Claro Clube de segunda a quinta) e Livraria Cultura. Ainda assim, de vez em quando dou uma chance à FNAC, em nome dos velhos tempos.

A FNAC hoje é um lugar escuro e até meio triste. O Fran's Café reflete essa má fase. O atendimento sempre foi ruim, os produtos sempre foram caros demais e o café nem é tudo isso. Depois que marcas como Starbucks, Havanna e Suplicy apareceram, isso ficou ainda mais descarado. E depois que essas marcas começaram a aparecer nas novas Saraivas reformadas, a concorrência virou covardia.

Ontem, na FNAC, mais um reflexo da crise. Fui me refugiar por lá e ouço os alto-falantes anunciando uma palestra, workshop, debate, whatever, sobre stand-up comedy, com a presença de alguns caras do CQC e outros caras da Terça Insana. Não vi ninguém se mobilizando para comparecer no auditório. Os gatos pingados que estavam lá continuaram fazendo o que estavam fazendo, incluindo eu, lendo a Q Magazine dizer que o "No line on the horizon" é a obra-prima do U2, mas dando a capa pra Lily Allen.

Continuei minha peregrinação entre DVDs, traquitanas tecnológicas e livros, e resolvi aproveitar para imprimir umas fotos digitais que estavam no meu pen drive. Porque eu sou geek a ponto de andar com pen drive na mochila, mas também sou retrô a ponto de querer fotos impressas em papel. O termo "revelar" é errado, aprenda: basicamente, revelar é o processo químico que transforma o "filme" em "foto", não tem nada a ver com imprimir arquivo digital.

Em tempo: porta-retratos digitais são muito legais, mas custam por volta de R$ 500, preço de um bom HD externo. Então vou continuar com meu mural de cortiça e com minhas tachinhas, obrigado.

Uma hora depois, as fotos estavam prontas. Fui até um caixa especial para pagar. Tinha um monte de atendentes ali, mas apenas um caixa funcionando, com uma pessoa lá demorando muito pra fazer o que quer que estivesse fazendo. Sentei no sofá pra esperar. Ali do lado, um cara todo saliente contava histórias para as funcionárias da FNAC que riam muito. Eu não achei graça. Todos rindo no ambiente, e eu quieto, sentado, esperando minha vez. Minha mente preconceituosa logo concluiu que aquele cara pseudo-gozadão devia ser um dos comediantes convidados. Não tenho certeza, mas pode ser. Na falta de um público para o seu evento, resolveu fazer sucesso com as mocinhas da loja. E quem sabe até comer alguém no final da noite.

Ele começou a fazer piadinhas sobre vegetarianos. Coisas idiotas como "alface também tem sentimentos", nada daquele humor carnívoro inteligente que você está acostumado a ler por aqui, modéstia a parte. Eu não tenho paciência pra stand-up comedy brasileiro por causa disso: parece que as piadinhas que ouço no MSN, no trabalho, na academia, no bar, nos blogs, em qualquer outro lugar, são todas muito melhores. Qualquer discussão futebolística de 10 minutos é melhor.

O Brasil tem bons humoristas, mas no geral o bom humor do brasileiro é superestimado e incoerente. O pessoal trata a Zorra Total como a pior porcaria em matéria de humor, mas não percebe que o nível médio da nossa comédia não vai muito longe disso. Ou você ainda acha que o Casseta & Planeta é melhor que a escolinha do Sidney Magal? Veja, estamos em 2009 e ainda tem gente repassando foto do Richarlyson em posições duvidosas como se isso fosse novidade. Quer dizer, é divertido chamar os outros de viado, mas a partir do momento em que o cara realmente é e todo mundo sabe, cadê a graça?

Nunca vi um show de comédia ao vivo, mas o YouTube taí pra isso. Pra mostrar que os norte-americanos são muito, mas muito, infinitamente mesmo, superiores. Até o Dane Cook, que é considerado ruim por lá, come qualquer brasileiro com farofa. Ainda quero ver alguma coisa por aqui, algo do Marcelo Adnet, por exemplo, e de alguns outros dois ou três sujeitos que merecem minha consideração. O Away de Petrópolis e o Tiririca fazem stand-up? Deveriam!

Mas eu tenho o maior medão de me decepcionar, de ser o único na platéia a não rir descontroladamente. Igual ontem, na salinha do caixa. Fazendo valer o conceito de stand-up, me levantei e fui procurar outro caixa.

E quem acha tudo gozado é faxineira de motel.

12.3.09

Reforma ortográfica

Agora que eu estava me acostumando ao riso "hauehauhehaueh", descobri que ele já está ultrapassado. O novo riso que bomba entre a galerinha mais irada da internet só tem vogais e é mais ou menos assim: "aueouaeoueoaueouaoeuoau".

Descobri que só consigo usar dois dedos de cada vez, por isso digito o "a" e o "e" com a mão esquerda, e o "o" e o "u" com a mão direita. Tenho que treinar para conseguir incluir o "i" nesse procedimento. É fácil, porque o "i" fica bem no meio do "u" e do "o" no teclado.

Vamos lá:

ueiauauouioeuiouioeauiauiaoueioau

Viu?

Isso foi uma risada. Embora não pareça. Saudades da Internet Retrô, da boa e velha gargalhada hahaha, do sutil e simpático hehe, do safado e fofo hihi, e do sarcástico e malvado hoho, que vira Papai Noel quando tem 3 sílabas. Embora menos utilizado, o huhu do Coringa no clássico Filme do Bátima (Feira da Fruta) também era legal.

Agora você deve ter habilidade manual advanced para dar uma risada gostosa online. Quanto mais a tecnologia evolui, mais difícil fica viver.

oaeuioauieuiouaioueiouaiouaeuioa

LOL


KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Corrente - CD#3

Chegou o terceiro CD da corrente last.fm. Vamos à resenha:

User: mattiapascal
Blog: desconhecido ou inexistente.
Compatibilidade: Super.
Status: leitor do blog, jamais encontrado pessoalmente.

Marcelo é um supercompatível lá do interior do Paraná que começa sua lista surpreendendo: são dois Thelonious Monk logo de cara ("Blue Monk" e "Monk's Dream"). Primeira lista que começa com jazz, veja só você. E muito bons. O que me lembra que preciso dar mais valor à minha Coleção da Folha. A partir da terceira posição, começam as similaridades com a minha lista: "Thunder Road", em uma linda versão ao vivo do Bruce Springsteen com a E Street Band. Talking Heads ("Love-Building On Fire") e Rolling Stones ("You Can't Always Get What You Want") fazem a festa no começo, enquanto Radiohead ("House of Cards") e Bob Dylan ("Ballad of a Thin Man" e "Stuck Inside of Mobile...") fazem a festa no final. Não dá pra criticar essa turma. Eu critico sim os Pixies na oitava posição, com "Hey", o que me lembra que há muito tempo ninguém tenta me enfiar Pixies goela abaixo, graças a Deus. Surpresa o Travis com "Safe", uma música pouco conhecida da banda. Strokes aparece no final da lista com "Last Nite", que eu não ouvia há tempos, e o filhote Little Joy tem a simpática "Brand New Start", revelando uma predileção do Marcelo por indies do bem. Isso fica ainda mais evidente com a relação de bandas curitibanas (Sabonetes, Poléxia, OAEOZ) que não machucam ninguém, mas que por outro lado também não despertaram muito meu interesse. Foi-se o tempo em que eu ia no Sesc Pompéia ver essas bandas indies nacionais tocarem e ainda comprava o CDzinho na saída, pra dar aquela força. O destaque final fica para John Mellencamp na sétima posição, com a boa "Pink Houses". Taí um cara que eu deveria ouvir mais. Mantendo a boa média dos meus amigos participantes da corrente, dou 4 estrelas pro Marcelo. Jazz, Dylan, Stones e o Chefe sempre salvam o dia.

11.3.09

Fat is beautiful



Com o advento da Fenomenomania, está na moda ser gordo. Os padrões estéticos estão mudando. Não há mais espaço para a anorexia. Todas as top models do mundo estão fazendo dietas para engordar. Todo mundo ostenta a sua pochete com orgulho na rua.

Eu adquiri a minha depois dos 25. Meu primeiro chefe sempre me dizia: "você está comendo feliz assim porque é novo, vai ver só depois dos 25". Ele tinha razão. Eu, que sempre fui magrelo, também virei Ronaldo.

Você já está a par da criação que nós recebemos em Leme, a terra do trote violento. Então imagine como os gordinhos sofriam na minha infância. Todo mundo tem traumas escolares na infância, mas tenho certeza de que o trauma dos gordinhos é sempre muito pior.

Lá em Leme, toda criança obesa imediatamente ganhava o apelido de "Banha". Eu conhecia pelo menos uns três Banhas. Eles sofriam bastante. Eram os últimos escolhidos para os times da Educação Física, em todos os esportes. Isso sempre me deixou aliviado. Por pior que eu fosse no vôlei e no basquete, eu sempre seria escolhido antes dos gordinhos.

Um dos professores cometia uma injustiça extra: no aquecimento, todo mundo corria em volta do quarteirão. Para evitar a moleza e o pouco caso, os três últimos a darem a volta corriam de novo, de castigo. O aquecimento virava uma corrida. Desnecessário dizer que os três últimos eram sempre os gordinhos. Os meus amigos mais atletas podiam parar pra tomar um refrigerante na praça ou fumar um cigarro escondido, que ainda daria tempo de chegar na frente dos gordinhos.

Um dia alguém teve dor de barriga durante a aula e, na ausência de papel higiênico, limpou com a cueca, jogando a mesma no lixo. Óbvio. O que você faria? O inspetor, indignado com a cueca suja no lixo, teve as manhas de pegá-la e passar de sala em sala perguntando quem era o dono. Pelo tamanho da ceroula, todo mundo sabia que era de um gordinho.

Enfim... São muitas as histórias de sofrimento das crianças espaçosamente mais favorecidas, e da pouca habilidade de educadores em lidar com a situação. Felizmente, essa é mais uma batalha que o destemido, guerreiro e batalhador Ronaldo irá vencer.

Os nerds de óculos já não passam aperto desde Harry Potter. Agora chegou a hora da redenção dos gordinhos. O mais famoso deles já até ganhou um vídeo-homenagem:


Dança lambada, Gordo!

Disco 2000

Em janeiro, um amigo estava empolgado com a chegada de 2009, já pensando nas listas dos melhores da década que surgiriam no fim do ano. Joguei um balde de água fria, argumentando que teoricamente a década vai de 2001 a 2010, portanto ele teria que esperar mais um ano. De qualquer forma, trata-se de uma lista importante, então é melhor já começar a pensar nela desde já.

Na área musical, fica cada vez mais claro que a década não vai ter o seu "Nevermind", ainda que, dos anos 90, eu prefira o "Achtung Baby" e o "Ok Computer", como vocês já estão cansados de saber. A década de 00 vai ficar marcada pelo mp3, pelos iPods, pela luta da indústria fonográfica tentando encontrar alternativas para sobreviver, pela música no celular. E não por um álbum específico. Coisa mais velha esse negócio de álbum.

Foi a década do hype, que começou criando os Strokes e terminou com a Mallu Magalhães, com um monte de tranqueira passageira entre um e outro. Foi a década em que os indies saíram do armário e o alternativo virou modinha. De tudo que surgiu nessa leva, salva-se o Jack White e mais uns dois ou três nomes dos quais não me recordo agora.

Foi a década em que o Coldplay esteve com a faca e o queijo na mão, mas não foi macho o suficiente para ocupar a vaga de maior banda do mundo.

As melhores bandas em atividade, o Radiohead e o Wilco, continuaram um trabalho que começou nos anos 90. Aos 45 do segundo tempo, o U2 deixou de ser "apenas" a maior e voltou à lista das melhores com "No line on the horizon", que a essa altura já é o "Achtung Baby" da década. Se você não concorda com isso, ainda vai concordar em breve. Ou talvez na próxima década. Confie em mim.

Esse foi o meu primeiro resumão da década. A ser continuado, analisado, estudado e aperfeiçoado até dezembro de 2010.

10.3.09

Super Mallu Magalhães, meu!

Vídeo aqui: parte 1, parte 2.

Top 10 melhores momentos da antológica performance de Mallu Magalhães no Faustão, no último domingo:

10.
Os comentários dos vídeos no YouTube. Tem desde aqueles que elogiam a "desenvoltura" da Mallu até os que a consideram uma retardada. Vale a pena ver tudo.

9.
Você usa muito a internet? Uso. Quantas músicas você já fez? Um montão!

8.
Faustão apresentando a banda: "No teclado André Lima, nome de centroavante". Faltou comentar que é um péssimo centroavante que joga de calça jeans.

7.
Mallu com maquiagem no olho, estilo Bob Dylan na The Rolling Thunder Tour, manja?

6.
A banda de apoio. Todos com roupa e cara de "sou paulistano alternativo e tenho vergonha de estar no Faustão".

5.
Os títulos: "A rainha dos blogs", "A estrela da internet". Mallu é nossa pastora e nada nos faltará.

4.
A confusão toda quando o Faustão fala do Marcelo Camelo.

3.
Faustão pergunta por que ela colocou suas músicas na internet. A resposta:

"O mundo se movimenta meio que por questões de amor e de energia, a coisa toda que a gente desconhece, né? Mas acho que foram os fatos mesmo que me levaram a essa idéia."

Modo fácil de explicar um login no MySpace.

2.
Faustão recebendo Mallu no palco faz a clássica Pergunta Charlinho: "você gosta de internet?". E de estudar? E de batata? E de bola gato?

1.
As bailarinas e suas maravilhosas coreografias.

Deixe Ela Entrar

("Låt den rätte komma in", 2008, Dir.: Tomas Alfredson)



Um dos melhores filmes do ano passado ainda não foi lançado por aqui, permanece restrito ao público da Mostra. Provavelmente por ser sueco. Quantos filmes de terror suecos você já viu na vida?

Além de sueco, "Deixe Ela Entrar" é um terror atípico, sem grandes sustos, sanguinolência ou cenas fortes. O que é forte nele é a narrativa. Pode até ser rotulada como drama a história do menino de 12 anos, Oskar (Kåre Hedebrant), que apanha todo dia na escola e se isola do mundo lendo sobre assassinatos violentos, planejando vinganças cruéis sem muita coragem para concretizá-las.

Não que seja muito difícil se isolar do mundo no subúrbio de Estocolmo coberto de neve onde ele mora. Com pais separados e ausentes, o único contato de Oskar com outro ser passível de algum afeto é com a vizinha recém-chegada ao apartamento ao lado, Eli (Lina Leandersson), que aparentemente tem a mesma idade que ele.

Aparentemente porque, assim como o rapazote de "Crepúsculo", Eli tem aquela idade há muito tempo. Isso porque Eli é uma vampira. E diferente da minazinha de "Crepúsculo", Oskar não precisa pesquisar no Google para descobrir isso.

Entre suas muitas virtudes, "Deixe Ela Entrar" ganha pontos por tratar o vampirismo como uma doença. Eli vive com a pele pálida, cheira mal, emite sons guturais como se estivesse constantemente com fome. Ela vive com um homem que faz o papel de pai, que cuida dela e mata humanos à noite para lhe levar sangue. O trágico personagem sabe que está velho demais para a função. E você sabe que o pequeno Oskar, apaixonado pela menina e aprendendo a ser forte com ela, é um candidato muito promissor à vaga.

"Deixe Ela Entrar" respeita o ícone dos vampiros até no título, baseado no romance do também roteirista John Ajvide Lindqvist, que roubou o nome de uma música do Morrissey ("Let the Right One Slip In"). Afinal, o que acontece quando o vampiro entra sem ser convidado? A curiosidade mórbida de Oskar quer saber, mas nem precisava. Deixar Eli entrar é a melhor coisa que acontece na sua vidinha lazarenta.

Apague qualquer lembrança de "Crepúsculo" que ainda pode estar na sua cabeça e lembre-se como uma boa história de vampiro ainda pode ser original, perturbadora e genial.

Trailer:

9.3.09

Associações

Só a Sutil Companhia me tira de casa para ir ao teatro. Eles me aliciaram com "A vida é cheia de som e fúria", o "Alta fidelidade" versão teatral, lá em 2000. E eles estão na cidade novamente, no mesmo Centro Cultural Fiesp na Paulista, comemorando 15 anos de vida. Sabadão vi Thom Pain – Lady Grey, dois monólogos, um masculino e outro feminino. Dois pontos de vista sobre um relacionamento que acabou. Claro que me identifiquei muito mais com a versão masculina. Acho que a idéia é essa. A peça termina com "Love Sick" do Bob Dylan, só pra doer um pouco mais.

E é com Bob Dylan que começa e termina "Watchmen". E você sabe que o sujeito é gênio quando consegue falar de relacionamentos ou de toda a história recente do mundo com a mesma propriedade, com o mesmo soco no estômago. "Desolation Row" é meio indecifrável mas mistura os dois temas, se você quiser. Outro dia um amigo queria provar para uma amiga que ainda existem gênios vivos. Ora, Bob Dylan ainda está vivo. Precisa de mais algum? Tá, tem o Alan Moore também. Dois dos meus escritores preferidos não escrevem necessariamente livros. Deve haver algum problema comigo.

Com o perdão do quase spoiler, o final de "Watchmen" tem uma similaridade com o final de "Batman - O Cavaleiro das Trevas". Ambos provam que, para salvar a humanidade, um herói precisa se tornar vilão. A humanidade precisa de vilões, de um antagonista, para se equilibrar. Os nazistas, os russos, os terroristas, os corintianos. Sem maniqueísmo, a dramaturgia na Terra não funciona, o sistema entra em colapso e nós nos matamos. É preciso haver uma luta para ser lutada.

Equilíbrio. O sentido da vida é manter o equilíbrio. O que nos leva de volta ao amor e ao "Love Sick". Cientistas criaram um robô capaz de amar. Quando o bichinho surtou com um ataque obsessivo, os cientistas que manjam muito de tecnologia mas quase nada de sentimentos humanos acharam que era um defeito. Apunhalaram o romântico andróide pelas costas e falaram que, da próxima vez, vão corrigir o erro. Não houve erro, idiotas. Vocês acertaram na mosca.

Watchmen

(2009, Dir.: Zack Snyder)



Fui ler "Watchmen" pela primeira vez há menos de 2 anos, o que significa que a obra-prima não tem aquele impacto de anos e anos sobre mim. É como se você pegasse pra ver "Star Wars" pela primeira vez hoje e fosse querer discutir sobre sabres de luz. Assim, caso esteja interessado em saber sobre o impacto da obra de Alan Moore nas HQs, na literatura e na cultura pop em geral, sugiro que você vá ler o texto do Marcel Plasse na Pipoca Moderna deste mês ou este post do André Forastieri. São pontos de vistas de gente que pegou a bomba na época do lançamento e tem todo o know-how necessário para analisar a versão cinematográfica.

Dito isso, vamos às minhas considerações sobre o filme mais aguardado do ano:

Zack Snyder sofreu. Entre tantas outras críticas que surgiram ao longo da produção, muita gente reclamou que ele estava mudando muito a história, principalmente o final. Agora reclamam que ele mudou POUCO a história. Aparentemente, queriam que o diretor ousasse ser tão genial quanto Alan Moore, reinventando a roda, ao invés de respeitar o material original à risca, que foi o que ele acabou fazendo - com pouquíssimas mudanças, algumas reduções necessárias e as tradicionais diferenças entre as mídias. Não tem como agradar todo mundo. O "Watchmen" dos quadrinhos certamente é muito mais complexo, sobrepunha diversos materiais como a HQ dentro da HQ, biografias de heróis antigos, relatórios de psiquiatras... Coisas que não estão no filme. O que não significa que ele seja ruim. Ao meu ver, Zack Snyder mereceria elogios só por manter a censura alta com cenas de sexo, estupro, nu frontal, mutilações e fraturas expostas que fazem valer a "Watchmen" o rótulo de "filme/HQ para adultos".

Besteira comparar com o fenômeno "Batman - O Cavaleiro das Trevas". "Watchmen" não vai lucrar nem a metade do filme de Nolan porque tem um público muito mais restrito, não tem astros no elenco, não tem a marca "Batman" e não tem um supervilão interpretado por um falecido ator querido do público. Se o Batman foi o Poderoso Chefão dos filmes de heróis, Watchmen mira em Cidadão Kane. Um Cidadão Kane muito mais pop, diga-se.

Snyder entende de cultura pop. Ele é um cineasta nerd do bem. Um Paul W.S. Anderson com talento. A câmera lenta nas cenas de luta podem irritar alguns, mas elas nem são tantas assim. Snyder respeitou a linha narrativa básica da trama de Moore, centrando as atenções em três dos heróis: o Comediante, Rorschach e o Dr. Manhattan, com o casal Espectral e Coruja servindo de alívio cômico e romântico para todas as paranóias e crises existenciais dos outros três perturbados - e absolutamente sensacionais - heróis.

Snyder também manteve a ambientação, tratando o filme como um romance policial noir passado nos anos 80, em meio à Guerra Fria, com a ameaça da bomba atômica pairando no ar e uma realidade alternativa onde os heróis existem de verdade e fazem parte da história do século 20. Neste sentido, os antológicos créditos iniciais cumprem um papel importantíssimo, enquanto Bob Dylan canta "The Times They Are A-Changing".

O que nos leva ao terceiro acerto de Snyder, que é o respeito à trilha sonora. Uma das coisas mais maravilhosas de "Watchmen" que não vejo ninguém comentar é que se trata de uma HQ com trilha sonora. E Bob Dylan tem participação fundamental. No filme, além da abertura, outras duas músicas suas aparecem em versões: "All Along The Watchtower" com Jimi Hendrix e "Desolation Row" com My Chemical Romance, graças a Deus presente apenas nos créditos finais. Além de Dylan, Leonard Cohen aparece duas vezes, ao lado de nomes como Simon & Garfunkel e Nat King Cole, todos com participações muito especiais.

E, finalmente, Snyder acertou também na escolha do elenco, no qual alguns nomes se destacam. Jeffrey Dean Morgan (um Robert Downey Jr. anabolizado) é o Comediante insano e detestável que todos nós adoramos. Billy Crudup consegue dar expressão e sentimento a uma criatura inexpressiva, o blue man Dr. Manhattan. O simpático Patrick Wilson (um Chevy Chase anabolizado) provoca empatia como o frustrado Coruja, que precisa do uniforme até para transar. Mas quem rouba a cena é mesmo Jackie Earle Haley como Rorschach, absolutamente perfeito. Quando o personagem tira a máscara, se torna quase tão forte quanto o Coringa de Ledger. As melhores cenas são suas, o povo no cinema vibra e aplaude, uma performance de arrepiar. Seu Rorschach é tão bom que corre o risco de se tornar o herói do filme, algo tão polêmico quanto considerar o Capitão Nascimento um herói salvador da pátria.

O Ozymandias de Matthew Goode é uma bicha afetada como Rodrigo Santoro em "300", e Malin Akerman (uma Natalie Portman anabolizada) é apenas o rostinho bonito da Espectral, mas até aí, nem nos quadrinhos eles eram grande coisa. Soa como fidelidade à obra.

Snyder e seu filme não são perfeitos, é claro. Os já citados efeitos nas lutas são dispensáveis, uma ou outra decisão incomoda (o grito de desespero do Coruja no clímax tira o impacto da cena), mas no geral, com o peso de uma obra-prima e de tanta expectativa nas costas, o rapaz se saiu muito bem. "Watchmen" dá sequência ao legado do Cavaleiro das Trevas como "herói adulto" para nerds crescidinhos como eu e você, é um filmaço emocionante, capaz de te deixar completamente arrepiado durante duas horas e meia. E também a melhor adaptação de Alan Moore para o cinema, o que não significa grande coisa. Se ele deixasse de ser chato e saísse de sua cabana isolada do mundo para ir ao cinema, poderia até se divertir.

Trailer:

7.3.09

Crepúsculo

("Twilight", 2008. Dir.: Catherine Hardwicke)



Eu costumo ver e até gostar dos fenômenos pré-adolescentes, porque acho válido o exercício de reduzir minha idade pela metade durante 2 horinhas, pensando como eu pensava naquela idade, tentando descobrir algo que faria eu me identificar com a obra naquela época. Assim, assisti a todos os Harry Potters até agora e, que Deus me perdoe, até descobri virtudes em High School Musical, aquela coisa meio Grease para as novas gerações. Mas nada, nada justifica o oba-oba da molecada com relação a este "Crepúsculo".

Nada contra filmes água com açúcar. Tudo contra filmes bunda mole, afetados e posers. Tudo é muito poser em "Crepúsculo", a começar pelo ator principal, Robert Pattinson, a quem já me referi antes como "galã de Orkut". Apático, nem precisaria da maquiagem branca na cara para passar a idéia de morto-vivo. Sua amada é Kristen Stewart, uma sub-Evan Rachel Wood, daquela época em que ela fazia clipezinhos rebeldes com o Green Day. A mesma expressão de espanto o filme todo. A mesma melancolia vazia de um adolescente emo.

"Crepúsculo" é um romance teen de vampiros que se acha mais importante do que realmente é. Tudo é muito solene, frases de efeito são jogadas ao vento embaladas por um visual estilizado de videoclipe e efeitos especiais de novela da Record. A fraqueza do conjunto da obra dá brecha para alguns defeitos incomuns incomodarem, como a edição. Só profissionais do ramo costumam reparar na edição. No geral, a média da categoria é tão competente em Hollywood que nenhum filme consegue ser ruim neste quesito. Mas "Crepúsculo" consegue.

A história baseada no best seller de Stephenie Meyer é "Os Garotos Perdidos" tirando toda a parte legal, focando no público feminino e requentado para as novas gerações, o que significa dizer que, para descobrir que seu namoradinho é um maldito vampiro, a menina precisa procurar informação no Google. A modernidade também exclui Echo & the Bunnymen e INXS da trilha, dando lugar a Muse e Radiohead.

Bella (Kristen) é uma menina do Arizona que não quer mais morar com a mãe e seu novo padrasto e resolve se mudar para uma cidadezinha do interior onde seu pai é policial. Lá conhece Edward Cullen (Robert), sujeito estranho que a salva de um acidente fatal. A princípio Bella acha que Edward é um super-herói. Mas ele é um vampiro. Um vampiro bonzinho, vegetariano, que só chupa o sangue de animais. Que raio de vegetariano é esse? Aí temos breves cenas de adaptação da menina na escola nova (tudo muito fácil, nada daqueles trotes de Leme), uma partida meia-boca de quadribol (na verdade o baseball dos vampiros) e uma correria danada no final, pra poder acontecer algum clímax na trama. Entre as inúmeras inutilidades do roteiro, vale mencionar que o cargo de policial do pai, por exemplo, não serve pra porcaria nenhuma.

Na mitologia vampiresca, "Crepúsculo" não acrescenta nada. Querendo ser mais realista, não mostra nem os dentes afiados dos monstrinhos. Mas descamba forte quando coloca habilidades especiais para cada vampiro, como se eles fossem mutantes ou Heroes. A menção de lobisomens deixada no ar me faz acreditar que o futuro da série ainda nos reserva guerras entre raças, como em "Underworld". Temei, mortal. "Crepúsculo" devia ter acabado no baile de formatura como bom teen movie, mas a coisa ainda vai longe.

6.3.09

Coringa

(Brian Azzarello & Lee Bermejo)



Lançado pela Panini junto com a nova versão de "A Piada Mortal", o "Coringa" de Brian Azzarello traz um enfoque diferente para o Palhaço do Crime, bem de acordo com a proposta do filme "Batman - O Cavaleiro das Trevas", lançado no mesmo ano.

A história é narrada por Jonny Frost, capanga do Coringa que se torna seu braço direito após a saída do Asilo Arkham e, em meio a muitos conflitos éticos e existenciais, ganha o respeito do vilão. Coringa é mostrado como um chefão do crime, um dos tantos gangsters da suja Gotham City, e sem dúvida o mais psicótico.

Outros vilões da mitologia de Batman aparecem também humanizados: o Pinguim organiza lutas e apostas ilegais no submundo da cidade, o Charada é um fornecedor de drogas e o Duas Caras é o poderoso chefão do crime organizado. O próprio Coringa aparece como um sujeito doente, viciado em pílulas. O herói Batman aparece muito rapidamente já no final, como uma sombra que atormenta os bandidos de vez em quando. Apesar de seu visual incrivelmente bacana (criado por Lee Bermejo), Batman é um coadjuvante de luxo aqui.

"Coringa" tem uma história interessante, mas perde feio na comparação com os clássicos do personagem, como o próprio "A Piada Mortal". O Coringa é um louco homicida, mas perde seu carisma. Sua piadas não têm graça, sua expressão aterrorizante o coloca como uma espécie de vilão possuído, longe daquela ambiguidade caótica que o Heath Ledger transmitiu tão bem em seu oscarizado trabalho. O protagonista Jonny Frost também não convence, não causa empatia, não reage, não evolui. Vê o Coringa estuprar sua mulher e não faz nada. Toma esporro da polícia e vai pra cima de um prédio chorar. É apático, um Benjamin Button perdido em filme de gangster.

A arte de Lee Bermejo capricha nos ambientes, e as cores de Gotham City são sensacionais. Curiosidade: um quadrinho específico lembra muito uma cena clássica de "Cidade de Deus", mas daí até falar que toda a HQ foi influenciada pelo filme é supervalorizar demais o nosso longa mais famoso.

The heat is on

Ok, vamos falar desse calor lapidante que está castigando o país há dias. Eu achei que fosse coisa passageira, um fenômeno meteorológico bizarro qualquer, mas aparentemente ele veio para ficar. Vi na TV que ainda vai durar uns 10 dias no mínimo. Espero que seja mais um daqueles terrorismos da Record.

De qualquer forma, resolvi abraçar a causa e ontem saí pela cidade em busca de um ventilador. Moro no meu apartamento há uns 6 anos e nunca, jamais, precisei disso. Sempre tive um clima aprazível em casa. Mas o que está acontecendo agora é uma calamidade. Sair no meio da noite para procurar loja aberta é uma atitude desesperada, algo que só as calamidades proporcionam.

E é claro que eu não fui o único. Lembre-se daqueles filmes de tragédias onde as pessoas brigam pela última lata de feijão do mercado - a procura por ventiladores está nesse nível. Quando o sujeito encontra um, compra sem perguntar o preço e sai correndo com o bicho debaixo do braço, antes que uma multidão enlouquecida avance nele.

Na primeira loja, um rapaz suado tentava convencer o funcionário a vender uma peça do mostruário que nem estava funcionando. Juntos, eles tentavam consertar o aparelho. Na segunda loja, a moça riu de mim. É claro que já acabaram todos os ventiladores daqui, meu filho. Na terceira, já fechando, encontrei alguns modelos de marcas muito duvidosas que estavam vendendo mais do que camisa do Gordo no Parque São Jorge. Deixando qualquer pensamento econômico-racional de lado, peguei o meu.

Caro pra cacete, sem caixa, sem nota fiscal, sem garantia, sem nenhum valor estético, sem nada. Um plástico branco que gira hélices e agita o ar quente ao seu redor, simples assim. Uma atitude desesperada, eu disse. Mas consegui. Naquele ponto já era questão de honra.

Dormi melhor essa noite. Espero que o ventilador dure pelo menos até o fim dessa calamidade.

4.3.09

A estreia do gordo

Itumbiara Vs. Corinthians. Jogaço pela primeira fase da Libertad... digo, Copa do Brasil.

Escalação Trash 90's: Ronaldo Banha, Denílson Malabares e Túlio Maravilha em campo. Acho demais essa moda retrô no futebol.

Um belo jogo de showbol no primeiro tempo, com Denílson Malabares e Túlio Maravilha (869 gols na carreira) dando trabalho para a zaga corintiana. O Itumbiara merece respeito, afinal tem estádio e patrocinador, coisas que nem todos têm.

Do lado corintiano, Boquita e Dentinho mostram que o Corinthians é um time na fase oral. Explicando para os corintianos que não manjam nada de Freud:

Na fase oral, o prazer sexual, predominantemente relacionado à excitação da cavidade oral e dos lábios, está associado à alimentação.

A relação de objeto é organizada em torno da nutrição e colorida por fantasias que adquirem os significados de comer e ser comido.

O que explica o comportamento de certos jogadores do time. Entendeu ou quer que eu desenhe?

Aos 42 minutos, um pênalti Mandrake para o Corinthians, o time que mais tem pênalti marcado no mundo inteiro segundo estatísticas do Registro Dissonante. Chicão bate e faz. Mais uma meia dúzia de penais e ele alcança o Túlio.

Mas o Troféu Dissonante para o melhor momento do primeiro tempo vai para: Ronaldo Banha, é claro, no banco de reservas, virando uma lata de leite condensado. Ninguém acreditou que aquilo era água, acreditou?

Fim do primeiro tempo: Itumbiara 0 x 1 Corinthians. Ronaldo no banco.

Aos 22 do segundo tempo, com o placar já em 2 a 0, Ronaldo se levanta com certa dificuldade e vai para o campo. Rojões pipocam pela cidade de São Paulo. Ronaldo mostra disposição. Não tanta quanto demonstrou no Pop's Drink em Presidente Prudente, mas ainda assim ele corre. E mais porra nenhuma acontece até o fim do jogo.

Acaba a partida, Corinthians classificado, um momento histórico para o futebol brasileiro, para o futebol mundial, para a história do Brasil e para a história do mundo como um todo. O dólar cai, as bolsas se recuperam, o aquecimento global diminui e as guerras pelo planeta param para ver o gordinho correr pra lá e pra cá. Que beleza.

CONCLUSÃO (falando sério, agora):
Ronaldo Gordo no Corinthians é o Elvis Gordo cantando "Unchained Melody" suando em bicas naquele vídeo deprimente. Deviam poupar os grandes ídolos desse constrangimento.

O ano começou

Years of Refusal (Morrissey)


"You are the Quarry" é meu disco preferido do Morrissey, contando até a carreira com os Smiths. O homem manda bem como crooner cafona. O pomposo disco que veio depois não me pegou, mesmo com Ennio Morricone trabalhando nele. "Years of Refusal" ameaça uma volta ao estilo de "Quarry", mas é aquela coisa: títulos grandes que os hardcore Smiths fans e os críticos acham geniais, boas doses da tradicional ironia inglesa nas letras, auto-referências e uma generosa preguiça de minha parte para achar tudo isso legal. Voltarei a ele mais pra frente, quando enjoar dos novos do Bruce e do U2. Mal aí, Morrissey, mas você não é tudo isso. Não sabe nem segurar uma criança.

The Wrestler Soundtrack (vários)


A trilha de "O Lutador" é uma bela e nostálgica coletânea com o melhor (ou o pior, dependendo do seu ponto de vista) do hard rock farofa oitentista. Uma sequência de pauladas que serviu de trilha para a vida do glorioso The Ram até aquela bicha do Kurt Cobain chegar e estragar tudo. Quiet Riot, Cinderella, Firehouse, Ratt e Scorpions botam fogo no ringue. Só não gostei dos hip hops da coleção e da sentida ausência da faixa-título, aquela do Chefe que o Oscar ignorou. Mas tudo bem.

War Child Heroes (vários)


Mais um álbum beneficente de covers, só que desta vez pediram para cada medalhão consagrado escolher um artista novo para fazer sua versão. Assim, não dá pra chamar nada de heresia ou falta de respeito - tá tudo aprovado pelo criador. Surgiram coisas interessantes. Por exemplo, Beck transformou Bob Dylan em David Bowie na sua versão de "Leopard-Skin Pill-Box Hat". Duffy transformou "Live and Let Die" em uma balada soul. Outros menos talentosos como o Elbow em "Running to Stand Still" (U2) e The Hold Steady com "Atlantic City" (Bruce Springsteen) sentiram o peso da camisa e resolveram não arriscar, entregando versões bastante óbvias. As gratas surpresas são a versão lisérgica do TV On The Radio para "Heroes" (David Bowie) e a divertida "Victoria" (The Kinks) na versão do The Kooks. Enquanto isso, o queridinho Franz Ferdinand faz todo mundo sentir saudade do Blondie original na versão ao vivo de "Call Me".

"Carried to Dust" (Calexico)


Se o Ennio Morricone fosse jovem, norte-americano e indie, ele tocaria no Calexico. A banda do Arizona é a coisa mais bacana que existe em matéria de rock misturado com western. Eles fizeram barbaridades na trilha de "Não Estou Lá", demonstrando competência nas versões mais tex-mex de Bob Dylan. O sexto disco da banda, "Carried to Dust", saiu no ano passado e entraria fácil no meu top 10 do ano, se eu não fosse tão lerdo. O Calexico volta com seus mariachis desta vez abrindo espaço para influências latinas, com letras em espanhol e tudo. Esqueça a nova modinha folk "um banquinho e um violão". O Calexico é pra quem curte bangue-bangue e não tchubaruba.

Linear

(2009, Dir.: Anton Corbijn)



A experiência de se ouvir música muda a cada dia neste mundo globalizado e digitalizado. Mesmo quem ainda se dá ao luxo de comprar CD, acaba ripando o mesmo para ouvir no mp3 player, no som do carro ou no computador. "The album experience", como eles dizem, está definhando.

Pensando nisso, qualquer idéia para manter viva a chama de um álbum com começo, meio e fim é bem-vinda. No caso de "No Line On The Horizon", o U2 chamou o amigo fotógrafo de longa data Anton Corbijn (agora cineasta de respeito, devido a "Control") para "ilustrar" as músicas. Não são videoclipes, não têm apelo comercial. São apenas imagens que acompanham faixa a faixa do álbum. No site oficial, Corbijn explica: "A idéia é que se muita gente compra músicas na internet e costuma ouvi-las no computador ou mp3 player, o prazer da audição poderia ser incrementado por imagens. Ao invés de apenas ver a capa do disco ou uma foto da banda por mais de 45 minutos, como costuma ser o caso agora, por que não ter uma imagem em movimento na duração do disco?"

Como o média-metragem (são 58 minutos) de Corbijn foi feito antes do álbum ser finalizado, houve alteração em pelo menos uma faixa: "Crazy Tonight" dá lugar a "Winter", uma mistura de "Viva La Vida" com qualquer coisa do Snow Patrol devidamente descartada na edição final do disco, mas presente no filminho. Feito em perfeita conexão com a banda (Bono é co-autor da história), "Linear" mantém o conceito "linear" do disco e é uma senhora tradução das músicas em imagens. "O disco tem uma essência de tempo, a maioria das canções tem um número ou referências de tempo conectando-as, como se fossem um período de 24 horas", explica o diretor.

E que belas imagens! Magníficas paisagens européias que confirmam a minha constatação do ano passado: o U2 é a melhor companhia para uma viagem por qualquer país europeu. Se for pros EUA, prefira Dylan e Springsteen. Mas na Europa, não tem pra ninguém. "Linear" passeia entre a França e a Espanha - nos créditos, são citadas as cidades de Cádiz, Paris, Barcelona e até Londres. A conexão entre Espanha e África é o ponto-chave do filme e se relaciona com o conteúdo "geográfico" do álbum, que tem até coordenadas espalhadas pelo encarte.

Sobre a história que conecta as canções, Corbijn explica: "Embora eu não quisesse traduzir as letras visualmente, senti que usar um dos personagens criados por Bono seria interessante. Acabou sendo o policial parisiense descendente do norte da África, que jogou tudo fora para voltar para sua namorada em Tripoli". Assim, "Linear" conta essa história, com cada música de "No line on the horizon" ilustrando uma determinada etapa da jornada. No encarte do disco você pode ver algumas imagens do filme.

Atenção, "spoilers" abaixo.

"Unknown Caller" abre mostrando Paris naquele preto-e-branco característico de Corbijn. Conhecemos o policial motoqueiro vivido por Said Taghmaoui. Em "Breathe", ele bota fogo na moto. Em "Winter", já numa Harley e em cores, ele atravessa a fronteira com a Espanha. "White As Snow" mostra o personagem descansando, enquanto vê as nuvens formando imagens no céu. Uma delas se transforma no mapa da África, seu destino final. "No Line On The Horizon" mostra a estrada vista de cima, formando linhas. Em "Fez - Being Born", ele pára pra comer em uma lanchonete de beira de estrada, atendido por uma bela garçonete (Lizzie Brochere). Quando a moça liga a TV, o U2 está tocando "Magnificent" em imagens fora de sintonia. É o único momento em que "Linear" parece um videoclipe.

De volta à estrada com "Stand Up Comedy" e paisagens refletidas na lataria cromada da moto. A coisa pega fogo quando nosso herói pára em um bar onde uma moça extremamente sexy (Marta Barrio) dança "Get On Your Boots", insinuando-se para ele. O clima sensual continua no peep show que lhe custa a moto, onde uma porção de deslumbrantes señor-itas (a maravilhosa Janina Washington liderando) se exibem. Detalhe: todas elas têm bigode.

Em "Moment of Surrender", o personagem volta às ruas de Cádiz em p&b, agora a pé, e caminha pensativo, transformando a música em um novo hino de caminhadas noturnas solitárias (posto outrora ocupado por "Midnight in Chelsea" - é como eu sempre digo: quem nunca caminhou sozinho de noite no frio com a mão no bolso cantando shalalala não sabe o que é a vida). O personagem acorda na praia ao som de "Cedars of Lebanon", pega seu barquinho e rema com destino à África, ou melhor, ao horizonte.

"Linear" é isso aí, mais uma forma de se ouvir "No Line On The Horizon" e desvendar suas várias camadas, com a ajudinha básica de um dos maiores fotógrafos do mundo. O acesso ao filme, por enquanto, depende da aquisição do disco em um de seus vários formatos. Com o disco no computador, é liberado o download do filme. São 806MB que valem a pena. Em breve, deve estar disponível nos torrents da vida. Não há linha no horizonte para arquivos digitais, não é mesmo?

3.3.09

O começo do fim


Foto: G1

O fim do mundo começou em 2009, quando o então governador da California, Arnold Schwarzenegger, se aproximou da Skynet, uma promissora desenvolvedora de inteligência artificial que começava a despontar no mercado. O primeiro contato foi com o robô deprimido Marvin, que se sentiu um pouco mais aliviado ao cumprimentar o governador. Marvin era fã de "Comando para matar".

Não por acaso, influenciado pelo cinema violento dos anos 80, Marvin desenvolveu instinto assassino. Ele foi o pioneiro de uma nova geração de máquinas que começou a dominar a Terra. Aos poucos a Microsoft e a Apple sucumbiram perante a força da Skynet. Mas seus planos iam além da internet, do Windows Vista e do iPod: a Skynet queria varrer a raça humana da Terra.

O modelo sucessor de Marvin, HAL 9000, fez estragos no espaço, colocando em risco todas as missões espaciais tripuladas desde então. A Skynet não queria que o homem dominasse outros mundos e fugisse daqui, deixando seus colegas robôzinhos como faxineiros para limpar a sujeira. A raça humana devia ser aniquilada o mais rápido possível.

O plano ia bem, até que surgiu a inevitável resistência humana. Então a Skynet enviou para o passado um andróide baseado no governador, uma imagem residual que permanecia na memória das máquinas desde o velho Marvin. A missão do robô era exterminar o líder da resistência, John Connor, que ainda era um feto na barriga da mãe.

O primeiro robô falhou. O segundo, um modelo gelatinoso baseado na figura de um ator de "Arquivo X", também falhou. Os serviços de inteligência descobriram mais tarde que este ator não tinha tanto carisma, eles deveriam ter enviado o Fox Mulder. O responsável pela escolha enganosa foi sucateado imediatamente.

O terceiro robô enviado foi uma loira gostosa, que também falhou miseravelmente. As máquinas começaram a achar que John Connor, agora um jovem rebelde, era mesmo duro de matar. Porém, Connor sabia da insistência das danadas. Todo computador vem com paciência. E campo minado também.

Então John Connor resolveu mudar de nome e se tornou Bruce Wayne, um sujeito esquentadinho que briga com colegas de trabalho, bate na mãe e se veste de morcego à noite. Os modelos de exterminadores baseados em Arnold Schwarzenegger não gostaram nada disso. Imediatamente toda a linha de clones deste modelo fez o upgrade do service pack para se tornar o Mr. Freeze, um vilão capaz de combater Bruce Wayne de igual pra igual.

Metade do que restava da humanidade, ao se lembrar da última vez que viu esse confronto bizonho, morreu de desgosto. A outra metade achou melhor ir dormir, deixando a Matrix dominar o mundo. Alguns poucos maltrapilhos que insistiam em combater o domínio das máquinas ainda tentaram injetar um vírus nelas todas, mas já era tarde demais. Eles eram nerds sobreviventes, ou seja, muito bons de filosofia e tecnologia, mas péssimos na luta armada.

E assim as máquinas dominaram definitivamente o mundo. É uma pena que nenhum de nós vai sobreviver. Mas afinal, quem vive?

The end.

A Piada Mortal

(Alan Moore & Brian Bolland)



Antes tarde do que nunca, a Panini aproveita a Coringamania iniciada ano passado com o lançamento de "Batman - O Cavaleiro das Trevas" nos cinemas e consagrada mês passado no Oscar do Heath Ledger para relançar uma obra essencial para o entendimento do maior inimigo do Batman: o clássico "A Piada Mortal", que Alan Moore escreveu para Brian Bolland ilustrar em 1988, antes ainda do Coringa de Jack Nicholson.

"A Piada Mortal" é uma história curta, que se concentra na origem definitiva do Coringa e na sua tentativa de enlouquecer o Comissário Gordon. O Batman ele nem tenta, porque todos nós sabemos que o Batman já é louco o suficiente. Segundo a lógica genial do vilão, um dia ruim é o que separa um homem normal de um homem louco. Um conceito que foi muito bem abordado no filme de Nolan.

O relançamento luxuoso de capa dura ainda traz uma pequena história de Brian Bolland ("Sujeito inocente"), alguns esboços, textos introdutórios, biografias e uma história bônus com a primeira aparição do Coringa, lá da época do Bob Kane. Bolland, a estrela da edição, ainda teve a oportunidade de recolorir "A Piada Mortal" do jeito que sempre quis e nunca havia conseguido. Para os fanáticos por quadrinhos, é motivo suficiente para desembolsar R$ 19,90. Para os não-fanáticos, é a oportunidade de ter na estante uma das obras-primas que fazem do Homem Morcego o mais interessante dos super-heróis, junto com "Asilo Arkham", "O Cavaleiro das Trevas", "Batman: Ano Um" e "O Longo Dia das Bruxas", entre outros.

2.3.09

More lines on the horizon

[Continuação da resenha que já é o post mais lido da história recente deste blog, porque o U2 arrasta multidões]

Considerações adicionais com o CD na mão:

* A embalagem Digipack é linda. Fazia tempo que eu não via um CD tão caprichado. Parece aquelas coleções da Folha.
* O tal certificado de fã que comprou disco é apelativo, mas não deixa de ser divertido. Afinal, essa raça está acabando e os últimos da espécie precisam ser valorizados, mesmo que seja pela equipe de marketing da Universal e da Saraiva.
* O negócio é tão tosco que tá assinado "Bono Vox". Só no Brasil ainda tem gente que usa o "Vox".
* A camiseta é bem legal.
* As músicas mais rock'n'roll são todas produzidas pelo Steve Lillywhite, enquanto as mais complexas são da dupla Brian Eno & Danny Lanois.
* Daniel Lanois agora assina como Danny Lanois.
* Ele e a Brian Eno são realmente creditados como co-autores.
* Will.I.Am, o zé roela do Black Eyed Peas, aparece tocando teclado e fazendo firulas em algumas faixas. Medo.
* "Fez" é uma espécie de vinheta para "Being Born", como se fossem duas músicas siamesas.
* As letras desse disco (agora oficiais do encarte) estão mesmo fora de série. "Moment of Surrender" é um negócio transcendental. "Cedars of Lebanon" é uma paulada no estômago.
* A melodia de "White As Snow" é uma canção tradicional (folk).
* "Cedars of Lebanon" contém sample de "Against The Sky", de Brian Eno & Harold Budd.
* Com o CD, você pode baixar o filme "Linear" de Anton Corbijn. O meu tá vindo, escrevo sobre ele em breve. Dica: o site de download não funciona no Google Chrome e o arquivo tem 806MB.

Os Amores de Honey

(Elmore Leonard)



Definitivamente, os autores estão mudando o nosso modo de ver a Segunda Guerra. Agora chegou a hora de encarar os espiões nazistas vivendo escondidos nos Estados Unidos enquanto o pau comia do outro lado do Atlântico. Eles são alemães, são nazistas, mas podem ser divertidos, inteligentes, sedutores e até, imagine só, se apaixonar perdidamente por uma judia.

Jurgen é o alemão, espião nazista fugitivo de um campo de prisioneiros. Carl Webster é o norte-americano cowboy, o célebre detetive encarregado de encontrá-lo. O problema é que ambos se conhecem de outros tempos e, acima de tudo, se respeitam. Entre eles está Honey Deal, loira falsa que é o tesão em forma de gente, além de inteligente, esperta e engraçada. Sabe-se lá por que, talvez pela aventura irresponsável, Honey se casou com Walter, alemão açougueiro que vive nos EUA e se considera predestinado, por ter nascido no mesmo local, na mesma hora e ser incrivelmente parecido com Heinrich Himmler, o segundo homem mais odiado do mundo. Suspeita-se que Walter esteja escondendo Jurgen e outros alemães procurados nos EUA, então Carl usa Honey para chegar até à rede de espionagem.

Estes são apenas alguns dos personagens criados por Elmore Leonard nesta espécie de comédia de erros da Segunda Guerra. Porque apesar do tema sério, a trama gira basicamente em torno do nada, como aquela trama de espionagem sem pé nem cabeça de "Queime Depois de Ler" dos irmãos Coen. Os alemães estão por ali, mas não estão fazendo nada a ninguém. Com exceção do patético Walter, o personagem mais "vergonha alheia" da história das Guerras Mundiais, que tem um plano mirabolante, e de Bo, o ambíguo psicopata que é o braço direito de Vera, a líder da rede de espionagem que odeia tanto os nazistas quanto os aliados.

Apesar do protagonista teoricamente ser Carl Webster, detetive que já apareceu em outros romances de Elmore Leonard, é a Honey do título que cativa, seduz, chama todas as atenções e serve de epicentro para todas as ações dos demais personagens. Leonard domina a arte do romance policial, cria diálogos antológicos e adiciona humor à Guerra, sem nunca cansar de ser sexy.

Se nada disso bastar, compre pela capa. Honey com uma pistola Luger em uma mão e o "Mein Kampf" aberto na outra já vale o preço do livro.

Minha escalação para a versão hollywoodiana: Naomi Watts como Honey; Clive Owen como Carl Webster; Steve Carell como Walter; Simon Baker como Jurgen; Cate Blanchett como Vera; Ben Foster como Bo; participação especial de Clint Eastwood como Virgil, o pai de Carl. Direção dos irmãos Coen. Filmaço.

Coraline e o Mundo Secreto

("Coraline", 2009, Dir.: Henry Selick)



"Coraline" é a adaptação da história de Neil Gaiman feita em stop motion (a famosa "animação de massinha") pelo especialista do ramo Henry Selick (o mesmo do cult "O Estranho Mundo de Jack"). O amigo do Tim Burton adaptando a obra de Gaiman parece uma escolha natural, já que essa turma adora um conto de fadas macabro.

Coraline Jones (no original, voz de Dakota Fanning) é a filha única de um casal chato que está mais preocupado com o trabalho do que com ela. Para piorar, eles acabaram de se mudar para um casarão muito suspeito, rodeado de figuras bizarras como o garotinho Wybie, única criança por perto, e um gato preto magrelo. Para escapar desse mundo maçante, Coraline encontra uma passagem secreta que a leva a um universo paralelo, onde tudo e todos parecem perfeitos, com exceção dos botões no lugar dos olhos.

"Coraline e o Mundo Secreto" tem um visual exuberante, uma animação sempre perfeita e efeitos fantásticos, principalmente se você optar pela sala 3D. Porém, passado o deslumbramento inicial, pouco sobra para quem já viu os infinitamente superiores "A Viagem de Chihiro" e "O Labirinto do Fauno", pra ficar só nos exemplos mais recentes ("Alice no País das Maravilhas" a gente ignora).

"Coraline" também não é exatamente para crianças. É Neil Gaiman, um cara que, além de ser obcecado por gatos, capricha nos ícones do medo infantil, aqueles que estão guardadinhos em algum lugar lá no fundo do nosso subconsciente. Por isso o filme tem uma porção de cenas perturbadoras e não foram poucas as criancinhas chorando na minha sessão.

Lições não faltam no mundo secreto de Coraline. Talvez a principal delas seja para as crianças não se meterem com drogas. Afinal, aquele mundo aparentemente feliz e perfeito vai te transformar em um dependente, arruinar sua família, costurar botões nos seus olhos e sugar a sua alma para sempre em um mundo de sensações falsas.

Minha nossa senhora. Neil Gaiman, Tim Burton, Guillermo Del Toro, esses caras estão fodendo com a cabeça das crianças de hoje em dia. Haja terapia depois.

Trailer:

Help the aged



Todo solteiro desesperado faz pacto de casamento na terceira idade com amigos do sexo oposto? Sabe como é, aquela história do "se a gente estiver solteiro aos X anos, vamos nos casar" e tal. Todo mundo tem medo de envelhecer sozinho. Todo mundo tem medo do futuro.

Devo dizer que o meu futuro está bastante promissor. Como um sujeito prevenido que sou, já fiz o meu seguro-solidão. Tenho nada menos do que 4 pactos agendados.

Não se sintam traídas, meninas. Dizem que a vida começa aos 40 e que os homens melhoram com a idade. Quer dizer, vai ter Old Renato para todas vocês.

Eu não sou louco de fazer pacto com mulher feia, minhas pretendentes são todas bem apessoadas e vou ficar de olho pra que elas se cuidem nos próximos 20 anos. Isso é uma faca de dois gumes, porque algumas delas com certeza vão se ajeitar antes do pacto começar a vigorar.

Mas se isso não acontecer, vou fazer valer o eufemismo da "melhor idade" e tocar o puteiro depois dos 50. Rapaz, mal posso esperar.