30.4.09

Original soundtrack

Às vezes eu me pergunto se eu gostaria tanto de música se não fossem os filmes, séries, seriados e novelas que eu já vi na vida. Porque é difícil pra mim, separar música de trilha sonora. Você pode ouvir música em uma determinda situação e ela servir de trilha. Ou você pode ouvir apenas a música pela música e deixar sua imaginação criar as cenas. Você sempre está pensando em alguma coisa quando está ouvindo uma música. Uma imagem sempre acompanha o áudio, mesmo que apenas na sua imaginação. Nossa cabeça nada mais é do que uma produtora de audiovisual 24 horas por dia.

Essa semana, por duas vezes aconteceram momentos cinematográficos que pediam uma música e elas não estavam lá. Foram momentos absolutamente banais em que, por alguns segundos, tudo ficou mudo, pedindo uma trilha. As pessoas continuaram falando, mas eu não estava mais escutando. Eu estava entretido com minha montagem particular. Você sabe, a tradicional cena do "clipezinho" onde uma música boa toca e o personagem principal olha ao redor e vê que tudo está ok, que a vida é boa, que as pessoas são legais e que tudo vai dar certo. Quase chorei. Acho que, se houvesse música realmente, eu teria chorado.

Não é comum, mas acontece de vez em quando. Eu queria que acontecesse mais vezes. Você olha ao seu redor e de repente tudo faz sentido e você fica feliz por nada. Ou por tudo, dependendo do ponto de vista. O verso "I'm the man I want to be" de "Midnight in Chelsea" costuma me acompanhar nestes raros momentos de satisfação, mas dessa vez foi diferente. Foi mais uma coisa do tipo "I live in the world I want to live". Deve haver uma música com esse verso por aí, pedindo para ser descoberta.

Google informa:
Sua pesquisa - "I live in the world I want to live" lyrics - não encontrou nenhum documento correspondente.

Correção: há uma música com esse verso por aí, pedindo para ser criada.

Eufemismo

Quando o Adriano disse que ia abandonar o futebol, o pessoal interpretou errado. Ele só estava querendo dizer que ia jogar no Rio de Janeiro.

O maior corno do rock



Steven Adler era o baterista do Guns N'Roses na época do primeiro disco, o seminal, visceral e urgente "Appetite for Destruction". Diz a lenda que Adler botou um par de chifres na namorada, a simpática e fofa Adriana Smith que o abraça carinhosamente na foto acima.

Para se vingar, Adriana resolveu ceder para ninguém menos que Axl Rose, o colega do namorado. Segundo ela, o Axl era muito mais gostoso. Bateristas sempre se fodem nessas horas. Até aí nada demais, cada um com os seus problemas. Só que Axl Rose biscoitou a moça no estúdio, gravando seu orgasmo e usando o áudio em "Rocket Queen". E assim a vingança de Adriana entrou para a história e até hoje ela é conhecida como "aquela biscate que geme em Rocket Queen".

Com esse escândalo no currículo, Adriana seguiu o caminho da perdição e se entregou às drogas. Mas e o Adler? Com o chifre registrado para a posteridade, ele também se entregou (ainda mais) às drogas. Uma coisa leva a outra: devido ao vício descontrolado, ele foi mandado embora do Guns. Porque o Guns não era lugar para drogaditos perturbados (cof cof) e, principalmente, não era lugar para cornos. Matt Sorum entrou no seu lugar.

Corno, desempregado e viciado, Adler ainda teve um derrame em 1996. Que vidinha lazarenta. Mas tudo que já é ruim ainda pode piorar. Sempre há uma pá no fundo do poço.

Por que estou relembrando tudo isso? Porque Steven Adler, meus amigos, está vindo para o Brasil. Porque Steven Adler hoje sobrevive da sua desgraça do passado, em uma banda chamada Adler's Appetite que basicamente é uma cover de Guns N'Roses. No repertório, veja você, todo o "Appetite for Destruction".

É remoer demais as angústias do passado, não? Ter como ganha-pão o revival de um chifre é muito masoquismo, não? É muito atestado de decadência e de perdedorismo, não? Estou pensando em ir só pra ver o que acontece em "Rocket Queen". Será que ele come a namorada de alguém da platéia em cima do palco? Será que rola um constrangimento de todo o público? Será que Adler chora?

É claro que, como boa banda cover de Guns, Adler's Appetite vai tocar no glorioso Manifesto. Confira o flyer:

29.4.09

Notícias importantes que ninguém publicou



John Matuszak, o Sloth dos Goonies, morreu há 20 anos e ninguém me contou.

Sim, o sujeito desinibido na foto acima é ele. O da direita.

Meu mundo caiu.

Música Vs. Cinema

Recentemente revi "À Prova de Morte" (inacreditavelmente ainda inédito por aqui). Duas constatações: 1. Eu não tinha reparado na cena genial da perseguição final, quando os dois muscle cars encontram uma série de carros bundas (Civics, Corollas, Pajeros, SUVs em geral) que se movem lentamente e saem da pista por qualquer besteira, afinando para os old school motherfuckers.

2. Confirmei minha tese de que o filme é dividido em 2: o das meninas da música (ícone: jukebox) e o das mulheres do cinema (ícone: "Vanishing Point"). Com enorme vantagem para as sábias mulheres do cinema.

Tudo isso pra dizer que, inconscientemente, deixei o cinema de lado nos últimos dias pra me dedicar à música. Segundo a lógica tarantinesca, eu regredi um pouco nesse processo. Desamadureci. Voltei a ser mais sentimental e ingênuo.

A dedicação à música foi determinada por dois acontecimentos sem relação entre si: 1. A descoberta dos links para download dos 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer, uma iniciativa tão louvável que dá sentido à existência do livro. Afinal, pra que um livro com 1001 discos se você só pode ler a respeito?

2. Um amigão me deu a licença para o TuneUp, um programinha que limpa os mp3 do seu iTunes, organiza álbuns, conserta nomes, baixa capinhas, inclui ano e gênero, enfim, tudo aquilo que nós, portadores de e-TOC, procuramos na vida.

A combinação de 1001 discos com TuneUp é um negócio muito sério e exige dedicação. Não é só deixar baixando os discos, tem que selecionar. Não é só jogar o mp3 no limpador, tem que acompanhar o processo pra ver se está tudo ok. Não dá pra confiar totalmente em nada nessa vida.

Assim, alternando entre clássicos antigos e sucessos recentes (digo, até os anos 90), estou dando um belo upgrade na minha playlist. A saber: Van Morrison, o Bob Dylan irlandês, e The Kinks merecem o culto que têm. A melancolia perfeita de Simon & Garfunkel deve ser aproveitada com moderação. No caso de exagero na dose de melancolia, T. Rex é um antídoto excelente. Beach Boys e Rolling Stones nunca cansam. Neil Young, Johnny Cash, Ray Charles, Elvis Costello, Nick Cave e a galerinha muito louca da Motown, meu Deus do céu. Da molecada mais nova, todos do Beck, o acústico do Nirvana (melhor momento da carreira) e Portishead, banda preferida de 9 entre 10 menininhas deprimidas da virada do século.

Mas a principal descoberta foi Derek and the Dominos. Por que ninguém havia me indicado "Layla and Other Assorted Love Songs" antes? Que vergonha, vocês estavam escondendo isso de mim? Sabiam que eu ia acabar ouvindo o disco inteiro no fone de ouvido com as luzes apagadas e passando mal, coisa que eu não fazia há séculos com disco nenhum? Pois agora eu te digo: Once I was strong but I lost the fight. You won't find a better loser. Agora, rumo à discografia do Eric Clapton, para preencher essa lacuna na minha existência, e à biografia também, porque aquela história dele fazer um disco inteiro pra mulher do George Harrison deve ser estudada sempre.

Enfim, é isso que está atrasando minha vida cinematográfica. Em compensação, meu iTunes está ficando invejável. Eu mesmo teria inveja, se ele não fosse meu.

28.4.09

J.J. Abrams, a enganação

Com o lançamento do novo "Star Trek" se aproximando, chegou a hora de mais uma vez espinafrar J.J. Abrams e provar que ele é a maior enganação da indústria do entretenimento. Vamos aos fatos:

1. CURRÍCULO
Antes da fama no mundo nerd, Abrams foi roteirista de filmes ruins como "Uma Segunda Chance", "Eternamente Jovem" e "Armageddon". Vendo que a coisa estava difícil no cinema, foi para a TV e criou duas séries meia-bocas, "Felicity" e "Alias". Então ele percebeu que tinha um talento: enganar nerds.

2. LOST
A maior enganação de Abrams ainda está no ar. Dizem que a série tem alternado bons e maus momentos, mas eu desisti de tudo no começo da segunda temporada, mais precisamente quando o Locke resolveu digitar aqueles numerinhos ao invés de esperar pra ver o circo pegar fogo. Também me irrita o recurso dos flashbacks alternar o caráter dos personagens conforme a conveniência do roteiro. É tipo uma grande armação onde roteiristas e fãs estão mancomunados e, como Fox Mulder, "querendo acreditar". Eu tô fora dessa panelinha.

3. MISSÃO IMPOSSÍVEL 3
Começa com uma grande cena de suspense que sustenta todo o resto do filme até o final jogar tudo no lixo e se revelar mais uma enganação. Toda a estrutura do filme se baseia na tensão causada pela morte iminente da mulher de Ethan Hunt, mas na cena final, ora, não era ela, era alguém com uma máscara. Vai se foder. Assim é fácil. Se o Ethan Hunt acordasse suando de um pesadelo não seria tão forçado.

4. CLOVERFIELD
Ok, eu gostei da mistura de "Godzilla" com "A Bruxa de Blair", mas Abrams só produziu.

5. FRINGE
Nunca vi, mas a sinopse é tão "Arquivo X" que dá raiva. Como se as viagens conspiratórias de "Lost" já não fossem uma "homenagem" suficiente.

6. STAR TREK
Tudo leva a crer que ele vai usar o Spock original, Leonard Nimoy, voltando no tempo para contracenar com o Spock novo. E então haverá algum paradoxo no fluxo espaço-tempo que vai alterar todo o futuro dos personagens, simplesmente apagando tudo que aconteceu em todas as séries, filmes, quadrinhos, livros e o cacete relacionados a "Star Trek" nos últimos cem anos. O que permite que Abrams faça o que bem entender com a série daqui pra frente, sem nenhum compromisso com a coerência. Mesmo que eu não dê a menor importância para "Star Trek" (todos sabemos que "Star Wars" é infinitamente superior), alterar mitologias consagradas para justificar liberdades criativas é o que nós chamamos de HERESIA.

Amigos trekkers, se aparecerem sabres de luz no segundo filme, não se espantem. É certeza que o glorioso J.J. Abrams vai ter uma boa explicação pra isso.


Muito a aprender você ainda tem, jovem padawan. (créditos da foto)

Serviço de porco



A gripe suína apareceu outro dia e já não se fala em outra coisa. Ofuscou até o Ronaldo Gordo e o vindouro título invicto do Corinthians. Só uma catástrofe global é capaz de ofuscar uma catástrofe regional. E nem podemos mais fazer piadinhas dizendo que o primeiro caso de gripe suína no Brasil foi a amarelada do Keirrison.

No Fala Brasil de hoje, um médico dizia que você só deve se preocupar caso tenha voltado do México recentemente ou entrado em contato com alguém que veio de lá. Mas a repórter não queria saber disso, ela queria os sintomas, o procedimento, o tempo de vida que nos resta, o caos. Aqui no meu trabalho todo mundo está com uma espécie de gripe que nunca sara há mais de um mês. Acho que já fomos todos contaminados, antes mesmo de virar modinha. Publicitários sempre ditam as tendências.

A notícia é que o vírus estava lá no México há algum tempo e os mexicanos tentaram abafar o caso. Só que algum porco contaminado cruzou a fronteira e, bem, você sabe como os americanos curtem um bacon. Bateu nos EUA, bateu no mundo. Agora a crise do porco está devidamente globalizada, nível de alerta 4, isolem a área, fechem as fronteiras com o México, todos os restaurantes mexicanos de São Paulo e o Palestra Itália, por precaução.

No ano passado eu achei que o mundo fosse acabar com o Grande Colisor de Hádrons. Grande fiasco. Não aconteceu nada. No máximo, abriu-se um portal para uma dimensão paralela que aumentou o número de mulheres feias na rua (você não notou?). Eu preferia acabar com uma grande implosão cósmica vinda da Suíça do que com um vírus lazarento vindo do México. Ficção científica européia versus novela mexicana com doença fatal.

Que estamos vivendo o epílogo do mundo, isso é óbvio. Mas precisava ter um clímax tão chato?

27.4.09

Nesta longa estrada da vida

"Sounds of the universe" (Depeche Mode)


Meus conhecimentos sobre Depeche Mode se resumem ao nível básico dos hits da MTV, nada além disso. Sempre achei que fosse uma espécie de INXS que durou mais. Conhecer pessoas apaixonadas pela banda e descobrir que na Europa eles são enormes e lotam estádios me despertou a curiosidade, mas sempre com o pé atrás. Sabe aquele medo de ouvir discos novos do A-Ha e do Duran Duran? O álbum lançado esse ano, "Sounds of the universe", é o 12º da carreira da banda e não vai me transformar em fanático agora, mas é uma boa surpresa. A impressão que eu tenho é que o Depeche Mode tem um apelo pop muito forte nas melodias e no ótimo vocal, mas, na necessidade de atualizar o som da banda e não passar vergonha no meio eletrônico atual, os excessos da produção atrapalham. Assim, as primeiras faixas parecem remixes cujas originais seriam bem melhores sem tanta frescura. Depois de se acostumar com isso, "Wrong" e "Fragile Tension" agradam que é uma beleza. Ok, hora de procurar uma coletânea pra baixar. PS: Essa capa é o quê? Um pega-varetas?

"Fork in the road" (Neil Young)


Neil Young está de volta com um rockão cru, pesado e sem firulas. Despretensioso no formato (olha essa capa) mas pretensioso no conteúdo, "Fork in the road" (a famosa "bifurcação") é um álbum temático que narra a viagem do homem pelos Estados Unidos dirigindo seu Lincoln Continental modificado para funcionar com energia elétrica. A emblemática "Fuel Line" representa bem o conceito, ao lado de muitas canções com a palavra "Road" no título. Sim, o velho Neil Young está preocupado com ecologia e com sustentabilidade, mas não tema, ele não está se tornando hippie depois de velho. Ou voltando a ser, sei lá. A mítica rota 66 já viu muitos deles viajando com flores no cabelo e pedindo paz, mas Neil Young deve ser o primeiro roqueiro a defender o carro elétrico com tanto empenho. Sem ilusões aqui. Sua melhor faixa, "Singing a Song", revela que só cantar uma canção não vai mudar o mundo. Eu prefiro o Young caipira, aquele mais acústico, desiludido e introspectivo das belas "Off The Road" e "Light a Candle" do que o Young das guitarras sujas ou mais voltado para o blues do resto do disco. O esforço ecologicamente correto é bonito, mas a route 66 ainda combina mais com o cheiro de gasolina, poeira, rednecks, cerveja e hamburguer - que exala na boa "Behind the Wheel".

"Together through life" (Bob Dylan)


O deus Bob Dylan continua sua boa fase que já dura mais de uma década. Numa primeira audição, "Together through life" soa mais pra cima do que o anterior, "Modern times", ainda que a primeira faixa, a fantástica "Beyond here lies nothin'", diga que além disso aqui não há mais nada. A balada "Life is hard" comprova a tese na sequência. A vida é dura. Principalmente vivida sozinho. Claro que não se pode ser leviano ao analisar um disco de Bob Dylan. Há que se sentar e ouvir com atenção e analisar todas as letras e, mesmo assim, sem o devido tempo de maturação, você só vai arranhar a superfície. Então nem vou ser tão pretensioso agora. Sei que a banda ao redor de Dylan continua sublime como sempre, que as influências texanas-mexicanas do "Desire" aparecem aqui e ali entre banjos e acordeons, que "I feel a change comin' on" faz parte da série "The times they are a-changing" e "Things have changed", com o velho e sábio Dylan olhando o mundo e apontando suas mudanças, como sempre fez. Tanta bandinha por aí cansada da vida depois do terceiro disco e o compositor mais influente da música ainda tem muito a dizer, veja só. Com voz rouca e rasgada, de blueseiro chapado e debochado que viveu demais. A ponte com o passado no título encontra a capa perfeita: a foto de Bruce Davidson tirada em 1959 ilustrou do livro "Big Bad Love" de Larry Brown, um dos escritores preferidos de Dylan.

24.4.09

Case de comércio eletrônico

Ontem me indicaram o sebo online chamado Estante Virtual e me empolguei. Encontrei um livro fora de catálogo que muito me interessa (a saber, "Todos os belos cavalos" de Cormac McCarthy). Então começou a saga.

Fiz meu cadastro, preenchi os campos, todo aquele ritual de sempre. Loguei no site. Na hora de fechar o pedido, erro. Outra tentativa, outro erro. Outra, outro. Opa, deve ser o navegador. Nem tudo ainda funciona no Google Chrome. Opa, erro de novo no Firefox.

Ok, respira fundo, Renato. O livro vai valer a pena. Vamos tentar mais uma vez no "infalível" Internet Explorer. Deu certo! Agora vai. Forma de pagamento: a entidade que está vendendo ("lúmen lemniscata") não tem conta no Banco do Brasil, não dá pra depositar direto. Ok, normal, vou imprimir boleto.

Sou redirecionado até outro site para gerar o boleto, um tal de Pagamento Digital. Opa, outro cadastro. Como assim outro cadastro? Ok, sem preguiça agora, você não chegou tão longe pra desistir agora. Ah, o cadastro pede dados do RG, como a data de emissão. Eu não ando com o RG no bolso. Você anda? A carteira de motorista costuma resolver todos os meus problemas. Mas não tem data de emissão do RG na carteira de motorista.

Ok, eu desisto. Vou cancelar o pedido. Não tem como cancelar o pedido. Nem como deletar minha conta na Estante Virtual. O Pagamento Digital começa a me mandar e-mails pedindo pra que eu termine o procedimento. O inferno.

Chega então um e-mail da própria entidade que estava vendendo o livro, assinado por uma pessoa simpática. Finalmente estou falando com uma pessoa, não com sistemas de cadastros que disparam e-mails automáticos. Gentilmente, ela diz:

Vimos que você escolheu o livro "Todos os Belos Cavalos" e ele está reservado para você. Assim que gerar o boleto no Pagamento Digital e pagá-lo, por gentileza, avise-nos, para que possamos enviar-lhe o livro o mais rápido possível.

Gentilmente, eu respondo:

Agradeço o contato, mas perdi o interesse depois de ser direcionado ao site do Pagamento Digital e constatar que deveria preencher mais um cadastro com dados que não tenho em mãos agora, como a data de emissão do RG. Isso depois de perder muito tempo no Estante Virtual tentando fechar a transação, coisa que só consegui depois de tentar 3 navegadores diferentes. Sei que nada disso é culpa de vocês, mas talvez seja interessante vocês ficarem sabendo.

Mais uma vez, uma resposta gentil:

Muito obrigado por ter exposto para nós o que pensa. Encaminharemos o seu e-mail para a área operacional da Estante Virtual. De qualquer forma, estamos à sua disposição, lembrando-o que aceitamos o simples depósito bancário por meio do Banco Itaú ou Unibanco.

Achei que o assunto estava encerrado, então hoje eu recebo um e-mail da tal Estante Virtual, sem nenhuma gentileza:

Recebemos agora a confirmação do Lúmen Lemniscata de que você solicitou o cancelamento de sua compra. (...) Este cancelamento significa o estorno da comissão que nós cobraríamos do livreiro por termos ajudado a conectar vocês. Se contudo a compra foi/for feita, não deixe de reativar o pedido, clicando abaixo, para que nossa comisssão não deixe de ser honrada e possamos manter a Estante Virtual, bem como sermos recompensados pelo intenso trabalho que estamos realizando nesta revolução.

Considerações:
1. Ninguém da Estante Virtual me pediu desculpas pelo incoveniente, nem tentou me ajudar a concluir a transação.
2. Não sei se entendi direito, mas parece que eles suspeitam que eu finalize a transação diretamente com o livreiro, pra não ter que pagar a tal comissão.
3. O meu "intenso trabalho" também não foi recompensado, então estamos todos no mesmo barco.
4. Era pra eu sentir dó?
5. Revolução?

E, finalmente, a principal conclusão enquanto consumidor habituado ao comércio eletrônico, heavy user de internet e profissional da área: intermediários são uma merda.

O spam vai destruir o mundo

Deu no Metro de hoje: cada spam enviado consome energia, emite gás carbônico e colabora para o efeito estufa, levando nosso judiado planetinha cada vez mais cedo para o ralo.

Leia:

(Clique para ampliar)

A Hora do Planeta, os vegetarianos, o Greenpeace, o PETA, os alimentos orgânicos, as ONGs ecológicas, o Bono, o Thom Yorke, o Gabeira e todos que discursam sobre desenvolvimento sustentável que me desculpem, mas finalmente descobriram uma porcaria anti-ecológica que, se banida da Terra, só vai melhorar tudo. Deixem meu hamburguer e meu banho demorado em paz, pelo menos eu não envio spam. Ah, e eu separo o lixo reciclável também.

Sempre sonhei com esse dia. Sempre achei que o spam agredisse a natureza, só não sabia explicar como. Felizmente a McAfee deu um jeito nisso. Apesar de ter o maior cheiro de campanha pra vender antivírus, eu gostei.

Agora gostaria de expandir o conceito para todos aqueles e-mails com powerpoints anexos que ainda insistem em me mandar. Se um simples spam é tão devastador quanto uma serra elétrica, um e-mail com anexo de um mega deve ser o equivalente a explodir a bomba atômica na Amazônia. Pense nisso.

Chegou a hora de trocar aquela assinatura de e-mail corporativo politicamente correto que diz "antes de imprimir, pense em sua responsabilidade com o meio ambiente". O correto é "antes de passar adiante esta mensagem, etc.". Vamos banir o forward e salvar o planeta.

Sei que tenho colaborado para o fim do mundo com posts muito longos, que levam tempo pra ler e fazem o computador gastar energia. Por isso, em breve, vou matar este blog e abrir um twitter. Aproveitem os últimos dias.

Questão de credibilidade

Lembra daquele post elogiando o novo Globo Esporte? Confirmando a minha tese de que o Tiago Leifert é o cara mais gente fina da Globo, ele se deu ao trabalho de me escrever agradecendo. Respondi não acreditando muito, mas ele respondeu de novo dizendo que vai apresentar o programa hoje de calça jeans, moletom vermelho, sapato marrom e cinza, e passou até a pauta. Assistam pra confirmar se o Registro Dissonante está com essa bola toda mesmo.

23.4.09

Corrente Last.fm Fase 2

Está valendo! Agora o que conta são os Top Artists. Ou seja, não vale mais aquela desculpa de que "só tenho um artista nas top tracks".

O Top Tracks da Fase 1 continua valendo, é só você escolher na hora de fazer o escambo, ok?

Doravante, resenhas e comentários diretamente no last.fm. Vamos usar aqueles Journals pra alguma coisa útil. O tutorial está postado aqui.

Em tempo: meu CD-R Top Artists já está devidamente gravado, com os 18 melhores artistas da história da música e suas mais retumbantes canções.

E eu prometo que serei mais impiedoso nas resenhas daqui pra frente. No more mister nice guy!

22.4.09

Wake up, time to die



"Blade Runner" no 31 Filmes. É uma pena que você não vá ler. Mas afinal, quem lê?

20.4.09

Na alegria e na tristeza



Há algumas semanas eu botei na cabeça que queria uma camisa do Rogério Ceni. Achei que era dever moral e cívico. Afinal, o que meus netos vão dizer quando eu disser pra eles que não tenho uma camisa do maior ídolo da minha era no São Paulo? Você tem que pensar no futuro.

Aí veio a má fase do Rogério e a contusão que vai afastá-lo do time por 6 meses. Se o primeiro pensamento mesquinho e ordinário foi "ainda bem que não comprei a camisa", o próximo foi "muito pelo contrário, agora é questão de honra". Ah, a sabedoria que só o tempo proporciona.

Aí veio a dolorosa derrota para o nosso maior rival* no Estado de São Paulo. E faltando uns 10 minutos pra acabar o jogo, a torcida tricolor começou a cantar o hino sem parar, calando os 10% de frangas presentes e emocionando até o Cléber Machado da Globo, a maior torcida organizada do Ronaldo Futebol Clube. Uma das maiores provas de amor ao clube que eu já vi.

Como eu não estava lá, tinha obrigação de fazer a minha parte, de qualquer outro jeito. Então finalmente comprei minha camisa do Rogério Ceni, em plena segundona de cabeça inchada. Parcelei em 6x na SAO Store. Sei que esse negócio de crediário é muito coisa de corintiano, mas acho que o número vai dar sorte: 6 meses é exatamente o período em que o Capitão vai ficar em tratamento.

* Tabela de rivalidade do São Paulo FC
Quesito: número de títulos
a) Regional: Corinthians (soberano do Paulistinha e da Copa São Paulo)
b) Nacional: Flamengo (o penta único)
c) Continental: Boca Juniors (Libertadores)
d) Global: Milan (Mundial Interclubes)

17.4.09

Zé Roela

Antes de mais nada, releia os posts abaixo:

1. O anti-estatuto do futebol.

2. Futebol, uma lição de vida.

Agora, leia isso: "De tão fã de Ronaldo, são-paulino vai torcer pelo Corinthians no domingo".

Esse cara é uma vergonha não só para o São Paulo Futebol Clube, mas para o futebol no geral. Alguém que coloca um jogador acima de um time não torce para futebol. Deveria idolatrar o Diego Hipólito, o Tiger Woods, o Hugo Oyama, qualquer outro atleta que não defenda as cores de um clube.

Se o estatuto do futebol fosse sério, haveria critérios bem definidos para proibir alguém de torcer para determinado clube. Esse cara já estaria eliminado, proibido de usar camisa do Tricolor em lugares públicos, banido do Morumbi, vetado de qualquer discussão futebolística.

Nem o Rogério Ceni é maior que o São Paulo. Nem ele. Imagine o gordo. O Ronaldo é tão sem caráter que já defendeu as cores de rivais históricos como Real e Barça, Inter e Milan, modelo internacional e traveco de esquina. Então minha sugestão para o Zé Roela do Ano é que ele vá torcer pra Nike ou pra Brahma. Pelo menos para os patrocinadores, o Ronaldo permanece FIEL.

16.4.09

Que mal tem?



A morte da estrela pornô Marilyn Chambers reacendeu o debate sobre a importância da indústria pornográfica no meio cultural, educacional e sociológico deste mundo globalizado. Mentira, não reacendeu nada, eu só precisava de uma desculpa pra falar disso.

Nunca vi nenhum filme da Marilyn Chambers. Não por algum motivo ideológico e moralista, não senhor. É que nunca tive acesso mesmo. Eu bem que gostaria de ter visto. Você, criança, já deve ter ouvido falar na dificuldade que era conseguir material pornográfico nos tempos antigos, tipo a primeira metade dos anos 90. Todas as lendas são verdadeiras: não era fácil como é hoje. Ainda mais em Leme-SP, a 188 km da capital.

Em tese, as revistas masculinas só eram vendidas para maiores de idade. Os filhos cujos pais assinavam Playboy automaticamente se tornavam populares e ganhavam vários amigos. As bancas menores das vilas longínquas tornavam-se ponto de encontro da molecada que conhecia o vendedor. Porque a banca maior da praça principal era um local muito visado. Além disso, o Rubão, dono da banca, era amigo de todos os nossos pais e poderia nos entregar a qualquer momento. E veja, ainda estou falando das revistas de mulher pelada. Imagine os filmes pornôs.

Só que chega uma hora na vida do moleque adolescente que a revista não é mais suficiente. Nem os filmes da Sexta Sexy, que mais pareciam catálogos da indústria de silicone. O que a câmera não mostrava, da cintura pra baixo, era justamente o que mais interessava.

Não vamos culpar os pais ou os professores, por favor. Sem hipocrisia aqui. Ninguém quer ter aquela conversa constrangedora com o pai, que se senta na ponta da cama e diz "você está na idade de aprender algumas coisas". Ou corta o papo e leva o moleque direto pro puteiro, pra aprender na prática. Tudo isso só me lembra o pai de "American Pie". O pai, não a pie. Você entendeu.

Minha esforçada professora de biologia até que tentava. As poucas aulas de educação sexual acabavam em risos toda vez que ela pronunciava a palavra "pênis". No final das contas ela meio que desistia e só reforçava a mensagem principal que era "por favor, usem camisinha". Nem chegamos na clássica aula de vestir camisinha em uma banana. Talvez por isso um colega engravidou a empregada, mais ou menos na mesma época. Duplo azar: ela teve gêmeos.

É para ocupar essas lacunas da educação que existe a indústria pornográfica. Os primeiros filmes pornôs que você vê na vida são extremamente educativos. Não que você ache normal as performances dos atores profissionais, veja bem. É como ir a um nutricionista, ele vai te mandar cortar as frituras e os doces e o álcool, mas você sabe que não precisa seguir tudo à risca.

Os primeiros pornôs ensinam qual a função de cada um no processo. Onde as coisas se encaixam. Coisas que os livros não mostram. Ver imagens de sexo em um livro educativo é como ver aquelas ilustrações do que fazer caso o avião caia no mar. Ninguém mantém aquela calma colocando a bóia e a máscara de oxigênio, como se estivesse acostumado a fazer isso todo dia.

Os animais já nascem sabendo, porque o instinto os guia. O ser humano não, ele precisa ser melhor orientado. Porque os animais não têm amigas fofoqueiras, não vão sair comentando sua performance, dando notas no caderninho, discutindo a relação. E outra: animais só estão ali pra procriar. Não tem preliminares, por exemplo.

Então você assiste e aprende e não precisa passar por momentos embaraçosos com ninguém e nem vai rir, porque em filmes pornôs ninguém usa a palavra "pênis". Não é um manual maçante do tipo "now you put your penis here", e sim o linguajar das ruas, o "fuck me baby". Assim o filme pornô cumpre seu papel de garantir a perpetuação da espécie.

Já tenho mais de 30, posso contar isso aqui sem medo de minha mãe ler. Eu aluguei alguns poucos filmes pornôs, mas morri de vergonha em todas as vezes. Provavelmente aluguei alguma sequência de "Máquina Mortífera" junto, pra disfarçar. Igual meu amigo que foi comprar camisinha no supermercado pela primeira vez e pegou um pacote de bolacha de morango junto. No meu caso não deu muito certo, porque eu era rato de locadora e o balconista sabia que eu não era adepto do lado pornô da força. Então ele fez questão de me avisar: "esse aqui é pornô, viu?". Ah vá, tiozão. Não me diga. Fala mais alto praquela menina ali atrás ouvir.

Não lembro que filme era esse, mas lembro que tinha a Savannah, a maior estrela pornô da época. Disso eu sabia porque lia nos guias de vídeo da Set e da Nova Cultural (do Rubens Ewald Filho), que inclusive citavam Marilyn Chambers como referência. A Savannah era a Sylvia Saint da época, chegou a ter casos com celebridades como Axl Rose e Charlie Sheen e depois se matou, tadinha.

O único título de filme pornô que me lembro dessa fase é o clássico "Bacanal em Malibu", que me marcou bastante porque um amigo (o mesmo da bolacha de morango) dizia "Bananal em Malibu". Ele não tinha a menor idéia do que era um bacanal. Eu também não, mas pelo menos eu fingia ter. Devia ser algo bacana, não?

Esse VHS rodou na mão da turma toda. Um outro amigo alugou numa locadora pequena de uma vila longínqua, depois de xavecar a balconista e fazer uma ficha fake com o nome, o endereço e o telefone do moleque mais zé roela da cidade. "Bacanal em Malibu" passou de mão em mão e jamais foi devolvido. Se aquela locadora ainda existir, eles devem estar procurando a fita até hoje. Imagine a multa, mais de 15 anos depois.

Veja, para ter acesso a pornografia, você tinha que desrespeitar a lei. E ter bons amigos. Amigos de verdade, que sabiam manter segredo. Amigos iguais aqueles citados pelo Jon Bon Jovi no clássico "Blood on Blood". Only brothers understand. Hoje é tudo tão sem graça que os amigos nem se ajudam mais. Eles se filmam comendo alguém, sobem no YouPorn e passam o link pros conhecidos do Orkut, pra ostentar a conquista. Acabou o romantismo da pornografia.

Essas são as minhas lembranças, os doces momentos de aprendizado. A partir daí, não é mais aprendizado, é safadeza mesmo. Nunca fui grande consumidor desse segmento, mas não critico quem é. É mais saudável (e barato) consumir pornografia do que consumir putas. Acho até que, se mais gente consumisse, mais gente viveria melhor, mais satisfeita, se é que você me entende. Imagine aquela tiazona amarga que nunca teve um orgasmo na vida. Imagine aquele tiozão estressado que nunca soube agradar uma mulher na cama. Meia horinha de Buttman poderia resolver isso.

Sem esse papo de gente mal amada que ataca a pornografia como "exploração da mulher" e blablabla. Homens, mulheres, gays, lésbicas, cavalos e bezerros estão todos sendo "explorados" igualmente para um bem maior - e ganhando dinheiro e sobrevivendo e se divertindo com isso. Até os filminhos caseiros amadores ensinam alguma coisa. Se a menininha deixou o namorado filmar e a obra foi parar na internet, ela que aprenda a selecionar melhor seus parceiros. Como Darwin já dizia.

15.4.09

O poder paralelo da Record



Ontem o "Fala Brasil" da Record, meu telejornal sensacionalista preferido para começar bem o dia, passou uma matéria bacana sobre a máfia italiana. Só a Record proporciona uma reportagem sobre crime organizado às 8 da manhã. Ao final da matéria, a surpresa: "estreia hoje a novela Poder Paralelo". A Record aprendeu a lição com a Globo: toda a sua programação gira em torno das novelas. Mandaram o Paulo Henrique Amorim pra Itália só pra divulgar a novela. E deu certo, porque fiquei com vontade de ver.

A Record está mandando bem nas novelas. A emissora do bispo está se especializando em novelas de gêneros, coisa que a Globo já fez bem lá na época das saudosas "Que Rei Sou Eu?" e "Vamp". Hoje a Globo apenas se limita a recontar a mesma história inúmeras vezes, mudando o cenário. Nem as divertidas e tradicionais novelinhas em cidades fictícias do nordeste existem mais. No máximo, eles refilmam alguma novela sertaneja ou de época pro horário das 6. Tudo muito chato.

A Record, não. Eles têm até departamento de efeitos especiais. Eu mal sei os nomes das novelas, mas sei que teve "a novela da favela", "a novela dos mutantes", "a novela dos bombeiros", e agora "a novela dos gangsters". Dizem que as novelas da Record são trash, mas não consigo imaginar nada mais trash do que os indianos da novela da Globo. Dizem que os atores da Record são refugos da Globo, mas eu prefiro mil vezes a doida da Paloma Duarte do que a Juliana Paes fantasiada com cara de choro.

Peguei o final do primeiro capítulo de "Poder Paralelo". Suspense, ação e sedução pelas ruas da Itália. Queria ver a tal explosão de um carro, que andaram divulgando por aí como o grande clímax dessa estreia. Foi a última cena da noite. Claro que não explodiram o carro importado de verdade. Claro que não filmaram em locação em uma praça movimentada de Palermo. Claro que foi tudo computação gráfica vagabunda com direito a bullet-time e pessoas voando em chamas ao redor, em uma tentativa de copiar aquela explosão de "A Senha: Swordfish". Mas quem se importa? Logo no primeiro capítulo já mataram a condessa, esposa do protagonista Tony Castellamare (foto acima), junto com a babá e, pasme, suas duas filhinhas gêmeas! Sem perdão! A máfia não perdoa.

Não vou me dar ao trabalho de seguir a novela religiosamente, mas sei que, quando estiver dando aquela tradicional zapeada antes de dormir, vou parar nela.

Enquanto isso, o SBT, o canal das reprises, reprisa "Dona Beija". Que vergonha. Alguém ainda quer ver a Maitê Proença andando de cavalo pelada?

14.4.09

Corrente - CD#5

E chegou também o quinto CD da corrente last.fm. Vamos a mais uma resenha:

User: fredericlsr
Blog: inexistente ou desconhecido.
Compatibilidade: Very High.
Status: leitor do blog.

Covardia, a lista do Fred começa com duas do "Achtung Baby": "Ultraviolet" e "Mysterious Ways". Poderia vir Banda Eva na sequência, que mesmo assim eu daria no mínimo 4 estrelas. Mas ainda tem "Zoo Station", Bruce Springsteen recente ("Devils & Dust" na quarta posição e "All the Way Home" na nona) e mais uma porção de clássicos incontestáveis. Led Zeppelin aparece 4 vezes ("Dazed and Confused", "Thank You", "Since I've Been Loving You" e "Communication Breakdown"). Beatles com "Come Together" e "Across the Universe". Rolling Stones com "Sympathy for the Devil". Guns com "Welcome to the Jungle". Pink Floyd com "Shine On You Crazy Diamond". E só, porque o Pink Floyd espaçoso ocupa quase 14 minutos e esgota o disco. Resumindo, o Fred coloca meus dois artistas preferidos (U2 e Bruce Springsteen) em meio a uma bela seleção Kiss FM, pra tiozão nenhum botar defeito. Só não dou 5 estrelas porque senti falta de pelo menos uma banda com menos de 20 anos, e porque minha paciência pra Led (a banda da Wanderléa) e Floyd (mesmo com só uma música) tem limite. 4 estrelas então.

Corrente - CD#4

Chegou o quarto CD da corrente last.fm. Vamos à resenha:

User: Metaphored.
Blog: Cyberlawyer.
Compatibilidade: Low.
Status: amigo on e off.

Compatibilidade baixa! Finalmente posso descer a lenha em alguém sem parecer incoerente comigo mesmo. A coletânea do Marcelo parece aqueles CDs de selo independente que vêm encartados em revistas. É legal pra conhecer um monte de coisas das quais você ouviu falar, mas não teve coragem de ouvir. O top começa com uma boa raivosa do Foo Fighters, "The Pretender". Continua com uma surpreendentemente bacana do Metric ("Too Little Too Late"), banda que volta no final da lista com mais duas ("Police and the Private" e "Empty"). Caso você não conheça o Metric, eu apresento: é tipo The Corrs, só que indie e canadense. Aí começa a overdose de bandas que copiam Joy Division e/ou Smiths e eu tenho preguiça de todas elas: The Subways ("Alright", "Strawberry Blonde"), Editors ("An End Has a Start", "When Anger Shows" e "Bones") e o campeão da categoria, o Interpol ("Pioneer to the Falls" e "No I In Threesome"). No meio disso tudo tem duas bandas das quais eu nunca tinha ouvido falar: Hooverphonic ("Eden", melhor música do CD) e M83 ("Teen Angst"). Assim, no meio de tanta novidade, Chemical Brothers já soa como clássico em "Saturate", assim como o Snow Patrol ("Open Your Eyes", música que ouvi umas 3 vezes na vida e já enjoei) e o Foo Fighters ("Come Alive"). A coletânea termina com uma boa do Yeah Yeah Yeahs ("Cheated Hearts"). Conclusão: no geral, o Marcelo é ótimo pra escolher DJs pra festas, mas seu bom gosto não se espelha no top do last.fm. 3 estrelas pra ele. Fui generoso só porque a música do Hooverphonic é realmente muito boa, rapaz.

There goes my hero



Todo mundo já sabe que o Rogério Ceni se machucou ontem no treino e vai ficar 6 meses fora. Ninguém comentou, mas o fato de o André Lima estar do lado dele na hora H não deve ser coincidência. Esse André Lima é zicado, precisa se benzer. Não é normal o cara ter duas pernas esquerdas, chutar com a panturrilha e ainda presenciar a queda do maior goleiro do mundo.

Apesar da má fase do RC, os adversários estão comemorando. Afinal, os maiores ídolos deles (Tevez, Gordo, K9) costumam pipocar diante do RC01. Teoricamente, ficou mais fácil. Porém, há o fator emocional. Agora todo o resto do elenco do São Paulo tem a obrigação de ganhar tudo que vier pela frente e dedicar ao Rogério. Perdemos o nosso maior ídolo, o líder em campo, mas ganhamos uma motivação extra. Força, Capitão! Vaza, André Lima! Vai, Bosco! Confiamos em você.

13.4.09

Futebol, uma lição de vida

A humanidade costuma reclamar da idade com que temos que escolher nossa profissão. Normalmente é entre os 16 e os 20 anos, quando não sabemos nada sobre a vida, muito menos sobre nossas aptidões, nosso futuro e como vamos nos encaixar no mercado de trabalho. Porém, carreiras, empregos e profissões vão e vêm. Ninguém reclama da idade com que temos que fazer uma escolha muito mais importante para nossas vidas: o time de futebol.

Normalmente é na infância. Normalmente é diretamente influenciado pelo pai, tio, avô, irmão mais velho. Normalmente ninguém muda ao longo da vida. Se muda, perde a credibilidade e é completamente eliminado de toda e qualquer discussão futebolística até o fim da vida. Eu só conheço uma pessoa que mudou de time depois de velha, e eu nem falo mais de futebol com ela. Automaticamente desclassificada. Morte súbita.

É uma das leis sagradas do universo: você escolhe seu time na infância e vai permanecer com ele na alegria e na tristeza até morrer. E ninguém reclama disso. Nunca vi ninguém xingando o pai pela escolha, culpando o pai por sua vida infeliz. As pessoas culpam os pais pela má educação, pelo abandono, por um monte de outras coisas. Mas ninguém culpa o pai pelo time. Isso não. Jamais. Você pode brigar com seu pai, sair de casa, fugir, mudar o sobrenome no RG, mas o time vai continuar lá. Ele já faz parte de você.

Imagine se fosse assim em todas as outras esferas menos importantes da vida. Imagine seu pai escolhendo sua profissão, sua esposa, sua cidade, seu corte de cabelo, seu gosto musical, seus cinco filmes preferidos, tudo enquanto você ainda é uma criança. E você nunca poderia mudar. A vida seria bem mais fácil. Foda-se a liberdade de escolha, esse conceito ocidental capitalista que só faz a gente dar cabeçada. Meu pai escolheu o time certo pra mim, por que ele erraria em tudo mais? Um pai sempre sabe o que é melhor para o filho.

Talvez a graça seja essa. Seu pai escolhe o seu time, o resto depende de você. É um fato: mesmo que seu time seja o mais vitorioso de todos (ou seja, o São Paulo), você vai perder mais do que ganhar. Títulos, pelo menos. Tivemos que jogar 37 campeonatos brasileiros pra ganhar "apenas" 6. Quer dizer que torcer para um time de futebol é aprender a conviver com a derrota. Você não vai ganhar sempre. Todo ano, por melhor que seja, você vai ser eliminado de alguns campeonatos. Sim, você vai sofrer. A ideia é essa. E apesar do monopólio ideológico, não é só corintiano que sofre.

É essa a lição que você aprende com o futebol desde cedo. Com isso em mente, você é capaz de lidar com dificuldades no trabalho, desilusões amorosas, gente louca e mau caráter, problemas de saúde e tudo mais. Como diz um amigo meu que entende do assunto, na vida você já sai perdendo. Tá um a zero pros caras, então vai pra cima deles, porra.

E tem gente que ainda acha que futebol é só onze contra onze e bola na rede. "Vocês não entendem nada de futebol", diria Muricy Ramalho.

O mistério do escritório

Feriado na frente da TV a cabo, sem paciência para pegar séries complexas pela metade ou pra estudar a programação dos canais de filmes. Ou seja, como de costume, abraço as sitcoms.

Sem medo de errar, eu digo que "Two and a half men" é a melhor sitcom em atividade. Sitcom daquele modelo antigo, com praticamente um cenário só, risos contratados, poucos personagens. Charlie Sheen é ídolo. A Warner reprisa até não aguentar mais junto com "Friends", que eu considero superestimado, mas que também diverte.

Sério, alguém precisa derrubar esse mito. "Friends" é o "Barrados no Baile" das sitcoms. Entenda como quiser.

Não vi sitcoms na Sony, só o sempre bom Jon Stewart e um fraco Saturday Night Live com o John Malkovich de convidado especial.

Mas aí chegamos às comédias do FX. Adoro "My name is Earl", é uma série "feel good". Adoro os personagens, o conceito, os roteiros, o ambiente norte-americano podre, a trilha sonora e as participações especiais - ontem foi o David Arquette.

Já "The Office" é um caso estranho. Talvez seja a melhor série em exibição atualmente. Contando todas, não só as cômicas. Eu já nem sei se "The Office" é uma comédia. Às vezes eu penso que não. O constrangimento e a vergonha alheia estão ultrapassando os limites. As situações já saíram da área do cérebro destinada ao riso fácil, ali onde o Charlie Sheen domina, esparrama-se na poltrona e mija de porta aberta como o mestre Al Bundy ensinou.

Mas "The Office" é diferente. Ontem eu não dei nenhuma risada durante a meia hora do excelente episódio em que o Boss Michael pretende leiloar ingressos para o show do Boss Bruce Springsteen.

No último capítulo, quando a série acabar, o Dwight vai entrar no escritório metralhando o resto do elenco, e então todo mundo vai entender que "The Office" não é comédia. Nem o final de "Lost" conseguirá uma reviravolta tão bombástica.


Se "The Office" fosse o novo "Twin Peaks", o Dwight seria a Senhora do Tronco.

9.4.09

Presságio

("Knowing", 2009, Dir.: Alex Proyas)



Há muito tempo eu não entrava em uma sala de cinema aleatoriamente, sem saber absolutamente nada sobre um filme. Fugindo do trânsito paulistano na véspera de feriado, apostei minhas fichas mais no nome do diretor Alex Proyas (de "O Corvo" e "Eu, Robô") do que no de Nicolas Cage que, convenhamos, costuma se meter em muitas roubadas.

Não me arrependi. "Presságio" é um bom filme B de ficção científica. Pode parecer pouco, mas lembre-se que nem isso o remake de "O dia em que a Terra parou" conseguiu. Como boa parte dos suspenses e dos sci-fi dos últimos tempos, ele carece de uma resolução adequada, mas mesmo assim a premissa é instigante e, até certo ponto, bem conduzida pelo diretor.

Há 50 anos, uma menina perturbada escreveu uma série de números em um trabalho de escola. O material foi lacrado e guardado junto com os trabalhos das outras crianças em uma cápsula do tempo, que nada mais é do que o invólucro enterrado no pátio da escola, para ser aberto 50 anos depois. A tarefa das crianças é tentar prever o futuro. A menina perturbada leva a sério a brincadeira. O papel vai parar nas mãos de um menino perturbado nos dias de hoje, que não por coincidência é filho de um astrofísico desiludido, o professor John Koestler (Nicolas Cage). John não acredita no determinismo, acha que o mundo funciona por meio de acidentes aleatórios e coincidências sem sentido. Sua opinião muda radicalmente quando ele descobre, no papel do passado, códigos numéricos que previam todas as grandes tragédias do mundo desde então. O que era desconfiança torna-se certeza quando John presencia uma dessas tragédias, em uma sequência absolutamente fantástica.

Sabemos que o Nicolas Cage é canastrão, mas ele funciona bem como o homem comum (o "regular guy") que sabe demais, papel eternizado por James Stewart em vários filmes do Hitchcock. Proyas se aproveita disso e emula o mestre em vários momentos, contando com a boa colaboração da trilha de Marco Beltrami, que copia Bernard Herrmann até não poder mais, misturando elementos clássicos das trilhas de sci-fi dos anos 50.

Infelizmente, o conceito bacana vai perdendo força conforme a conclusão vai se aproximando. O que era "Número 23" pega um pouco do "O Código Da Vinci" e um muito de "Guerra dos Mundos" (o cartaz é tão parecido que irrita), mistura tudo isso com o aquecimento global e então você conclui que também não é coincidência a Rose Byrne ter feito "Sunshine - Alerta Solar" há pouco tempo. Um clímax carregado de sentimentalismo nos faz ter saudade de "E.T." e mostra que Proyas está tentando dar um passo maior que a perna ao copiar Hitchcock e Spielberg no mesmo filme. Pra começar, Spielberg certamente arrancaria uma atuação melhor daquele garotinho.

"Presságio" não é tão ruim quanto sua campanha de divulgação pode fazer parecer, nem tão bom quanto sua primeira meia hora dá a entender. Mas é uma matinê decente, mesmo que eu tenha visto à noite. Caso queira arriscar, sugiro que você siga o meu exemplo e não veja o trailer abaixo. Assim como a tal cartinha do passado, ele entrega todas as surpresas do presente.

Trailer:

8.4.09

Bullet Time



Esse tempo está passando rápido demais. Dia 31 de março, "Matrix" completou 10 anos. Uma década. Foi outro dia que fui ver, lá em Campinas ainda. Depois eu revi e revi e revi até saturar.

"Matrix" surgiu como quem não quer nada. No começo só tinha alguma notoriedade por causa do moleque que entrou no cinema metralhando pessoas, inspirado no filme. Depois todo mundo esqueceu dessa história e "Matrix" virou parte da cultura pop. No ano da volta de "Star Wars", parecia que alguém tinha inventado um substituto à altura pra saga de George Lucas. "Matrix" ofuscou o tão aguardado Episódio I. Não podia ser tão bom.

E não era mesmo. Quer dizer, o filme revolucionou muita coisa. Os efeitos especiais, principalmente. O resgate de Morpheus continua sendo uma das minhas cenas de ação preferidas do cinema. Mas com o tempo todo mundo foi descobrindo as referências. Mangás, cultura cyberpunk, Philip K. Dick, filosofia, kung fu. E no final das contas os irmãos Wachowski não eram tão geniais assim. Eram bons assimiladores de referências, os Tarantinos da ficção científica. Existe um valor enorme nesse dom, não nego, mas é fácil ele se perder caso você faça duas sequências sem pé nem cabeça, chatas pra burro, geeks demais, pretensiosas demais, emitindo cheques que não podiam pagar. A "bolha" da Matrix estourou. Então o predestinado Superman era só um antivírus?

A trilogia "Matrix" rapidamente provou seu próprio veneno. Se o primeiro filme tinha ofuscado "Star Wars", suas sequências foram ofuscadas por "O Senhor dos Anéis". No final das contas, 10 anos depois tudo passou e ninguém conseguiu substituir "Star Wars". A lição aprendida é que só o George Lucas pode se dar ao luxo de errar e continuar no topo. Na minha opinião, "Matrix" se queimou tanto que não conseguiu superar nem "Blade Runner", outro marco estético e filosófico da ficção científica.

Mesmo assim, a memória do impacto do primeiro "Matrix" permanece firme e forte, com todos os seus ícones bacanas, seu conceito pretensioso, seu ideal nerd do hacker salvador do mundo, justamente naquele momento em que a internet começava a mostrar a que veio. Um dos grandes filmes hollywoodianos dos anos 90, ao lado de "Pulp Fiction" e "Clube da Luta".

Bônus track: Matrix Revisited aqui.

Smoke on the water



Agora que a lei seca virou essa espécie de Keirrison da legislação brasileira - a.k.a. fogo de palha! - eis que resolveram aprovar a tal lei antifumo, restringindo os locais onde é permitido fumar.



Nunca fumei, sou completamente a favor da lei e nem venha me chamar de egoísta. Todo fumante é que é um egoísta por definição, já que não se importa em espalhar sua desagradável fumaça no ambiente alheio. O que eu mais odeio no mundo é gente espaçosa, e ninguém é mais espaçoso do que o fumante.



Eu sempre fui o amigo mala anti-cigarro. Aquele que tosse, que reclama na mesa de bar, que pede por gentileza pro amigo direcionar a fumaça pro outro lado. Nesse ponto eu sou igual ao amigo mala vegetariano que quer convencer todo mundo a comer alface durante a churrascada. Até hoje não perdi nenhum amigo com isso. E olha que eu tenho muitos amigos fumantes. Já namorei fumante, até. Já namorei corintiana, também. Eu sou um rapaz tolerante e vou pro céu. Deus há de me recompensar.



Nunca consegui fazer ninguém parar de fumar, mesmo com toda a minha insistência. Também nunca obriguei ninguém. Quer se estragar, estrague-se. Só vire a fumaça pra lá, por favor. Eu não costumo peidar em público e assoprar a bufa para as pessoas ao redor. E veja, mesmo que eu fizesse isso, o peido não causa câncer, até onde eu sei.



O povão está reclamando bastante da nova lei, mas vamos seguir o sempre bom exemplo europeu. Minhas experiências européias não são tão abrangentes assim, mas o pouco que vi foi lindo. No aeroporto de Barajas, em Madrid, não se fuma. Tem um cercadinho de vidro lá no meio (a.k.a. "jaula"), onde os fumantes se acotovelam no meio da fumaça. Parece uma câmara de gás. É nojento. É adequado. É lindo.



Em Berlim, existem as casas noturnas que permitem e as que proíbem. Voltar pra casa da balada e notar que sua roupa não está fedendo a cinzeiro podre é uma glória indescritível. Principalmente se você mora sozinho, ou está viajando de férias, ou não tem tantas roupas assim, ou todas as alternativas anteriores.



Quer dizer que a Europa já está na nossa frente, pra variar. Mas não, a gente tinha que seguir o exemplo norte-americano, o modelo Hollywood do cigarro cool e sedutor. A alemã Marlene Dietrich só está fumando na foto acima porque foi pra Hollywood. Felizmente tudo isso ficou para trás já nos anos 90, quando "Arquivo X" popularizou a imagem do fumante como um sujeito vil, filho da puta e doente. Pegaram pesado, mas mesmo assim não foi todo mundo que entendeu.



É uma pena que o destino da lei antifumo seja o mesmo da lei do silêncio ou da lei seca. Vai virar fumaça. Pelo menos na minha casa, essa lei já vigora há tempos. É pra isso que serve a sacada.

B9

O Big Brother 9 foi um dos únicos que não acompanhei. Não gostei do povo, nem das regras novas, da casa de vidro, da terceira idade, da inclusão de novos participantes no meio do programa. Achei isso tudo muito Sílvio Santos. Além disso, a moça mais bonita saiu logo na primeira semana.

Mesmo assim tive que ver o último capítulo, só pra não ficar totalmente por fora do assunto. Aquela retrospectiva do programa é sempre muito boa. Os clipezinhos com os melhores momentos dos três finalistas também. O tal do Max saiu beneficiado pela edição, já que encheram de músicas novas do U2 no seu clipe. Teóricos da conspiração podem dizer que a Globo ajudou o cara com isso. Mas veja, ele não tem as coxas da Priscila, nem pagou peitinho como a Francine. Alguma vantagem ele tinha que ter.

Apesar de eu ter previsto que em 2009 uma gostosa finalmente venceria o BBB, foi mais um zé roela que venceu, por uma margem ridícula de 0,24%. Zé roela sim, porque ninguém tatua "maximize-se/minimize-se" nos braços a toa. Do pouco que vi do programa ao longo dos últimos meses, minha impressão sempre foi que esse cara era o engraçadinho da casa, aproveitando a semelhança física com o filho do Lúcio Mauro.

Não foi um BBB memorável. A maior vilã foi quem? A chorona da Ana, que ao invés de agarrar um macho se escondeu debaixo da saia da tiazona? Qual foi o maior barraco? Aquela briga da Fran com a menina do chuveiro, tão repetida ontem? Qual foi o grande casal? Max e Fran? Não dura mais uma semana. Que sem graça.

Gostei de ver os dois filhos de Francisco tocando na final, principalmente quando o Luciano disse que toparia participar do programa pra ganhar 1 milhão. Como se eles não ganhassem 1 milhão todo dia com suas fazendas, seus shows e suas promoções da Marabraz.

Outro grande momento foi a entrevista final da Priscila, aquela que meu barbeiro, o Agenor, chama de "cachorrona". Quando eu disse que não estava vendo o BBB esse ano, ele me recomendou: "assiste só pra ver a cachorrona, vale a pena". Pois ela estava lá abraçando a família e segurando os peitos no decote, quando o Bial perguntou o que ela aprendeu no programa. A resposta: "aprendi a valorizar as pequenas coisas, como a minha família". Má escolha de palavras, minha filha.

7.4.09

Corrente Last.Fm Últimos Dias

[Tutorial da corrente]

Se você ainda pretende participar da Fase 1 da Corrente do Last.fm, por favor, faça logo. Algumas pessoas ficaram de mandar e até agora nada. Estou ansioso pela Fase 2, que vai ser muito melhor e começa depois da Páscoa. Portanto agilizem.

Relembrando quem já participou da Fase 1: #1, #2, #3.

Hate to say I told you so

Eu odeio estar certo o tempo todo, sabe? Você se lembra do robô que era capaz de amar? Você se lembra da rebelião das máquinas? Você se lembra de "A.I." do Spielberg/Kubrick?

Pois está tudo encaminhado. O robôzinho da semana já tem até a cara do Haley Joel Osment.

E hoje uma gostosa deve finalmente vencer o Big Brother, conforme eu também previ.

Vou oficializar o Registro Dissonante como um blog de ficção científica, com previsões e tendências. Coisa de precog, mesmo.

6.4.09

Rock'n'roll never dies

Há 15 anos, Kurt Cobain dava um tiro na cabeça, deixando mulher viúva e filha órfã. O grande mártir do rock dos anos 90, o ídolo máximo de uma geração, o mito. Dizem que ele salvou o rock e que o rock acabou depois dele. Comparam o sujeito a John Lennon, suas camisetas vendem tanto quanto as do Che Guevara. Toda uma geração tendo um deprimido suicida como exemplo, não espanta que os emos estejam se proliferando por aí.

Mas o mundo dá voltas e a história não cansa de nos surpreender. No dia em que muitos relembram com dor no coração a perda prematura de Kurt Cobain, a notícia principal é que o Kiss tem uma imensa nova base de fãs, todos crianças, graças ao game Guitar Hero. E a criançada está brava porque não tem idade para ir ao show. Do Kiss. Não do Nirvana. Porque o Nirvana não existe mais. Porque seu vocalista preferiu morrer. Entendeu?

A lição a ser aprendida hoje é bem óbvia: o rock nunca morreu, nem precisa de mártires para se renovar. Precisando de ídolos, prefira aqueles que usam maquiagem e cospem sangue falso. É mais divertido. Kurt Cobain era real demais pro rock, por isso não aguentou o tranco. Agora deixem ele descansar em paz.

Alta fidelidade

O filme "Se Eu Fosse Você 2" bateu todos os recordes de bilheteria desde a "retomada", mas em breve deve ser superado. Vem aí a maior comédia do cinema brasileiro.

"A sensação de ir ao cinema ganha novas proporções e se aproxima da verdadeira emoção de ir ao estádio. "Fiel" é isso. Só para quem é."

Eu chorei de rir só com a resenha.

Ele Não Está Tão a Fim de Você

("He's Just Not That Into You", 2009, Dir.: Ken Kwapis)



Uma comédia romântica que gira em torno da fatídica ligação do dia seguinte. "Ele não está tão a fim de você" é basicamente isso, destrinchando todas as nóias sentimentais femininas no longo caminho entre o primeiro encontro e o casamento. São vários personagens interligados exemplificando cada etapa do processo.

No meio da confusão está Gigi (Ginnifer Goodwin, a primeira esposa de Johnny Cash em "Johnny & June" e uma Sherylin Fenn genérica), mocinha atrapalhada que só dá bola fora em sua incansável busca por um namorado. Ela tenta reconhecer os tais "sinais", identificar padrões, buscar exemplos e conselhos com amigas, tudo para compreender o pensamento masculino, mas no geral só consegue ser patética e obsessiva.

Ao seu redor, um elenco estelar de coadjuvantes: Jennifer Connely e Bradley Cooper são o casal que se casou cedo demais por pressão dela, neurótica, enquanto ele sobrevive conformado. Jennifer Aniston e Ben Affleck são o casal oposto, vivem juntos há anos em harmonia, mas ele se recusa a casar. Scarlett Johansson repete seu papel de "Vicky Cristina Barcelona", a moça solteira sexy e liberal que vira a cabeça de Bradley Cooper enquanto mantém um amigo apaixonado correndo atrás. Drew Barrymore, co-produtora, é a geek que procura homem na internet - responsável pelas melhores piadas do filme. E Justin Long é o dono do bar que veste a carapuça de conselheiro sentimental de Gigi - único personagem masculino mais "real" aqui.

Uma espécie de "Simplesmente Amor" com outro foco, "Ele não está..." aborda questões bem interessantes como a necessidade feminina de fazer dramalhão por qualquer bobagem e diverte bem mais do que a média dos filmes do gênero, apesar dos clichês de último capítulo de novela nos 15 minutos finais (com direito a clipezinho com música do Keane).

Para se entender o tipo de humor do filme, vale lembrar que o diretor vem da série "The Office", ou seja, a vergonha alheia domina e é o seu ponto positivo. Já o roteiro vem de outra série, "Sex and the City", o que explica seus pontos negativos: enfoque muito feminino, personagens masculinos mal trabalhados, excesso de glamour (exemplo: não existe gente feia na turminha, todos são bem sucedidos e bonitos). A personagem Gigi é tão sobrecarregada de exemplos errados que chega bem perto do limite de se tornar insuportável. Felizmente, o herói Justin Long (de "Duro de Matar 4") salva a donzela da chatice. Fazia tempo que eu não torcia tanto para um casal se dar bem no final.

Como bom filme produzido por Drew Barrymore, boas referências pop não faltam. John Hughes é homenageado por seu subestimado "Alguém Muito Especial" e, entre as várias liçõezinhas de mesa de bar, a mais marcante é a seguinte: se você for zé roela a ponto de confundir uma letra do Bob Dylan com uma do Bon Jovi e ainda colocá-la no seu perfil do MySpace, pelo menos a Drew Barrymore e uns três amigos gays vão achar isso muito sexy. Viu? Não são só as mulheres que têm o que aprender com esse filme.

Trailer:

5.4.09

W.

(2008, Dir.: Oliver Stone)



Oliver Stone continua firme e forte na sua pretensão de retratar a história recente da América. Ele já passou pelo Vietnã, pelo 11 de setembro, pelo assassinato de John Kennedy e pela vida de Richard Nixon, e não dá sinais de querer mudar de rumo. Seu último trabalho pretende ser a cinebiografia de George W. Bush, aquele texano fanfarrão que incomodou o mundo antes do Obama chegar, lembra?

Não acho que seja coincidência o fato dos melhores filmes do diretor de uns tempos pra cá não terem nada a ver com isso: "Assassinos Por Natureza", "Reviravolta", "Um Domingo Qualquer". Porque Oliver Stone é inegavelmente um cineasta talentoso, mas também sabe ser chato como poucos quando abraça a política.

"W." é uma colagem de momentos da vida do Bush filho (Josh Brolin, impressionante na semelhança e perfeito na voz), desde seus tempos de playboy texano inconsequente até as últimas decisões equivocadas na Casa Branca, já como presidente inconsequente dos EUA. Nessa jornada, a relação com o "papi" George Bush (James Cromwell) é tão importante quanto suas atitudes no poder, em sua maioria ligadas à invasão do Iraque e à guerra contra o terrorismo - os principais legados da família Bush.

Por não definir prioridades nisso tudo é que "W." não engrena. Não dá pra conhecer a fundo o personagem, nem entender toda a questão política. Sorte nossa que é tudo muito recente, então se você tem visto noticiários nos últimos 10 anos não vai ter problemas. Para as futuras gerações, "W." dificilmente será usado em aulas de história.

Numa atitude muito Bush, o roteiro de Stanley Weiser que abraçar o mundo em pouco mais de 2h de filme. Assim, em uma cena W. decide concorrer ao governo do Texas e na outra já está preparando o discurso de posse. O roteiro não-linear vai e volta no tempo, tentando justificar no passado as atitudes de Bush no presente. Por isso o eterno conflito com o pai e a tentativa de se mostrar capaz para ele têm o mesmo peso das dicas dadas pelos assessores Colin Powell (Jeffrey Wright), Condoleezza Rice (Thandie Newton), Donald Rumsfeld (Scott Glenn) e pelo vice Dick Cheney (Richard Dreyfuss). Todos muito bem caracterizados e parecendo paródia do Saturday Night Live.

Ainda assim, Oliver Stone não cai na facilidade de tratar seu personagem como um vilão. As cenas simbólicas envolvendo baseball (a verdadeira paixão de Bush) mostram que o cowboy vencedor se tornou um grande perdedor, na tradicional concepção norte-americana do winner vs. loser. O que, para Bush, deve ser muito pior do que ser pintado como um vilão, convenhamos.

Passando rapidamente por vários momentos importantes da nossa história recente (e deixando muitos outros de lado), "W." não tem a lucidez de "A Rainha", na descrição do caráter de seu poderoso protagonista. Afinal, como um caipira religioso e alcoólatra de raciocínio limitado se sente ocupando o cargo mais poderoso do mundo?

Aquela breve cena real de "Fahrenheit 11 de Setembro", quando Bush recebe a notícia dos atentados na escolinha e simplesmente não sabe como reagir, nos diz mais sobre o sujeito do que todo esse enorme esforço de Oliver Stone.

Trailer:

3.4.09

Set's dead, baby



Dizem por aí que a Set morreu mesmo, apesar de o blog do editor não citar o fato explicitamente. Ainda não entendi se aquele último post é brincadeira de 1º de abril ou um grande eufemismo.

Eu, que sou leitor desde 1989, deveria estar triste. Mas não estou. Na verdade foi um alívio. Eu andava assinando a revista nos últimos anos meio que por inércia, só pra manter a coleção completa. Como aquele relacionamento que está um lixo, mas que você mantém esperando que um dia melhore.

Agora a Set descansou em paz. Foi para o mesmo limbo da finada Bizz, para ser ressuscitada de vez em quando por aventureiros, idealistas e nostálgicos.

É uma pena que ela não vá viver. Mas afinal, quem vive?

Geração iPhone

Eu gosto de me manter alheio às novidades tecnológicas da telefonia móvel por dois motivos: primeiro, porque esse assunto geek demais me dá preguiça; segundo, porque a ignorância é uma bênção, e toda vez que vou na Claro trocar meu celular eu tenho uma agradável surpresa, fico achando que fiz um excelente negócio.

Mesmo querendo um telefone só pra fazer e receber ligações, com as promoções de troca de aparelho da Claro (também conhecidas como armadilha pra você ficar amarrado a eles por pelo menos mais um ano) eu já pego de graça aparelhos com câmera digital, mp3 player e todas aquelas outras tralhas que não servem pra nada.

Essa semana fiz minha visita anual à Claro pra trocar de aparelho. Minha dose anual de alegria gratuita. A Claro tem duas coisas que me mantêm fiel à empresa: primeiro, a lembrança do Claro q é Rock, o melhor festival de rock de todos os tempos; segundo, o Claro Clube, que dá desconto no Cinemark. É o que me basta. No geral, todas as operadoras têm seus problemas, seu péssimo atendimento, seus preços abusivos e tudo mais. Então eu me apego às poucas coisas boas que surgem pelo caminho. Uma lição para a vida, se você parar pra pensar.

O Claro Clube também acumula os pontos que me permitem trocar de aparelho todo ano. Então agora eu sou o feliz proprietário de um Motorola Rockr. Sempre tive bode da Motorola por causa do "Hello, Moto" (a segunda pior expressão publicitária - porque eu não tenho certeza de que isso seja um slogan - de todos os tempos, perdendo apenas pra "Gelaaaada" da Sol). Sempre fui fiel à Nokia, por causa da navegação mais inteligente de seus aparelhos. Porém, resolvi dar uma chance à Motorola dessa vez. Deve ter sido inconscientemente por causa dessa nova campanha "Loucos pelo U2". Eu sou influenciável.

Até agora, tudo certo. Não me arrependi. O layout do aparelho lembra qualquer coisa da Aliança Rebelde. Qualquer coisa com visual coreliano, branco sujo com cinza com toques de vermelho, de preferência meio enferrujado e demonstrando a decadência da República, me agrada na hora. A navegação é bizarra, mas dá pra se acostumar com ela. Diferente dos Sony Ericsson, Samsung e LG que exigem uma reversão total de seus conceitos sobre lógica, o Motorola é um pouco complicado, mas faz sentido. E é Rockr, um nome bastante poser, mas infinitamente melhor do que aquelas siglas que não querem dizer nada.

Mas não é 3G. Deixo o 3G para a minha próxima troca de celular. Aí vou aprender o que é isso, com aqueles tradicionais anos de atraso. Daqui a uns 5 anos é até provável que eu ganhe um iPhone de graça. Mal posso esperar.

PS: Este não foi um post pago pela Claro, nem pela Motorola. Eu até queria fazer parte daquela legião de "blogueiros famosos" que ganham cenzão pra postar coisas desse tipo, mas eu não faço. Se a Claro quiser me dar um bônus em pacotes de torpedos, eu aceito numa boa.


Referência de design.

2.4.09

Geração Winning Eleven

O GloboEsporte.com já é o melhor site de esportes do Brasil há algum tempo. Eu nem entro mais em outros, tá nos meus favoritos. Mas sempre achei que a versão televisiva do GE não correspondia à magnitude do site.

O GE da TV sempre foi um ponto de referência no jornalismo esportivo. Não para ver debates inúteis, discussões acaloradas, opiniões polêmicas e boatos infundados como todas aquelas mesas redondas. Mas pra ver o básico: gols, melhores momentos, concentração antes do jogo.

Uma das coisas mais emocionantes da minha vida foi o GE do dia em que o São Paulo ganhou o Paulistão de 89 do São José. Fizeram um clipezinho com uma música da trilha sonora de "Que Rei Sou Eu?", mostrando os jogadores do São Paulo como heróis entrando em campo. Gravei, assisti umas novecentas vezes. Aquilo me deixou mais orgulhoso de ser tricolor do que muitos títulos mais importantes que vieram depois.

Mas o clássico GE da hora do almoço estava naquele formatinho quadrado desde a época em que o Léo Batista ainda jogava bola no recreio. Não sei se foi o sucesso do mala Tadeu Schmidt no Fantástico, mas alguém resolveu dar uma rejuvenescida no GE. Tiraram a carranca, o mofo e as teias de aranha. Chutaram aqueles apresentadores cariocas insuportáveis que gostam de falar de futvôlei. Regionalizaram o negócio. Aqui em São Paulo entrou Tiago Leifert, o apresentador mais gente fina de toda a Rede Globo. Um cara tão legal que desafia pilotos, boleiros e outros atletas no PlayStation.

O programa de hoje foi particularmente sensacional. Eu nunca vi algum veículo brasileiro sério tirar tanto sarro da Argentina. Colocaram "hahahahaha" no letreiro, disseram que o Maradona foi o quarto melhor jogador de todos os tempos, zoaram a cara feia do Tevez, deram parabéns ao brasileiro naturalizado boliviano que fez gol ontem, foram entrevistar argentinos irritados em Buenos Aires... Enfim, sensacional.

Que o jornalismo esportivo brasileiro aprenda a tratar futebol com o novo GE. Eu espero que o programa esteja fazendo todo o sucesso que ele merece.

Love ain't no stranger

Dica do Churrasco na Laje: o Omegle é um chat que conecta você a algum estranho em algum lugar do mundo aleatoriamente. Fui testar o serviço e de cara encontrei uma sueca de 18 anos, já desiludida e querendo virar lésbica. Fiz minha boa ação do dia, em nome de toda a raça masculina, tentando manter uma jovem potencialmente gata (segundo o Google Images, ela pode ser assim) no caminho straight. Homens, me agradeçam. Também fiz uma propaganda enganosa sobre o homem brasileiro, melhorando nossa imagem no exterior. Lula, me agradeça.

Acompanhe:

You're now chatting with a random stranger. Say hi!
You: Hi!
Stranger: are you a male?
Stranger: hi
You: yes
Stranger: great!
You: what about you?
Stranger: girl
You: nice to meet you, girl
Stranger: whats up with you guys??
You: why?!
Stranger: sure you sleep with me but then never call back or want anything serious!
Stranger: thats rude.
You: that's not true
You: i always call back
You: you're dating the wrong ones
Stranger: really? then tell me how is it possible that i (18 y kinda hot girl) have never had a real boyfriend? guys arre horrible.. should be a lesbian for this..
Stranger: oh ive tried them all..
You: 18 y? you're young! don't give up on us
You: where do you live?
Stranger: sweden
You: i'm brazilian
You: here we all call back
Stranger: thats nice.. i'll come there next! lol :D
You: you'll be welcome!
Your conversational partner has disconnected.

1.4.09

Qual você escolhe?

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Eu já tenho minha escolha, mas não quero influenciar ninguém. Por favor, votos e justificativas nos comentários.

Dia da perna curta


O Smart e a Bicicleta
Upload feito originalmente por renatothibes
Parece mentira de 1º de abril, mas o Smart virá ao Brasil custando R$ 57.900,00. Ou seja, preço de carro de verdade.

A ideia do Smart e desses carros minúsculos, ao meu ver, é facilitar a vida nas grandes cidades. Em Berlim (foto), tem de monte. Estaciona-se o bichinho em qualquer buraco, e até na transversal. Ele é do tamanho de uma bicicleta (foto). É um carro que não atrapalha ninguém. Pense naqueles SUVs lazarentos que ocupam duas vagas no estacionamento do shopping. Agora pense no Smart e se apaixone por ele.

Só que aqui, o ponto de vista é outro. A explicação do marketeiro brasileiro é que o sujeito vai pra Europa, gosta do carro, e resolve comprar um por aqui. Como se fosse uma bolsa Prada. Supõe-se que, se ele foi pra Europa, ele é rico o suficiente pra pagar R$ 57.900,00 num carrinho.

Eu fui pra Europa, eu me apaixonei pelo Smart (e pelos Mini Coopers), mas eu não tenho R$ 57.900,00. Então acho que vou comprar uma bicicleta.

Ingênuo eu de achar que, trazendo os carros europeus pra cá, São Paulo ficaria com mais cara de Berlim. Ou que no mínimo o trânsito iria melhorar. Mas nós não merecemos. Nossa mentalidade é dos SUVs ostentadores que não precisam dar seta.

Eu quero ver é a bandidagem roubando esses Smarts no braço, carregando pra cima de uma Saveiro qualquer, enquanto a dona madame faz compras na Oscar Freire.