30.6.09

Enquete

Resultado da enquete dissonante da semana: qual a pior crise do momento?

1. A crise no São Paulo FC - 60%
2. A crise no Irã - 25%
3. A crise no Senado - 10%
4. A crise financeira - 5%

Isso diz muito sobre o perfil dos meus nobres leitores. Não sei se tenho orgulho da preocupação exagerada com o meu time ou se chamo o Ashton Kutcher pra dar uma lição de política para vocês.

29.6.09

A globalização do chupa

Sempre fui adepto do chupa a nível de argumento máximo de ataque ao adversário no fantástico mundo da sacanagem futebolística. Não tem nada mais revigorante do que mandar um chupa pra um rival. É terapêutico. Chupa porco. Chupa gambazada. Até o chupa bambi é divertido, mas esse eu não costumo usar.

Ontem foi um dia histórico, porque o chupa foi globalizado via twitter. O Brasil ganhou bonito dos EUA, de virada, e todo mundo procurou um norte-americano pra dizer chupa na internet. Ou "suck it", como eles preferem. O chupa entrou na lista dos tópicos mais discutidos, superando até o Michael Jackson. A campanha politizada #forasarney não teve tanto sucesso quanto o chupa.

O Ashton Kutcher, o maior twitteiro do mundo, adorou. Posso imaginar o Kelso dizendo chupa pro Fez e o Fez gostando da ideia. A Demi Moore também deve ter adorado.

Já um zé roela do Blink 182 não gostou nada da brincadeira, e sugeriu que "pescar com lança" entrasse na lista dos maiores tópicos também, em uma alusão pouco feliz sobre nossas origens indígenas. Além de emo, o cara é ignorante. Desconhece que seu país também era repleto de índios antes do John Wayne mandar todos eles pro quiabo. Todo mundo que já viu faroeste sabe disso.

E todo mundo que já viu um teen movie sabe que norte-americano não sabe perder. Não tentem colonizar o futebol, ianques. Comemorem o segundo lugar, porque perder pra todos aqueles oriundos do São Paulo Futebol Clube é sempre motivo de orgulho. Suck it, losers.


Junior Soprano, famoso adepto do chupa.

27.6.09

O Homem do Castelo Alto

(Philip K. Dick)



Costumo brincar com a hipótese de a Alemanha ter vencido a II Guerra, sempre ignorando os absurdos nazistas e priorizando as boas tradições alemãs, como a cerveja, os carros, as estradas, as ruas limpas, a organização, a educação e por aí vai. A utopia da brincadeira é: se a Alemanha tivesse vencido a Guerra, o mundo não seria essa bagunça que é hoje.

Em 1962, o escritor Philip K. Dick levou a brincadeira a sério e lançou um de seus melhores trabalhos, "O Homem do Castelo Alto". Nele, Alemanha e Japão venceram a II Guerra e dividem o mundo entre si, tocando o Holocausto não apenas entre os judeus, mas também em todo o território africano, enquanto mantém o resto do mundo em rédeas curtas. Os Estados Unidos não são mais Unidos, mas têm Autobahns e aviões-foguetes da Lufthansa.

"O Homem do Castelo Alto" é uma ficção científica diferente, que troca o tradicional exercício de futurologia do gênero pela hipótese de um passado alternativo. Dick ensina que sci-fi não precisa de viagens espaciais, alienígenas, robôs e armas a laser para fazer você refletir. Para narrar sua distopia, ele usa uma série de personagens que eventualmente se relacionam com maior ou menor importância no contexto geral, que envolve uma conspiração alemã para tirar os japoneses da "parceria". Afinal, os nazistas são incansáveis e não se contentam só com metade do mundo.

Mas esse complô político não é o mais importante aqui. O mais importante é a precisão histórica com que o autor destrincha os anos de pós-guerra sem abandonar seus temas preferidos, como a busca pela verdade, ou pela verdadeira identidade do ser humano, conceitos abordados em romances e contos que renderam filmaços como "Blade Runner", "Minority Report" e "O Vingador do Futuro". Alguém deveria nomear postumamente Philip K. Dick como "o inventor do fake profile".

Em "O Homem do Castelo Alto", não são só as pessoas que são falsas, agentes duplos disfarçados ou esquizofrênicos. A trama complexa envolve produtos falsificados que procuram resgatar uma memória perdida da América. Os personagens divagam sobre a carga histórica que uma peça de antiquário pode ter com a mesma devoção com que consultam obsessivamente o oráculo do I-Ching. A rígida tradição oriental domina a América e todos têm sérias dúvidas de caráter, vivem sob pressão, pisando em ovos, qualquer erro pode ser fatal.

Se fosse só isso, "O Homem do Castelo Alto" já seria genial. Mas então entra a habilidade de Dick em subverter todos os conceitos estabelecidos por sua própria história: ele insere na trama um livro dentro do livro, onde um autor perseguido (o tal homem do castelo alto) narra o que teria acontecido caso os Aliados tivessem vencido a Guerra...

Não é uma leitura fácil. Dependendo do personagem que conduz o capítulo, Dick abusa da linguagem rebuscada, porque afinal esses alemães e japoneses são mesmo certinhos demais. O autor também faz a festa de historiadores, sociólogos, psicólogos e todos os demais interessados na natureza humana, recriando a história e a sociedade do século passado, alternando diferentes pontos de vistas das mais variadas hierarquias e raças no processo.

A minha brincadeira vai continuar, mas daqui pra frente muito mais embasada.

26.6.09

Amazing stories

Pior sinopse de filme de todos os tempos, cortesia do Terra:

"Margaret (Sandra Bullock) é uma chefe muito dura com seus funcionários. Assim, constrói uma relação muito complicada com sua equipe. Ela, porém, é surpreendida por uma possível deportação, pois ela é Canadense. Ela, então, começa a procurar desesperadamente alguém para se casar. Depois de analisar hipóteses, decide ir para o altar com Andrew (Ryan Reynolds), seu assistente."

Fala que não deu uma vontade absurda de pagar vintão pra ver isso?

History

Top 15 melhores momentos da carreira de Michael Jackson. Porque não são só as boas músicas que fazem os mitos.

15.

Michael freak, já na sua fase Elvis Gordo.

14.

Michael fichado na polícia.

13.

Michael doing the baby-window in Berlin.

12.

O Rei do Pop casado com a Princesa do Rock. O casal #fail mais bem bolado da história.

11.

Michael e Macaulay. Esse sim um amor de verdade.

10.

A brasilidade moleque de Michael no Pelô.

9.

Michael rock'n'roll com Eddie Van Halen.

8.

Michael rock'n'roll com Slash.

7.

Com Quincy Jones e Steven Spielberg, o cara que não o escalou pro papel de Peter Pan.

6.

Michael e a irmã Janet no videoclipe mais caro da história.

5.

Michael moonwalking no Mega Drive.

4.

They didn't belong here.

3.

Michael "We are the world". No caso dele, "We are the children" também.

2.

Michael zumbi no melhor videoclipe da história.

1.

Michael criança no Jackson 5.

Love Story

Antes do Michael dominar as paradas de sucesso do além-vida, umas palavrinhas sobre Farrah Fawcett, a outra estrela que se foi nesta quinta.

A Pantera vivia com o ator Ryan O'Neil (de "Love Story") e lutava contra o câncer da mesma forma que a mulher dele no filme.

Isso é pra vocês me levarem a sério quando eu digo que a vida é um roteiro de cinema.

Sobre a perda da esposa, Ryan declarou: "É uma história de amor. Mas não sei como atuar nesta."

Rapaz, isso é triste.

25.6.09

Bloqueio

Eu ia escrever sobre os EUA aprendendo a jogar bola, puxando a sardinha para o poderio imperialista do Team America, fazendo relações mirabolantes com a milenar cultura norte-americana que nos deu o western, os gangsters, o rock'n'roll, a melhor música pop e o melhor cinema do mundo (oh yeah), apenas para irritar meus amigos, colegas e leitores vermelhinhos, mas fiquei com preguiça.

Eu ia escrever sobre nomes e apelidos e sobre a divisão interessante das pessoas que me chamam de Renato, de Thibes, de Rê (só mulheres ou parentes próximos, por favor), de Renatinho (pouquíssimos) e até de Bob (são só dois gatos pingados, piada interna), mas achei que isso não seria divertido pra mais ninguém além de mim mesmo. Puta assunto sem graça, na verdade.

Então eu abandonei o lado do cérebro destinado à criatividade e abracei o lado prático. Resolvi dar um passo além na já moribunda corrente do last.fm. Atenção para o projeto: vou gravar um CD de mp3 com todas as minhas músicas mais ouvidas dos últimos 4 anos. Ousado, não?

Quantas músicas vão caber no CD-R? Será este o CD definitivo criado pela raça humana? Será este CD-R a razão de ser do last.fm e do próprio formato mp3? Será que vou baixar "You're Beautiful" de novo pro CD ficar honesto ou finjo que não ouvi essa música lazarenta tanto assim na vida? Em breve, resposta para estas e outras questões fundamentais do nosso tempo.

23.6.09

A evolução da espécie

Cornetei tanto o MySpace outro dia que resolveram fechar os escritórios brasileiros. Agora, aqueles comentários sobre a parceria MySpace/IG ficaram ainda mais divertidos.

As coisas estão andando muito rápido na internet. Eu achei que o ápice da agilidade havia sido o Kimberlizer, feito menos de 24 horas depois da notícia da menina das 56 tatuagens. Agora, qualquer acontecimento ganha um site completo com loja virtual e tudo em questão de minutos.

Exemplos recentes:
www.foraluxa.com.br
www.voltamuricy.com.br
www.eutenhocerteza.com.br

É a função social da internet, indo muito além dos avatares verdes em protesto contra a crise nas eleições iranianas.

Antigamente (quer dizer, até umas duas semanas atrás), os geeks desocupados só se mobilizavam pra defender as funcionalidades do Twitter ou os produtos da Apple ou o seu navegador preferido. Estamos evoluindo.

22.6.09

A nobre arrogância tricolor

Então dizem que a torcida do São Paulo é ausente e mimada, mas quando eu respondo qualquer provocação sou chamado de arrogante. Se falar dos títulos e do patrimônio e das conquistas recentes é ser arrogante, então é isso aí, eu sou arrogante mesmo. Incorporei o personagem.

Passei o dia discutindo com adversários que estão comemorando a má fase do São Paulo como se fosse um título deles - ou um rebaixamento nosso. Eu chamo de má fase, porque "crise" ao meu ver envolve torcedores chorando no alambrado, rebaixamento, dez anos sem ganhar título, esse tipo de coisa.

Mas é claro que, no São Paulo, a crise é diferente. O nosso fundo do poço é diferente do fundo do poço dos outros. No São Paulo, uma eliminação e uma troca de técnico são motivos para se duvidar da seriedade do clube, de sua infraestrutura, de tudo que foi construído até então. Parece que vão limpar o salão de troféus e demolir o Morumbi.

O mundinho do futebol brasileiro é uma merda porque bom humor é confundido com arrogância e prepotência. Aqui os caras gritam "Obina é melhor que Eto'o" e tem gente que acha que eles estão falando sério. Você diz que Barcelona e Milan são fregueses, e os caras acreditam. Humildade é confundida com complexo de inferioridade.

Então você torce contra o time que está ganhando tudo, pra que ele tropece e você possa rir pelo menos uma única vez. Normal, eu também faria isso se estivesse do outro lado. Torcer contra é uma das graças do futebol. Sou da opinião de que quem não torce contra não tem por que torcer a favor. É o maniqueísmo que torna o futebol divertido.

O fato é que estão fazendo tempestade em copo d'água. Citando nosso presidente bêbado (o Lula, não o Juvenal), isso não é uma crise, é no máximo uma marolinha. Se a gente terminar o Brasileiro em décimo lugar com uma honrosa vaga pra Sulamericana, ainda assim não será uma crise. Ficar 5 anos sem ganhar do Corinthians, isso sim é crise. Será que a gente chega lá?

Eu não tenho medo, porque meu time não costuma ficar na fila. Nos últimos 5 anos ganhamos títulos com os quais nossos adversários sonham desde que nasceram. E isso tudo não vai se perder só porque estamos em uma fase turbulenta. No máximo, minha camiseta do 6-3-3 vai durar mais alguns anos.

A alegria descontrolada de nossos rivais só demonstra o quanto eles se incomodam com a gente. Nossa "crise" já ganhou mais IBOPE que a contratação do Ronaldo. Logo o Silvio Santos vai querer patrocinar. Talvez a Globo até volte a transmitir nossos jogos de quarta-feira. Se quando a gente é campeão ninguém fala mais nada, de tão normal que é, pelo menos agora estamos no centro das atenções.

Então chupa, porque só é arrogante quem tem motivo, quem tem lastro. E perdão pelo desabafo. Um amigo corintiano diz que o São Paulo é o irmãozinho mais novo e mais mimado, e ele tem toda a razão. Esse negócio de sofrer, ficar na fila e entrar em crise definitivamente não é a nossa praia.

Personality goes a long way

Sem querer apelar pra velha máxima do tiozão nostálgico ("no meu tempo era diferente") mas já apelando, eu devo dizer que tenho muito medo dessa nova geração que forma seu caráter e sua personalidade via internet.

Quando comecei a usar esse treco regularmente, eu já era "de maior". Teoricamente, eu já tinha uma base, uma bagagem, uma experiência de vida, por mais limitada que fosse. Eu fiz parte da última geração que aprendeu as vicissitudes da vida no modo offline.

Exemplos: eu já fazia top 100 filmes antes dos usuários do IMDb. Era um ranking mais puro, mais honesto. Era feito sem influência externa, de mim para mim mesmo, e não precisava ser compartilhado. Quando eu comecei a ouvir Bon Jovi era simplesmente porque eu gostava e nunca imaginei que passaria o resto da vida sendo hostilizado por ilustres desconhecidos por causa disso. Porque a opinião alheia simplesmente não importava. Agora pegue estes exemplos cinematográficos e musicais fúteis e aplique para todos os outros segmentos da vida.

Hoje tudo é compartilhado. Mesmo que você não perceba, recebe influências de todos os lados. Dos blogs que você lê aos amigos adicionados no Orkut. Todo mundo tem duas caras: o eu real e o eu virtual. O seu eu virtual pensa antes de escrever no MSN. O seu eu real fala besteira sem pensar. O seu eu virtual é um sedutor que envia flores e convida pra sair. O seu eu real engasga numa conversa de bar. O seu eu virtual lista escritores, músicos e cineastas preferidos. O seu eu real não abre um livro há dois anos, tem meia dúzia de CDs na prateleira e só viu um filme do Woody Allen na vida.

Por isso você sempre deve ficar com um pé atrás. Não confie em ninguém. Por trás de uma lista perfeita de escritores consagrados, existe uma pessoa insegura em busca de auto-afirmação e de amizades forçadas. Não se deixe enganar. Quem fajuta uma lista de filmes pode muito bem disfarçar o próprio caráter.

Virar fã de um artista no Facebook é fácil. Basta um clique. Eu respeito mesmo é quem tem uma história pra contar. "Eu gosto desse cantor porque meu pai ouvia quando eu era pequeno". Esse tipo de coisa. Dá um background para o personagem. A música preferida do pai da Scully é "Beyond the Sea", a música preferida da mãe do Maverick é "(Sittin' On) The Dock of the Bay". Esse tipo de informação demonstra que a pessoa tem um passado antes do filme começar. Ou antes da internet existir. Como eu sempre digo, a vida é um roteiro e você tem que seguir as regras pra não protagonizar um filme muito ruim.

Foi-se o tempo em que "fake profile" era um perfil falso com um nome qualquer e uma foto de outra pessoa. Esconder-se atrás de um apelido ou do anonimato é coisa de adolescente stalker. O grande problema do momento é você ter um perfil real, com seu nome de batismo e sua própria foto recém-tirada por sua novíssima câmera digital de 12 megapixels, e mesmo assim ser fake. Personalidade não é algo que se transmite pelo copy/paste.

19.6.09

A queda



A fumaça preta está saindo da chaminé do Morumbi. Muricy Ramalho não é mais técnico do São Paulo. Eu reclamei bastante do comandante nesse primeiro semestre e também nos primeiros semestres dos últimos anos. Mas fiquei triste agora. É como brigar feio com a namorada, mas não ter coragem de terminar. Até por falta de uma substituta melhor. Afinal, não tem nenhuma Megan Fox por aí louca pra ocupar a vaga.

Apesar das teimosias, da eterna escalação do Richarlyson, dos improvisos muito loucos, dos 11 volantes em campo, da falta de habilidade no mata-mata e de todos os outros defeitos, Muricy era sãopaulino de coração, foi formado no clube, discípulo de Telê, folclórico e com personalidade forte, de um jeito que não existe mais no futebol brasileiro. E ele nos deu três títulos brasileiros. Três. Na sequência. Eleito melhor técnico brasileiro dos últimos anos. Agora demitido por falta de "clima".

Enquanto isso, Washington, o bonecão do posto, é substituído no intervalo, vai pro vestiário, toma banho e vai pra casa, sem se importar com o resultado de um jogo decisivo de seu time. Washington deveria ter sido demitido antes do Muricy.

Bom, antes agora do que depois da vindoura derrota para o Corinthians. Pelo menos as frangas não terão esse gostinho de derrubar técnico nosso.

Vou guardar pra sempre na memória a imagem de Muricy batendo a mão no braço, chorando debaixo de chuva, comemorando um dos Brasileiros. E sua frase eternizada: "Isso aqui é trabalho, meu filho". E todas as entrevistas nos DVDs dos títulos, sempre cutucando o freguês Luxa e se emocionando com as conquistas. Porque no final o que fica na história são as vitórias. As derrotas fazem parte.

Eu sou assim mesmo, sempre guardo as boas lembranças das relações e deixo as porcarias de lado, pra servir de combustível só quando a saudade ameaça apertar. Quando terminarmos o Brasileirão em um honroso sétimo lugar, garantindo a vaga pra Sulamericana 2010, vou pensar: "puxa, pelo menos o Richarlyson não está improvisado na zaga".

Obrigado por tudo, Muricy. Boa sorte. Go on, get on with your life. Yeah, I will get on with mine. E que Deus nos ajude quando soltarem a fumaça branca, porque eu já estou com medo do que vem por aí.

PS: Luxemburgo, não ouse pular o muro.

Previsível



Libertadores 2010.

Palmeiras elimina Corinthians, como sempre.

São Paulo elimina Palmeiras, como sempre.

Qualquer outro time do Brasil elimina o São Paulo, como sempre.

Quem disse que o futebol é uma caixinha de surpresas?

18.6.09

MySpace Oddity

Nunca consegui gostar do MySpace. Talvez o negócio seja ótimo pra quem é músico, mas pra mim é só um site desajeitado, feio e complicado. Assim, fui direto do Orkut ao Facebook sem passar pelo MySpace. No meio do caminho, até pro Twitter eu dei uma segunda chance.

O MySpace veio oficialmente para o Brasil, já andou demitindo gente e agora foi parar no IG. De "maior rede social do mundo" a um novo UOLkut em poucos dias.

Qual a vantagem de uma rede social associada a um portal? Conteúdo do portal na rede? Interação da rede no portal? Eu publico o que eu quiser no Twitter e no Facebook, seja conteúdo do IG, do UOL ou do YouTube ou de um blog qualquer. Não é essa a graça da coisa? A função de um portal no processo só pode ser uma: pagar as contas. Afinal, até o queridinho Twitter vale bilhões, mas não rende um centavo.

A principal novidade que chega com a união IG/MySpace é uma tal de comunidade de futebol. Como tudo no MySpace, não entendi direito pra que serve. Não tem nem joguinhos como o imbatível Cartola do G1, tem uma votação para os melhores jogadores do Brasileirão e links para as notícias de futebol do IG. Pra que, Seu Queiroz?

Como na minha cabeça limitada o MySpace ainda tem a ver com música (tipo um Trama Virtual globalizado), não consigo entender o que o nobre esporte bretão está fazendo ali. Pensando bem, entendo sim. Orkutizaram o MySpace. Questão de tempo até criarem Buddypokes.

Saudades dos tempos em que uma rede social tinha um propósito claro. Como o last.fm: relacionar pessoas com gostos musicais parecidos. Agora o last.fm pertence à CBS e já andaram passando relatórios dos ouvintes para a temida RIAA (a Recording Industry Association of America, não a Rede de Informações Agroecológicas da Amazônia). Aquela simpática instituição que quer decretar pena de morte para quem baixa mp3. A essa altura eles já sabem tudo que você ouve. Em breve, eles vão bater na sua casa. Se você não tiver CD original de tudo que ouve, corra para as colinas. Nem na last.fm podemos confiar mais.

Eu perdi meu interesse pelas redes sociais desde que descobri sites como o Ning, onde você cria sua própria rede social. Você não precisa nem ter uma ideia, um propósito, um objetivo pra criar a sua própria rede. É só criar e esperar. If you build it, they will come. Um monte de gente vai lá, se cadastra, adiciona amigos, esquece a senha e assim mais um perfil zumbi vegeta pela internet. O futuro da internet é esse: trilhões de perfis zumbis entulhando servidores em algum lugar do mundo. Uma dúvida que eu sempre tive: o que acontece com seus perfis depois que você morre?

É muita rede social inútil por aí, então criaram também os sites que compilam todas as suas redes em um só lugar. Veja que beleza este chamado Me Adiciona, o pior nome desde o saudoso Flogão. Um amigo meu mandou e-mail para os responsáveis dizendo que o serviço até que é legal, mas o nome é tão ridículo que ele tem vergonha de passar o link pros amigos. A resposta dos caras: pode usar o atalho www.lookmeup.at que também funciona. Ou seja, eles têm consciência do péssimo nome que têm. Chegamos naquele ponto em que todas as boas URLs já foram registradas.

Sobre o MySpace no IG, não se prendam ao meu ponto de vista. Afinal, eu nunca gostei do MySpace. Veja o que os usuários, as pessoas mais importantes do mundo, estão comentando:

1. A DESLUMBRADA
De fato lidar com pessoas que estão escrevendo a historia do seculo 21 é outra coisa, parabens pela bela e inovadora idéia, estou dentro.

2. O SARCÁSTICO
Puxa, uma comunidade sobre futebol, que incrível!!!!! Quase não existe espaço para este assunto aqui no Brasil.

3. O BOTAFOGUENSE ABSTRATO
Parabens, é uma nova era. Força Fogão.

4. O ANTENADO
Já tenho o meu perfil no MySpace há muito tempo... MySpace humilha o orkut...

5. O ENIGMÁTICO
eu visito muito a IG... e adorei a novidade que ela arumou...sobre:musica que eu mais gosto...IG no topo

6. A INCLUSÃO DIGITAL
Bom, como vamos acessar e criar algo vai vim algum manual ou coisa assim para lermos e navegarmos sem problema,pois algumas mudanças de entrada de email já complicou muita gente, so peço para façilitar mais para os usoarios,obrigado.

7. EU QUERO TER UM MILHÃO DE AMIGOS
O IG, DEVERIA CRIAR UM CANAL IGUAL AO ORKUT, QUE TODOS NOS PUDESSEMOS ADICIONAR QUANTOS AMIGOS QUISER, AO INVEZ DO ORKUT QUE É LIMITADO A 1.000 AMIGOS. QUEM SABE ISSO PODE ACONTECER NO FUTURO!

8. O PUBLICITÁRIO OPORTUNISTA
Parabéns ao IG. Unir rede social com futebol dará muito samba para a publicidade on line. A (#nome da agência#) evm forte neste segmento milionário também. É uma forte tendência.

FAIL.

17.6.09

Set's alive, baby

Ao contrário do divulgado aqui, a Set não morreu. Foi só um coma passageiro. Fui avisado pela moça da editora quando liguei lá pra perguntar o que aconteceria com a minha assinatura. E também por um assessor de imprensa (ou assessor de blogs, no caso) que pediu minha colaboração pra divulgar a nova fase. Pois bem. A revista voltou rapidamente com outra equipe no comando e mudanças editoriais. O ponto negativo é que alguns bons críticos da turma anterior rodaram junto. Agora a Set conta com três colunistas que teoricamente deveriam dar uma "bagagem" à revista, mas que particularmente não me acrescentaram muita coisa nesta primeira edição. Espero que melhorem nas próximas. Outra mudança, essa tenebrosa, é a Orkutização da revista. A seção de cartas passou a ser a seção de mensagens do Orkut. Uma enquete na comunidade da revista escolheu os 10 piores filmes da década. E por aí vai. Isso não deve ser um bom sinal. Integração de revista com internet é necessário, mas dar voz à zé roelagem orkutiana é perigoso demais. Quando eu abro uma revista eu quero opinião relevante. E Orkut é sinônimo de irrelevância. Pelo amor de Deus, estamos em 2009, citar Orkut não dá credibilidade a ninguém.

Resumindo meu veredito: a Set voltou, mas sei lá se precisava ter voltado.

16.6.09

Same old songs

Na falta de assunto, boa música. Pequenas pérolas de sabedoria pop vindas de tempos mais felizes.



Um daqueles casos raros onde a versão é quase melhor que a original: Wilson Pickett cantando "Hey Jude" destrói. Neste vídeo, participação especial dos Bee Gees. Não é exagero, descobri novos significados pra música depois disso. Antes era "só" uma música linda, agora é praticamente um hino. Nem o Kiko Zambianchi faria melhor.



The Four Tops, minha boy band preferida, com "It's The Same Old Song". "It's the same old song, but with a different meaning since you've been gone" é meu novo verso metalinguístico preferido de todos os tempos. Porque as músicas mudam mesmo de significado ao longo dos anos. Ouça também: "I Can't Help Myself".



The Turtles é muito mais do que "Happy Together", agora conhecida pelo comercial do Ford Focus. Em "Can I Get To Know You Better", eles mandam um verso de extrema safadeza para moçoilas que só querem a sua amizade: "I know that you think of me as just a friend, but you don't know how friendly I can be". No final, ele diz que depois de um beijinho ele já sabe tudo que precisa saber sobre ela. Demais. Amizade de cu é rola. Ouça também: "Elenore".



Redescobri os Rolling Stones. É normal você pegar bode de "Satisfaction" e "Start Me Up" e todas as suas semelhantes, mas você não deve nunca, jamais, se esquecer de todo o resto da carreira da banda. Alguém me explica por que "Rocks Off" não está nas coletâneas, nem no repertório dos shows, nem tem versões regravadas por uma dúzia de outras bandas? Eu ia mencionar "She's a Rainbow" também, mas elogiar essa é chover no molhado desde aquele comercial da Sony Bravia. Quando não está ouvindo Macy Gray e Moby, publicitário também tem bom gosto musical, de vez em quando.



Depois dos Beatles e dos Rolling Stones, The Kinks é o maior representante da invasão britânica dos anos 60 e com certeza você já ouviu várias deles nas baladinhas alternativas retrô descoladas que você frequenta. É meio que obrigatório. Se a balada é de rock, toca Kinks. Se é de black music, toca James Brown. Mas os Kinks vão muito além desse mundinho. "Waterloo Sunset", do vídeo acima, é o máximo da perfeição pop que você vai ouvir na vida. Cante comigo: "Everyday I look at the world from my window..."



O Van Morrison é um cara muito louco e "The Way Young Lovers Do" é uma música muito louca, mas nesse vídeo ambos estão mais loucos do que o normal. Ainda assim, é um registro válido dessa música maravilhosa e subestimada. "Then we sat on our own star and dreamed of the way that we were and the way that we wanted to be." Tem verso mais lindo que esse? Ouça também: o "Astral Weeks" inteiro.



Encerrando o programa de hoje com um sensacional T. Rex do começo dos anos 70, cheio de glamour, estilo e moçoilas dançando como se ainda estivessem nos 60, sem saber que, em pouco tempo, os progressivos insuportáveis iriam foder com tudo.

Por que é que o tempo tem que passar, não é mesmo?

15.6.09

O vazio que resta



Não deixe o Nada consumir o seu mundo nesta segundona pós-feriadão. Leia sobre "A História Sem Fim" no 31 Filmes.

12.6.09

O Exterminador do Futuro: A Salvação

("Terminator Salvation", 2009, Dir.: McG)



Nunca um subtítulo foi tão perfeito. O novo exemplar da franquia "Terminator" salvou não apenas um dia dos namorados solitário, frio e chuvoso, mas também uma saga que parecia fadada ao esquecimento depois que seu papai, James Cameron, abandonou o comando e sua estrela, Arnold Schwarzenegger, virou governador da Califórnia.

"O Exterminador do Futuro" não tinha muita cara de mitologia. O primeiro e clássico episódio era uma ficção científica a um passo do terror, um filme de monstro envolvendo um robô assassino e uma viagem no tempo. No segundo, simplesmente um dos melhores filmes de ação da história (talvez o melhor), é que a coisa começou a se configurar. Tivemos mais relances do futuro, do dia do julgamento final, da guerra contra as máquinas. Apareceu a Snynet. Sarah Connor se tornou uma profeta do apocalipse. No terceiro, já sem Cameron e com um Schwarza envelhecido (robô velho é complicado), o tal do apocalipse chegou.

O tempo passou, uma série de TV foi criada (e devidamente ignorada) e agora chegou a hora de John Connor se tornar um herói, o mártir do qual tanto falaram. Não mais um moleque perturbado com uma mãe neurótica.

"O Exterminador do Futuro: A Salvação" é um filme de guerra, não só pela fotografia saturada que lembra "O Resgate do Soldado Ryan". As viagens no tempo ainda não existem. O que vemos agora é o pau comendo entre o que restou da humanidade (a Resistência) e as máquinas da Skynet que dominaram o mundo. O clima é de "Mad Max" com questões existencialistas de "Blade Runner", algo inédito na série. Afinal, todos os robôs mostrados até então eram apenas máquinas de matar. Com um herói predestinado a salvar o mundo que está longe de ser relutante e tem plena consciência de seu papel na História, "A Salvação" é tudo aquilo que "Matrix Revolutions" deveria ter sido.

Se Christian Bale é sempre competente no papel de herói e John Connor é o nosso Neo sem superpoderes, a surpresa fica por conta da inclusão de um novo personagem, Marcus Wright (Sam Worthington), condenado à morte que cedeu seu corpo para a ciência. Marcus é o Robocop, um replicante deslocado no tempo e um elo perdido na evolução dos exterminadores. No período em que se passa o filme (ano 2018) ainda estamos na era dos lentos e pesados T-600, mas a evolução para os T-800 (o governator como o conhecemos) é só uma questão de tempo.

Unindo as pontas entre o messias John Connor e o ambíguo Marcus Wright, o roteiro esperto coloca ninguém menos que Kyle Reese (Anton Yenchin), pai de Connor que você conheceu no primeiro filme, ainda um adolescente idealista em 2018. A escolha de Yenchin para o papel é perfeita: ele não só lembra o ator Michael Biehn como também Nick Stahl, que viveu John Connor com a mesma idade em "T3". O modo solene com que o filme trata seus ícones é algo a ser louvado, colocando-o ao lado de "Star Trek" no quesito "respeito".

Esses pequenos acertos fazem toda a diferença em "A Salvação". Apesar de um outro tom, que praticamente dá início a uma nova série, os ícones da trilogia anterior estão por toda parte, da trilha de Danny Elfman a uma participação especial bombástica - ainda que digitalizada - no clímax. Descobrimos por exemplo de onde veio a cicatriz no rosto do velho Connor (que vimos em "T2"), e também sabemos que ele continua curtindo o bom e velho Guns N'Roses que marcou sua infância, em uma breve cena que me pegou de surpresa e encheu meus olhos de lágrimas. Até a presença do canastrão Michael Ironside como o comandante da Resistência parece fazer uma ligação com a saudosa sci-fi de décadas passadas. Tudo embalado com efeitos especiais incríveis e um design de produção de cair o queixo.

Se não tem o talento de James Cameron (poucos têm), o diretor McG vai muito além de suas papagaiadas nos filmes das Panteras, arriscando-se até em alguns planos-sequência bastante ousados - preste atenção na cena de John Connor no helicóptero. Calando a minha boca, ele conseguiu fazer de T4 uma diversão movimentada, com ação non-stop, surpreendentemente emocionante e que abre novas perspectivas para os próximos filmes, quando enfim veremos, eu espero, John Connor fazer valer sua sobrevivência. Pra quem esperava um Terminator Revolutions, ou pior, um Exterminadores Detonando, tá bom demais.

Trailer:

10.6.09

Hearts breaking even

Nem tudo que se perde tem valor
Nem tudo que é bonito é amor


Depois de desmascarar a farsa da passeata dos solteiros (o gossip department do Registro Dissonante descobriu que a menina mais bonita nem sequer foi na passeata), devo voltar uma última vez ao assunto do Dia dos Namorados, pra encerrar o caso.

Neste último mês fiz uma série de estudos involuntários de casos e cheguei a uma conclusão: o Dia dos Namorados como o conhecemos é muito mais significativo para quem está sozinho do que para quem, de fato, está namorando. Eu conheço porque já estive lá, dos dois lados, e posso dizer: passar o fatídico dia acompanhado é bom, mas não é nada demais. Um dia como outro qualquer, com a obrigação de fazer algo especial que envolva filas enormes e presentes. Nada que você não faça nos outros 364 dias do ano. Ou seja, o Dia dos Namorados é o exemplo clássico do "só valoriza quem não tem".

Isso porque, para o solteiro, o buraco é mais embaixo. Existem três formas do solteiro encarar o Dia dos Creeps. 1. Tem aqueles que não se importam, que já se acostumaram com a solidão. 2. Tem aqueles que se importam demais e ficam deprês mamando leite condensado direto da lata, vendo comédia romântica na TV e ouvindo Barry Manilow, fazendo dramalhão estilo Bridget Jones ou enchendo a cara, cheios de auto-piedade. 3. Tem aqueles que se importam, mas fingem que não. Ou pelo menos tentam esquecer, passar batido pela data como se nada tivesse acontecido.

Seja qual for o seu estilo, a data é propícia para atitudes desesperadas e sentimentos ilusórios, portanto há que se tomar cuidado. Eu passei da fase de pedestalizar pessoas, mas não espalhem, eu tenho uma reputação a zelar. Entretanto, o fato de não ter pedestal não significa que de vez em quando não surjam interesses. E é aqui que está o perigo. Você pode chamar de interesse, paixão, amor, obsessão, escolha a palavra que quiser. Eu chamo de MacGuffin. Aprendi com o Hitchcock.

A MacGuffin (sometimes McGuffin) is a plot element that catches the viewers' attention or drives the plot of a work of fiction.

Encaremos os fatos: algumas pessoas surgem na sua vida apenas para ocupar uma necessidade do roteiro. É um elemento na trama, o seu objetivo na história. Poderia ser uma mala cheia de dinheiro ou um artefato capaz de desligar o escudo defletor da base inimiga. Não é amor. O amor é aquilo que acontece depois que os letreiros sobem, a música farofa acaba e o casal vai pra casa tocar sua vida.

Quando você aprende a reconhecer isso, fica bem mais fácil lidar com o fracasso. Pense nas suas tentativas frustradas de encontrar sua cara-metade como um videozinho do keyboard cat e a vida se tornará bem mais divertida.

Se ainda assim você desconfia que está amando, eu tenho um teste final pra tirar a dúvida. Assista ao vídeo abaixo:



Aos 1'57", o Chefe canta:

I love you, I love you, I love you, I love you I do
You whisper "Then prove it, then prove it, then prove it to me baby blue."


Se neste verso e no minuto seguinte de solo você pensou em alguém, teve calafrios e uma lagriminha marota surgiu no canto do seu olho, parabéns, você está amando. You have found her, go out and get her.

Se não aconteceu nada disso, não se preocupe. Pode ser que você só tenha um gosto musical ruim.

Epílogo: E você Renato, o que fará no Dia dos Namorados?

Eu pretendo ver algo bem romântico como "O Exterminador do Futuro 4" e comemorar meu aniversário de um ano sem óculos. Se nada mudou na minha vida sentimental, pelo menos posso dizer que passei o último ano tendo uma visão bem melhor da vida. Direta e indiretamente.

9.6.09

Pra ver a dupla passar

Continuando minha divagação sobre a música popular brasileira.

Aí que eu resolvi baixar umas modas de viola neste site bacana aqui, porque não existem torrents do Chrystian & Ralf nesse mundão globalizado e conectado e indie onde vivemos hoje em dia. E eu insisto: Chrystian & Ralf é a melhor dupla do Brasil. Eu vi todas as duplas famosas do final dos anos 80 e início dos 90 na extinta FAPIL (Feira Agropecuária e Industrial de Leme, sempre bom frisar) e não existe show melhor que o do Chrystian & Ralf.

Comprove:


Constatei que o problema da música popular brasileira (não confundir com MPB) é que a produção fica datada muito rápido, porque no geral é de uma pobreza desgraçada. Entendo muito pouco de produção musical, mas é muito fácil notar os sintetizadores, a bateria eletrônica, o tecladinho de churrascaria, tudo configurado para soar com a densidade de um arquivo midi. No máximo, um toque polifônico.

A história ensina. Letras cafonas tornam-se mitos. Melodias grudentas duram para sempre. Mas não há desculpa para um arranjo podre. Por isso, é sempre melhor pegar gravações ao vivo mais recentes dos seus artistas preferidos do passado. Deixe aquele vinilzão intocado na sua memória afetiva, é melhor. Mesmo no caso do meu exemplo preferido, o Renato Teixeira, prefira o "Ao vivo no Auditório do Ibirapuera" ou o "Ao vivo em Tatuí" do que qualquer gravação de estúdio.

O que me leva de volta à grande questão anterior: por que eu parei de ouvir música brasileira? Depois de muito refletir, cheguei à conclusão que alguns dos grandes culpados são gente como Emílio Santiago, Djavan e todos os artistas da Trama. Essa turma que só toca na Rádio Cinemark antes dos filmes. Na Rádio Pão de Açúcar o dia inteiro. Essa corja que deveria estar pra sempre confinada às colônias de férias. Esse povo denigre qualquer país. E não há versão ao vivo ou arranjo caprichado que salve.

Em tempo: a FAPIL acabou, mas vem aí a 4ª Festa do Peão de Leme, de 3 a 7 de setembro, com as presenças confirmadas de Fernando & Sorocaba (nunca ouvi falar, devem ser representantes do novíssimo "sertanejo universitário") e Eduardo Costa (pô, se ainda fosse o Hernanes). Aguardando os próximos nomes pra organizar a caravana.

7.6.09

Pequeno manual das pegadinhas de MSN

Seja você seletivo ou cercado de amigos da mais alta estirpe, você não vai conseguir fugir das estatísticas: 90% da população mundial é zé roela. Você tem que aprender a conviver com isso. Ou pelo menos se divertir com o fato.

Dê uma olhada na sua lista do MSN. Aquele monte de colega de trabalho que você adicionou uma dia só pra evitar um telefonema, e agora eles permanecem ali, com suas fotos das últimas férias na praia, com seu avatar sem camisa, com uma frase vazia e idiota embaixo. Aquelas pessoas do sexo oposto que você pretendia pegar um dia mas acabou desencanando e deixando lá no limbo com suas fotos na rave. Ou o pós-rave: a tradicional foto do filho bebê.

Os exemplos são muitos e variados. A única coisa em comum a todos eles é a certeza de que todos merecem ser zoados. Assim sendo, seguem algumas dicas preciosas de como tornar seu MSN muito mais divertido, pra acabar com o marasmo da segundona.

1. CONTAGEM REGRESSIVA.
Coloque agora mesmo uma quantidade aleatória de dias no seu nick. Ex: "Faltam 15 dias". Todo mundo vai achar que você vai sair de férias. Se alguém perguntar, responda "Não". Se a pessoa insistir e perguntar o motivo do nick, seja evasivo, diga que está ocupado e que fala depois. Mude o status pra "Ocupado" na sequência. Deixe o curioso com a pulga atrás da orelha. Amanhã, mude o nick para "Faltam 16 dias".

2. CIDADÃO DO MUNDO.
Coloque no nick ou no subnick o nome de uma cidade aleatória do mundo. Ex: BUCARESTE. Aguarde alguém perguntar se você está em Bucareste ou se vai pra lá em breve. Responda "Não". Se a pessoa insistir, siga as mesmas instruções do exemplo anterior. Você pode colocar mais de uma cidade, ex.: Bucareste/Praga, pra pessoa achar que se trata de uma turnê européia. Caso pretenda levar a brincadeira além, responda "Sim" e incremente o nick com um "Muito frio aqui em Bucareste!". Mas aí prepare-se para o pacote completo, subindo fotos de paisagens de Bucareste no Flickr e assim por diante.

3. FLOR MURCHA.
Coloque o emoticon da flor murcha no seu nick e espere as pessoas solidárias e preocupadas perguntarem o que aconteceu. Responda "Nada" e deixe a pessoa pensar que você está deprimido mas não quer se abrir. Logo ela vai concluir que você não quer o seu ombro amigo, talvez ela fique brava, magoada e até te bloqueie. Vai sair espalhando que você é um ingrato maldito, e isso é muito divertido.

4. ABSTRATISMO FAKE.
Pegue algum acontecimento absolutamente banal do seu dia e escreva de modo a parecer que existe uma mensagem subliminar ali. Ex.: "Acabou o açúcar, meu café ficou amargo". Muitos vão tentar decifrar. Cada um vai concluir uma coisa diferente. Vão falar que você está com saudade da ex, ou que você perdeu o emprego, ou que descobriu que tem câncer. Serve também com versos de músicas que não necessariamente fazem algum sentido. Aumente o poder de pulverização da mensagem postando a mesma frase no Facebook e no Twitter.

5. EMOTICON BIPOLAR.
Coloque um emoticon triste ao lado de um alegre no nick. Pode ser a flor murcha ao lado de smiles. Lagriminhas ao lado de um sol radiante. Faça combinações bem contrastantes. Misture os itens anteriores. Coloque "Bucareste" no nick e uma foto da Torre Eiffel no avatar. Mencione um verso do Bob Dylan e dê os créditos aos Jonas Brothers. Neste caso, não espere que os curiosos entrem em contato com você. É provável que eles fiquem com medo e simplesmente nunca mais falem contigo. Lembre-se: a ideia é essa.

(agradecimentos ao @vladrocha pela eterna contribuição)

4.6.09

Pra ver a banda passar

Não sei se foi o show do Renato Teixeira ou as más (hehe) companhias, mas andei repensando a minha relação com a chamada música popular brasileira. Quando você se emociona tanto ouvindo "Romaria" ou com o fato de um amigo ser amigo do cara que tocava com a Elis Regina, não tem como não repensar algumas coisas.

Apesar de meu top 50 do last.fm não me deixar mentir, eu sou brasileiro, eu nasci aqui e não tive como fugir. Eu ouvi muita música brasileira a vida toda. Assim sendo, resolvi resgatar alguns momentos emblemáticos do início da minha existência, quando graças a minhas irmãs e meus pais eu ouvia mais, muito mais do que o Balão Mágico:

1.
Minha primeira paixão platônica na infância foi pela Elis Regina. Aqueles especiais dela que passavam na Globo acabavam com meu coraçãozinho. Era amor. Não lembro qual foi minha reação quando ela morreu, provavelmente eu não entendi o que aquilo significava. Mas eu falava pra quem quisesse ouvir que, quando crescesse, me casaria com a Elis Regina. Só depois que entrei no pré é que fui me apaixonar por menininhas da minha idade. E vivas.

2.
Eu aprendi a ler e a escrever em casa com a minha família, antes de entrar na escola. E naquela época eu sabia de cor algumas músicas, bem complexas diga-se de passagem, de Chico Buarque e Milton Nascimento. Além da Turma da Mônica, eu lia os encartes dos LPs. Fala sério. Comecei bem. Chico Buarque, Milton Nascimento e a Dona Bete (minha professora de português) são os principais responsáveis por eu ter um emprego de redator hoje.

3.
Meu primeiro disco foi o LP "A Arca de Noé" do Vinicius de Moraes. Orgulho. Respeito. Tem gente que acha supercool ter começado direto com Led Zeppelin, como se fosse bonito perder a infância desse jeito.

4.
Uma das minhas maiores diversões na infância era ouvir toda a coleção da Taba. Eram livros ilustrados que vinham com trilha sonora: uns disquinhos com o melhor da MPB. Cada música ajudava a contar as histórias. Aquilo era demais e me arrepia só de lembrar. Backyardigans de cu é rola.

5.
Os primeiros shows que vi foram do Jair Rodrigues (na FAPIL - Feira Agropecuária e Industrial de Leme) e Elba Ramalho (em Araras).

Eu sei lá por que me distanciei deste universo ao longo dos anos. Passei pela música sertaneja (Chitão e similares), pelo pop rock nacional (Skank e similares) e até pela cena indie alternativa (Los Hermanos e similares), mas nunca mais retornei àquele território sagrado da Taba e similares.

Não sei quem foi culpado por meu distanciamento, mas sei que o Renato Teixeira é o cara que trouxe de volta uma parte daquele velho sentimento apaixonado.

To be continued...

Brincadeira de criança

Estou em crise com meus bonequinhos. Não tenho mais paciência pra tirar a poeira deles, estou enjoando de suas limitações (não ficar de pé direito, não segurar direito a arma, os motivos clássicos) e a cada mês alguns deles vão para a caixa do maleiro, o céu dos brinquedos.

A última utilidade que encontrei pra eles foi ornamentar esse blog. Nunca ninguém comentou, nem elogiou, nem criticou, mas eu não me importava. Fiz pra mim mesmo. Eu achava divertido, brincalhão, jocoso, estiloso e até "fofo".

Isso tudo até descobrir que, como tudo na vida, tem gente por aí fazendo muito melhor. Mais precisamente, este cara e este outro cara. Lazarentos. Invejei não só o talento fotográfico e a criatividade aplicada, mas principalmente a vasta coleção de bonequinhos dos dois.

Assim sendo, é hora de trocar o layout do blog e aposentar definitivamente os bonequinhos, tanto na vida online quanto na offline. Se não pode vencê-los, desista. Esse é o meu lema.

PS: Meu layout pode ser tosco, mas pelo menos é melhor que o logo de São Paulo pra Copa 2014, o maior fiasco do design moderno.

3.6.09

Família Soprano

("The Sopranos", 1999, de David Chase)



Com dez anos de atraso, eis que assisti à primeira temporada dos Sopranos. Não vou chover no molhado e comentar coisas que todos já estão carecas de saber, só vou registrar aqui a minha devoção. Nada pode ser mais genial do que um mafioso deprimido graças à mamãe castradora. A profundidade dos roteiros a partir dessa base é um negócio a ser estudado por especialistas, chega a dar raiva. Como pano de fundo para os melhores conflitos já vistos na TV estão as auto-referências a New Jersey (principalmente Bruce Springsteen, o verdadeiro chefão do capanga vivido pelo sensacional Little Steven) e aos ícones cinematográficos da máfia ("O Poderoso Chefão" e "Os Bons Companheiros" citados direta ou indiretamente, até na escalação do elenco).

As séries da HBO são covardia. O Ian McShane de "Deadwood" e o James Gandolfini dos Sopranos são meus maiores anti-heróis de todos os tempos. E a máfia e o velho oeste são os melhores temas para roteiros.

Rumo à segunda temporada agora. Sem spoilers nos comentários, por favor.

2.6.09

Deixem o templo sagrado em paz

Desde que anunciaram o Brasil como sede da Copa de 2014 tem gente querendo tirar o Morumbi da festa. Agora que as 12 cidades foram divulgadas, o papo é que o Morumbi é pior estádio entre os candidatos. O pior do Brasil.

Se isso não é politicagem, inveja, picuinha e intriga, eu não sei o que é. Porque eu não sou engenheiro, nem arquiteto e não conheço todos os estádios do Brasil, mas você não precisa ser muito estudado pra saber que o Morumbi não é essa porcaria que andam pintando. Muito pelo contrário. E ninguém vai me convencer que tem outros 11 estádios melhores que o Morumbi no Brasil. Pelo menos, não construídos. Maquetes corintianas não valem.

Na real, o Morumbi e seus defeitos não têm nada a ver com isso. O São Paulo Futebol Clube está pagando por não ter boas relações com federações, confederações e outras entidades que comandam o futebol brasileiro, que mesmo assim são obrigadas a nos engolir levantando taça todo ano.

Quer dizer que temos condições de receber o U2 e a Madonna, mas não podemos abrigar umas seleçõezinhas européias? Vão à merda. Por mim, a abertura da Copa pode ser na Rua Javari. Seguindo o exemplo bíblico, já expulsamos os corintianos do Templo, agora vamos expulsar o resto do mundo.

"Jesus expulsou do templo os vendedores e os cambistas. Sua explicação foi simples: 'Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores.'" (João 2:13-16; Mateus 21:12-13)

1.6.09

Hot 100

De novo, isso tem cheiro de armação e deve ser mesmo. Em todo caso, divulgo: alguém fez um Top 100 Garotas Para Você Seguir Bem de Perto no Twitter. Eu não aguentei seguir nem a Jessica Alba, imagine essa mulherada moderninha comentando a balada de ontem.

Em todo caso, há que se pensar no outro lado. Você, menina bonita, simpática, inteligente, solteira, sãopaulina, herdeira de uma fortuna, residente na mesma área de entrega do Lig-Lig que eu e fã de Bon Jovi deve estar se perguntando: mas e o Top 100 Garotos?

Bem, eles estão aqui embaixo!

TOP 100 GAROTOS PARA VOCÊ SEGUIR BEM DE PERTO NO TWITTER

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As outras 98 vagas estão disponíveis mediante pagamento de R$ 50. Uma pechincha. Entre em contato.

Renato Teixeira & Sérgio Reis

(Teatro FECAP, São Paulo, 31/05/09)

Agora é oficial: eu não consigo ver um show do Renato Teixeira sem passar 80% do tempo com os olhos cheios de lágrimas. Deve haver uma explicação científica pra isso, alguma informação genética, uma memória afetiva ancestral que aflora quando o homem começa a cantar.

Um ano depois daquele show fantástico no Auditório do Ibirapuera, Renato Teixeira se apresentou novamente em São Paulo, em três noites seguidas com convidados especiais. O de domingo foi o grande Sérgio Reis, "o homem que abriu a porteira", segundo Teixeira.

A primeira parte do show, ainda sem o convidado, mostrou um Renato Teixeira rejuvenescido, e não só porque ele pintou o cabelo. O clima de roda de violão do DVD de sucesso agora deu lugar a uma banda completa. Os filhos João Lavraz (baixo) e Chico Teixeira (violão de 12 cordas) continuam ao seu lado, mas a banda agora conta com o consagrado baterista Dudu Portes, que já tocou com Elis Regina (evocada a todo momento, graças a "Romaria") e estava ausente dos palcos há décadas. Foi ele o responsável por dar mais volume e corpo aos novos arranjos dos clássicos de Renato Teixeira, incluindo a percussão que simula águas e passarinhos no clima campestre das músicas. Com exceção do volume muito alto dos efeitos, que muitas vezes ofuscaram o vocal, o som esteve perfeito do auditório da FECAP.

Entre músicas inéditas (vem DVD novo por aí), os sucessos de sempre e muitos causos divertidos do interior, Renato Teixeira e sua banda afinada não precisam de muito esforço pra conquistar a plateia e levá-la pra bem longe da capital paulistana por umas duas horinhas. "Frete" ganhou densidade, "Amora" continua acabando comigo e a versão de "Father & Son" do Cat Stevens devia ser proibida para todos que um dia saíram do interior e vieram pra cidade grande.

A presença de Sérgio Reis, chegando como um amigo em visita ao sítio, chega a ser covardia. "Filho Adotivo" (uma das músicas mais comoventes de todos os tempos) e "O Menino da Porteira" foram suas principais contribuições ao repertório, mas ele também teve sua participação em "Tocando em Frente", "Calix Bento" e, é claro, "Romaria", que ele também gravou.

Por mim, Renato Teixeira podia tocar semanalmente em algum lugar bacana, recebendo convidados diferentes a cada domingo. Eu iria em todos. É mais barato do que viajar pro interior toda semana. Duro é o baque de sair desse ambiente acolhedor e ficar meia hora esperando o transporte público paulistano na sequência.