17.3.14

Os Croods

("The Croods", 2013, Dir.: Kirk De Micco e Chris Sanders)




A animação da Dreamworks sobre uma família das cavernas em busca de evolução recicla uma receita clássica ("Os Flintstones") com o contexto de um sucesso recente ("A Era do Gelo"), no qual o período histórico é mais do que pano de fundo, ele faz parte da trama. Mesmo que não seja necessariamente uma aula de história.


Os Croods, liderados pelo patriarca troglodita Grug (voz de Nicolas Cage), vivem com medo trancados em uma caverna, de onde saem poucas vezes apenas para caçar. Olhaí a crítica social da classe média enclausurada com medo de sair na rua e encarar a realidade do mundo. Embora a mãe (voz de Catherine Keener) pouco apareça, pode-se dizer que os pais das cavernas são superprotetores e querem manter os filhos dependentes, debaixo de suas asas. Só que a adolescente Eep (voz de Emma Stone) quer liberdade, é curiosa e rebelde, quer ver a luz do sol e desbravar o planeta.

Como "Os Croods" não tem a ousadia de um "Wall-E", o mito da caverna de Platão logo perde para a aventura infantil quando a família abandona o lar e, seguindo um moleque mais evoluído (voz de Ryan Reynolds), foge da extinção em busca de um paraíso que eles adequadamente apelidam de "o amanhã", o futuro, a sobrevivência. A fragilidade física do moleque evoluído contrasta com a truculência do tradicional e conservador Grug.

No âmbito da aventura infantil temos então: muita correria, personagens caindo, voando e quicando, bichinhos fofos e pastelão inofensivo, já que Grug é mesmo um troglodita do tipo que tromba com uma árvore e derruba a mesma. A breve sequência em que ele tenta se modernizar e ter novas ideias é quase vergonhosa, mas a jornada da família desbravando aquele mundo colorido e cheio de perigos exóticos que lembram "Avatar" enquanto evolui no processo não compromete a diversão.

O co-diretor Chris Sanders já esteve envolvido em animações mais interessantes – dirigiu "Como Treinar o Seu Dragão" e escreveu clássicos como "O Rei Leão" e "Aladdin" – mas parece que a tentativa de criar uma nova franquia deu certo: mesmo sem personagens marcantes, cenas memoráveis ou uma trama inovadora, uma continuação está prometida para 2017. A animação em Hollywood é como comédia da Globo Filmes no cinema nacional: não precisa de muito pra ter público garantido.

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